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Futebol

06/11 - 00:12

Rubin Kazan comemora 50 anos com título e vaga na Liga

Na 1ª divisão russa apenas desde 2003, time abriu 10 pontos de vantagem sobre o CSKA Moscou, faltando 3 rodadas

Trivela.com

MOSCOU (Rússia) - Foi como um sonho. Na primeira divisão russa somente desde 2003, o Rubin Kazan conquistou o inédito título nacional neste final de semana, ao bater o Saturn por 2 a 1 e abrir dez pontos de vantagem sobre o CSKA Moscou, faltando três rodadas para o fim da competição. A conquista teve um sabor ainda mais especial, porque ocorreu no aniversário de 50 anos do clube tártaro.

A campanha do Rubin foi impecável. Tudo começou com uma sequência de sete vitórias nos sete primeiros jogos da Premier Liga. A liderança foi mantida por todas as 27 rodadas, com vitórias expressivas sobre os grandes do país. Momentos chave que fizeram do Rubin de mero postulante à uma vaga em competições européias para o surpreendente campeão da temporada 2008 na Rússia.

Sem dúvida ou medo de errar, o maior responsável pelo título chama-se Kurban Berdyev, de 56 anos, técnico da equipe desde 2001. Ex-treinador da seleção do Turcomenistão, sua pátria, e outras equipes menores da Rússia, Cazaquistão e Turquia, Berdyev fez seu nome e carreira em Kazan, onde ganhou o respeito da diretoria e torcida.

A diretoria, por sinal, também fez um ótimo trabalho para esta temporada. O clube vinha em uma constante ascensão na classificação. Em 2007, no entanto, as coisas não saíram como previsto e a décima colocação teve um sabor amargo. Mesmo assim o trabalho foi mantido e boas contratações foram feitas.

O Rubin soube misturar a juventude de jogadores do elenco, casos do meia equatoriano Noboa (23 anos), do meia russo Aleksadr Ryazantsev (22) e do zagueiro argentino Ansaldi (22), com a experiência de renomados atletas: o goleiro Sergey Ryzhikov (28), chamado pela primeira vez neste ano para a seleção russa, o meia russo Sergey Semak (32), que rapidamente se tornou o líder do time, e no setor ofensivo o ucraniano Sergey Rebrov (34), o sérvio Savo Milosevic (35) e o turco Gokdeniz Karadeniz (28).

Isso sem falar na chegada, no meio da competição, do artilheiro da última Premier Liga, o atacante da Rússia Roman Adamov - o time também tem um brasileiro, o zagueiro Jefthon, de 26 anos, ex-Paraná, mas reserva

No final das contas, o Rubin conseguiu montar um elenco equilibrado e muito forte, que com o passar dos jogos foi ganhando confiança e se motrou quase imbatível. Principalmente nos momentos de decisão – apesar de uma má fase, até certo ponto natural, no segundo turno, algo que os rivais não souberam aproveitar para tirar o time da liderança.

A conquista – que por sinal foi de maneira dramática: o Rubin abriu 1 a 0 com Adamov aos 30 do segundo tempo. Nemov empatou e Milosevic, aos 44, marcou o gol do título – coloca o Rubin na fase de grupos da Liga dos Campeões na temporada 2009/10. Algo quase surrealista para esse clube tártaro, que valoriza suas origens e há pouco tempo ainda frequentava as divisões menores do país.

Logo após o histórico jogo, Berdyev concedeu uma entrevista exclusiva ao jornal Sport-Express. “Percebi que o Rubin podia vencer a Premier Liga provavelmente depois da vitória sobre o Dynamo Moscou, em 25 de abril a sétima seguida. Nossa vitória mostra que nada é impossível. Você pode ter sucesso fora de Moscou também. Na Rússia há diversas regiões onde se podem construir times campeões. São elas: Moscou, Samara e um número grande de regiões poderosas economicamente, então podemos esperar mudanças no futebol russo”, afirmou o treinador.

Ele também reservou alguns agradecimento. “Sergey Semak é um grande líder e capitão. Ele e nosso diretor esportivo Rustem Saymanov me ajudaram muito na criação dessa atmosfera na equipe de que somos o número um. Vocês sabem que já não sou mais um técnico de escola, não sou jovem, e a juventude mudou muito. Sergey e Rustem trabalharam bem e não tivemos problemas de comunicação no elenco”, completa.

A coincidência é que, em tempos de mudança até mesmo nos Estados Unidos, com a eleição de Barack Obama, Berdyev ressaltou algo que o novo presidente dos EUA também faz questão de enaltecer: tudo é possível.

Decadência de um gigante
Se a Premier Liga deste ano mostra a festa de um inédito campeão, a segunda divisão amarga a decadência de um velho campeão. Com a derrota em casa para o NoSta, por 3 a 1, pela penúltima rodada da competição, o Torpedo Moscou foi rebaixado para o terceiro escalão do futebol russo. Com 49 pontos, não tem mais chances de deixar o grupo dos sete rebaixados.

Fundado em 1930, o Torpedo sempre foi uma das forças do futebol soviético. Os alvinegros foram o clube de Eduard Streltsov, conhecido como o “Pelé russo”. Time do proletariado, três vezes campeão da União Soviética, seis títulos da Copa da URSS, uma Copa da Rússia e aparições nas quartas-de-final da Liga dos Campeões e Copa Uefa.

Toda essa história e tradição, agora, será limitada ao torneio da terceira divisão, disputado de forma regional na Rússia.

Desde o fim do império soviético, o Torpedo vinha sofrendo com a falta de investimentos e apoio – majoritariamente do Governo no passado. Após a aquisição do clube pela empresa Luzhniki, os dias de glória foram se tornando apenas lembranças de um passado tardio. Agora, terá que lutar para recomeçar.


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