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Futebol

28/10 - 17:25

"Dunga já tem seus goleiros favoritos", afirma brasileiro do Genoa
Rubinho comemora seu bom momento na Itália, mas não se ilude quanto a possível chance na Seleção Brasileira

Trivela.com

GENOA (Itália) - Os dois goleiros favoritos de Dunga, Júlio César e Doni, atuam no futebol italiano. Mas há um terceiro brasileiro se destacando embaixo das traves nesta temporada da Série A: Rubinho, do Genoa. No último domingo, ele ajudou o time a empatar por 0 a 0 com a Internazionale em San Siro, acabando com uma seqüência de 60 jogos dos nerazzurri marcando em casa.

O ex-corintiano está no clube desde 2006, quando os 'grifoni' ainda disputavam a segunda divisão, e tem sido um dos principais nomes da boa campanha da equipe. Com 13 pontos, o Genoa ocupa a oitava posição, quatro pontos abaixo dos líderes, e venceu as quatro partidas disputadas no estádio Luigi Ferraris.

Em entrevista, Rubinho falou sobre seu bom momento, contou histórias de sua experiência na Itália, falou de Seleção Brasileira e de sua relação com o Corinthians e seus ídolos.

O Genoa teve um início forte na Série A, sobretudo nos jogos em casa. Qual é o objetivo estabelecido pelo clube para a temporada?
Sabemos que somos um time pequeno. Nosso objetivo é sempre se salvar o quanto antes, temos isso em mente. Só nas rodadas finais, caso já estejamos garantidos na Série A, vamos pensar mais alto. Por enquanto, queremos a 'salvezza', como dizem por aqui.

Udinese e Napoli dividindo a liderança com a Inter, o Catania fazendo boa campanha... É surpresa para você este equilíbrio de forças no começo do campeonato?
É surpresa sim. Ninguém esperava ver esses times nas primeiras posições. Esperava-se os times de sempre - Inter, Roma, Milan, Juventus -, mas não Udinese, Napoli e Catania.

Vocês já enfrentaram Milan, Roma, Inter e Napoli no campeonato. Qual foi sua impressão a respeito destas equipes?
A Inter dá impressão de que menospreza um pouco os adversários mais fracos. Acha que pode ganhar a qualquer momento. Pode não ser uma postura voluntária, mas é o que acontece. Quando jogamos contra o Milan (N.R.: vitória por 2 a 0, na segunda rodada), eles ainda estavam tentando se encontrar, o Ronaldinho tinha acabado de chegar, o Kaká voltava da cirurgia. Na Roma, parece ter algo estranho. Quando jogamos contra eles (N.R.: vitória por 3 a 1, na quarta rodada), tivemos uma grande atuação, colocamos o time deles em dificuldade. Nos 3 a 2 sobre o Napoli, foi uma ótima partida nossa. Tomamos um gol logo de cara, reagimos bem, conseguimos a virada, foi um jogo muito aberto e difícil.

Nos jogos fora de casa, o Genoa parecia muito retraído e vinha perdendo os jogos. Justamente contra a Inter, houve uma mudança de postura e o time pareceu mais solto, jogando de igual para igual. Foi uma mudança planejada?
Realmente, nos primeiros jogos fora de casa, jogamos muito fechados, preocupados em evitar contra-ataques dos adversários. A postura começou a mudar no jogo contra a Fiorentina, quando perdemos por 1 a 0, mas criamos oportunidades. Contra a Inter, fomos para o jogo, partimos para cima. Sabíamos que, se ficássemos atrás contra eles, acabaríamos sofrendo o gol.

Thiago Motta, ex-Barcelona e Atlético de Madrid, fez uma boa partida contra a Inter. Como tem sido a adaptação dele ao clube?
Ele chegou com muita personalidade. Jogar na Espanha é uma coisa, na Itália é outra. Aqui é mais 'porrada', mais tática. Ele passou um tempo treinando, já que vinha sem jogar, mas contra a Inter entrou jogando foi muito bem. Mostrar tanta personalidade em um jogo como esse é sinal de que ele sabe jogar bola.

A contratação de Diego Milito empolgou muito a torcida, pela volta de um ídolo do clube. Qual a importância dele para o time?
Milito é nossa referência. Aquele jogador que você sabe que vai receber a bola e resolver. Vai marcar o gol ou criar uma oportunidade. Posso dizer que aqui ele é mais que ídolo, é um mito.

Você considera que vive seu melhor momento no Genoa até agora?
Estou ajudando bastante a equipe. Fiz boas defesas contra o Napoli, participei bem do jogo contra a Inter, com boas saídas. Mas considero que ainda estou crescendo. Temos um treinador de goleiros (Gianluca Spinelli) que estuda muito, sempre passa coisas que vamos colocar em prática nos jogos.

Tanto você quanto o técnico Gian Piero Gasperini estão desde a Série B, temporada 2006/7, no Genoa. Como você avalia o trabalho dele?
O treinador é uma das revelações do futebol italiano. Subiu com o time para a Série A, logo de cara conseguiu uma boa campanha (décimo lugar na temporada 2007/8). Agora, com ele, tivemos um ótimo começo. Vencemos todos os jogos em casa, causamos problemas à Inter em Milão. Guardadas as devidas proporções, eu o comparo ao (Vanderlei) Luxemburgo, porque ele sabe tirar o melhor de cada jogador. Dá bronca na hora que precisa, fala manso quando precisa. Estamos na terceira temporada juntos e nos damos muito bem.

Em dezembro o Genoa terá o dérbi com a Sampdoria. Como a cidade vive este clássico?
Gênova respira o dérbi, é um jogo à parte. Aquele que todo mundo procura no calendário quando divulgam a tabela. Na temporada passada, perdemos para a Sampdoria com um gol no último minuto. Parecia um clima de velório entre os torcedores, era como se tivéssemos sido rebaixados. Se durante a semana a gente troca uma palavra com um jogador da Sampdoria, os caras vêm encher o saco. Não importa se for brasileiro, se for seu amigo.

Você espera jogar mais anos pelo Genoa ou pretende se transferir para um time maior logo?
É claro que eu espero abrir portas maiores. Considero o Genoa um clube importante, mas temos de querer sempre mais. Com os pés no chão, sem pressa, com tranqüilidade, mas penso em defender um clube de maior expressão, aqui ou em outra liga.

Acha que um lugar na Seleção Brasileira é uma perspectiva realista?
Sinceramente, eu ficaria feliz se me chamassem, mas o Dunga já tem seus goleiros de confiança. Tem o Júlio (César), tem o Doni. Eu gostaria muito de ser convocado, mas não é algo que eu vá ficar esperando.

O Brasil, que sempre exportou atacantes, agora faz isso também com goleiros. Só para lembrar de casos mais recentes, tivemos o Diego Cavalieri, no Liverpool, e o Renan, no Valencia. A que você atribui esse novo movimento?
Temos uma geração especial de goleiros, uma boa escola no Brasil. Temos de agradecer ao Taffarel e ao Dida, que abriram as portas. Se eles tivessem vindo para cá e ido mal, não adiantaria nada. Da mesma forma, hoje somos nós que abrimos as portas para os que virão a seguir. Agora, sempre que os observadores daqui vão ao Brasil, procuram goleiros.

No Verona, você teve poucas oportunidades. Chegou a se arrepender por ter ido para a Itália daquela primeira vez?
Foi um caso complicado. O presidente (Giambattista) Pastorello tinha 80 por cento dos jogadores, era empresário deles. E o goleiro titular, o Pegolo, era quase um filho para ele. Minha contratação foi pedida pelo técnico Massimo Ficcadenti, que me convenceu a passar por um período de adaptação no início de 2005. Quando voltei para a pré-temporada, o Pastorello me sacaneou. Ele sabia que, se eu ficasse, seria eu quem jogaria. Não me arrependo, porque mantive a palavra dada ao Ficcadenti. Valeu, pelo menos, pela adaptação. Aprendi a falar italiano e peguei algumas das técnicas italianas.

Você tem alguma mágoa com o Corinthians por ter sido pouco aproveitado no clube?
Impossível ter mágoa do Corinthians. Foi um clube que só me abriu as portas. Foi jogando lá que cheguei à Seleção de base, foi lá que conheci minha esposa, que jogava handebol no clube. Seria incoerente da minha parte falar qualquer coisa de ruim do Corinthians.

Hoje o Júlio César vive uma situação parecida no Parque São Jorge. Já provou ser um goleiro de ótima qualidade, mas é reserva do Felipe, que veio de fora. A melhor saída é ele deixar o clube?
Nessas horas, tem de pensar em você, correr atrás do que for melhor. E o melhor é jogar. Não adianta ter dez anos de clube e jogar cinco vezes, não adianta nada. Se eu tivesse a oportunidade de conversar com o Júlio César, diria para ele ir embora e procurar outro time para jogar com regularidade.

Voltar ao Brasil é algo que faz parte dos seus planos?
Não faço tantos planos para o futuro, mas se pudesse, eu voltaria um dia. Gostaria de voltar para o Corinthians, é claro. Se não fosse possível, teria de ser para um clube de fora de São Paulo. Eu tenho Corinthians no sobrenome. Sou o 'Rubinho do Corinthians', o 'Rubinho irmão do Zé Elias'. Ficaria estranho jogar no Palmeiras, no São Paulo ou até no Santos.

Quem são suas referências no gol?
Pago um café se você adivinhar.

Buffon?
Ronaldo, do Corinthians, é claro! Vi o Ronaldo jogar quando eu tinha 4 anos. Para nós, corintianos, ele é um mito. Tive a grande satisfação de conhecê-lo pessoalmente. Obviamente me inspiro muito no Buffon. Ele é gente boa, conheço o procurador dele também. Todo jogo que você vê do Buffon, pode esperar que ele vai fazer uma grande defesa. E ele gosta de ser goleiro, não é aquele jogador de linha frustrado. Também gostava de observar o Zetti e o Taffarel, com quem me encontrei em um vôo recente para a Itália. Foi ótimo conhecê-lo e poder conversar com ele.

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