iG - Internet Group

iBest

brTurbo

 

Futebol

24/10 - 18:50

Inter é a melhor aposta brasileira na Sul-Americana

Diante das derrotas de Botafogo na Argentina e Palmeiras no Palestra Itália, Colorado está em boa situação

Trivela.com

PORTO ALEGRE - Há duas semanas, esta coluna cravou que Internacional x Boca Juniors seria o duelo mais apetitoso das quartas-de-final da Sul-Americana. Depois dos jogos de ida, a sensação ganha força, ainda mais para os brasileiros. Afinal, o confronto ainda é de difícil previsão, mas também consolidou o Colorado como time com mais possibilidades de trazer o troféu para o Brasil.

A partida no Beira-Rio foi desigual. Com força máxima, Inter e Boca têm condições de fazer uma eliminatória equilibrada. Mas, com os argentinos usando jogadores reservas, não foi surpresa a balança pender para o lado gaúcho. Ainda mais quando um meia como Alex está em noite inspirada.

Pela pressão imposta, o Inter poderia ter saído com um placar mais largo e o duelo, definido. Dentro das circunstâncias, 2 a 0 não foi o melhor resultado que o Colorado poderia conquistar. Até porque é um marcador reversível em La Bombonera.

Para a partida em Buenos Aires, a motivação que o Boca pode ou não ter será importante. Com um time reserva, dificilmente os argentinos eliminam o Internacional. No entanto, o time já está praticamente morto no Campeonato Argentino e ainda tem na Sul-Americana a chance de salvar o ano e ultrapassar o Milan na luta por ser o clube com mais títulos internacionais do mundo (uma “competição” para lá de duvidosa, pois conta qualquer torneio, até Copa dos Campeões da Copa Conmebol ou Supercopa da Europa).

Desse modo, é boa a chance de os boquenses entrarem com a formação titular para o duelo contra o Internacional. Como os gaúchos já estão sem ambições no Brasileirão, vencer a Sul-Americana seria um prêmio mais que razoável para quem investiu tanto na montagem do elenco e não devem encarar o torneio internacional com desdém.

Nenhum jogo das quartas-de-final da Sul-Americana tem possibilidade de virada tão grande, ainda que o Inter seja favorito. E, pelo que foi visto nos demais jogos dessa fase do torneio, nenhuma equipe parece tão forte quanto a que sair classificada de La Bombonera.

Os outros duelos
Estudiantes, Chivas de Guadalajara e Argentinos Juniors. Até segunda ordem, esses devem ser os outros semifinalistas da Copa Sul-Americana. Os placares dos jogos de ida não foram definitivos, mas o modo como os adversários pareceram entregues no torneio tornam essa uma tendência natural.

Chivas e Argentinos Juniors venceram fora de casa. Então, pela lógica, não deveriam ter trabalho para manter a vantagem em seus domínios. Isso até vale para as Chivas. O time mexicano está saindo da crise em que se enfiou no inicio do Apertura mexicano e, no momento, estaria classificado para a repescagem da Liguilla.

Esse ganho de confiança ficou patente na partida contra o River Plate. Muito mais estruturado em campo, o Rebaño se aproveitou da fragilidade que tomou conta dos Millonarios para construir a vitória no Monumental de Núñez. Os tapatíos chegaram a fazer 2 a 0, ajudados por uma atuação inspirada de Victor Hugo Hernández, que parece tomar de Sergio Rodríguez o posto de reserva imediato do contundido Míchel.

O caso dos Argentinos Juniors é um pouco diferente. Mesmo enfrentando um time misto do Palmeiras, o Bicho Colorado foi dominado e teve sorte de sair do Parque Antarctica com a vitória. Independentemente de erro de arbitragem, o Alviverde também pagou pela falta de motivação de seus jogadores.

É nesse desinteresse palmeirense que está o favoritismo dos argentinos. Em Buenos Aires, nada indica que o Palmeiras jogue com real vontade de seguir no torneio e ter um calendário mais congestionado na reta final do Brasileirão. No entanto, se Luxemburgo resolver que o título internacional é importante, os alviverdes têm totais condições de vencer no estádio Diego Maradona.

O terceiro brasileiro na Sul-Americana é o Botafogo, que perdeu na última terça uma boa oportunidade de voltar com um bom resultado de La Plata. O Estudiantes teve um jogador expulso ainda no primeiro tempo e poderia se perder em campo.

No entanto, o Alvinegro, mais uma vez, não soube se impor no cenário internacional. Deixou-se dominar pela atuação maiúscula de Verón e deu confiança ao adversário. Erro fatal, considerando o espírito copeiro que qualquer equipe pincharrata carrega.

O placar em si (2 a 0) é até resersível no Engenhão, mas a falta de confiança de um lado e o excesso do outro tornam a virada difícil. E, mais uma vez, o Botafogo deixaria a Copa Sul-Americana quando tinha condições técnicas de ir mais longe.

Casal na Justiça
A Justiça uruguaia decidiu contra o empresário Francisco “Paco” Casal em investigação iniciada pela Dirección General Impositiva (DGI, Receita Federal do Uruguai) por sonegação de impostos. O processo teve início em abril devido ao suposto não-pagamento de impostos na transferência de jogadores para o exterior. O valor sonegado seria US$ 25 milhões, mas, com as multas, chegaria a US$ 100 milhões.

A juíza Loreley Opertti considerou válidas as conclusões da DGI e ainda mencionou oficialmente que o empresário não cooperou com as investigações. Além disso, ela recusou um processo de Casal, que rebateu as acusações processando a receita por falsificação de documentos.

Os assessores de Casal indicam que o único imposto que recai sobre a venda de jogadores seria o Imposto pela Cessão dos Direitos de Esportistas, e não o Imposto de Renda de Indústria e Comércio, como defende a DGI. Considerando apenas a primeira taxa, o empresário pagou, nos últimos seis anos, US$ 10 milhões ao Fisco, o que seria 5% do faturamento com venda de atletas.

Por meio de seus advogados, o empresário nascido em São Paulo e radicado no Uruguai desde criança pretende recorrer ou negociar com a receita assim que for estipulado valor da multa. No entanto, ele também está de olho em outro processo da DGI, que também o investiga por fraude tributária.

Desde o final da década de 1980, Casal se tornou o empresário de futebol mais poderoso do Uruguai. Ele representa vários jogadores da seleção celeste e é dono da Tenfield, empresa dona dos direitos de transmissão do futebol local. Muitos consideram que seu poder de manobra é um dos responsáveis pela decadência dos clubes uruguaios.

México: Corujas voam
Os Tecos de la UAG são pequenos. O time joga em Zapopán, região metropolitana de Guadalajara, e conta com uma torcida bastante pequena. Afinal, ser vizinho de um gigante como as Chivas tem seu preço. Assim, o time da Universidad Autónoma de Guadalajara tem alguns seguidores zapopanos e outros poucos estudantes da instituição.

Por isso, não é de se estranhar que os tecolotes quase sempre estejam na beira do rebaixamento na classificação de porcentagens (o equivalente ao promedio da Argentina). E também é mais que normal que o clube não invista em reforços e conte com um misto de sorte com esperteza para pinçar alguns bons jogadores para seguir na elite.

Pelo visto, o Apertura 2008 foi um desses momentos de sorte. Os Tecos lideram o grupo 2 com 21 pontos, o que lhes dá a quarta posição na classificação geral. O bom momento foi ratificado com uma convincente goleada de 5 a 2 sobre o San Luis, um dos melhores times do México neste ano.

Parte da boa campanha se deve ao técnico Miguel Herrera. O treinador assumiu após a polêmica demissão de José Luis Trejo, que vinha com uma campanha mediana, mas se desentendeu com o zagueiro Juan Carlos Leaño, um dos líderes do elenco. Com a chegada de Herrera, o time se soltou ainda mais e logo conseguiu uma série de bons resultados. Em cinco jogos com o atual comando, foram três vitórias, um empate e uma derrota (fora de casa contra os embalados Tigres).

Em campo, o destaque maior é o goleiro José de Jesús Corona, reserva imediato da dupla Oswaldo Sánchez-Guillermo Ochoa na seleção mexicana. A defesa aidna tem o promissor Melvin Brown. Do meio para frente, a força é sul-americana: o meia ofensivo uruguaio Jorge Zamogilny (que fez uma boa temporada 2007/8 pelo Puebla e nenhum clube mais rico foi buscar) e o brasileiro Robert (ex-Botafogo-SP, PSV e Betis).

Dificilmente esse time repetirá a façanha da equipe de 1993/4, a única a dar o título nacional aos Tecos. Mesmo o vice-campeonato do Clausura 2005 é improvável. De qualquer modo, os tecolotes já vão abrindo vantagem na luta contra o rebaixamento e devem assegurar a classificação para o mata-mata. Algo que já está mais que bom para um clube que vira e mexe se fala em vender a vaga na elite.


Leia mais sobre: Internacional Copa Sul-Americana



Alerta de Gols Receba notícias pelo seu celular

> Você tem mais informações? Envie para Minha Notícia, o site de jornalismo colaborativo do iG


Topo