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Futebol

23/10 - 16:45

Fellaini: é de pequeno...
Jovem meia já é dono do meio-campo na Bélgica

Trivela.com

BRUXELAS (Bélgica) - O início da campanha da Bélgica nas Eliminatórias européias para a Copa de 2010 foi surpreendentemente positivo, para uma equipe que ficou de fora do Mundial de 2006 e das duas últimas Eurocopas. Algo que se justifica, entre outros fatores, pelo surgimento de jovens promissores, que começam a freqüentar mais constantemente as convocações de René Vandereycken, além de serem responsáveis pelo bom 4º lugar obtido no último torneio olímpico de futebol masculino.

E um dos jovens que dão mais esperanças aos belgas é um meia, belga de ascendência marroquina, volante de origem, mas que tem se mostrado um jogador bastante versátil por aquele setor do campo, podendo ajudar tanto na marcação como na armação: Marouane Fellaini.

 Tal pai, tal filho

A história dos Fellaini na Bélgica inicia-se em 1971, quando o patriarca Abdellatif Fellaini, goleiro que, no Marrocos, seu país de origem, já atuara em Raja Casablanca e Hassania Agadir, transfere-se para o KRC Mechelen. Entretanto, o Hassania recusa-se a enviar para o clube belga os papéis da transferência, melando o negócio. Mas Abdellatif, ao invés de voltar à terra natal, fixa residência em Bruxelas, empregando-se como motorista de ônibus e arrumando casa na capital belga (diga-se de passagem, casa próxima ao estádio Heysel, hoje Rei Balduíno). E é exatamente em uma cidade da região de Bruxelas, Etterbeek, que Marouane Fellaini-Bakkioui nasce, em 22 de novembro de 1987.

Desde criança, Fellaini sentiu-se estimulado a seguir os passos do pai, que, por sua vez, apoiou o jovem na decisão. Tanto que, ao contrário dos amigos que iam de ônibus ou bicicleta, quando ia à escola, Marouane era obrigado por Abdellatif a ir a pé. Só para manter a forma e entrar em campo. Com tal cenário, não é de se espantar que, logo aos sete anos, o jovem já tenha iniciado-se na carreira, nas categorias de base do Anderlecht. Aí, começa uma roda-viva de categorias de base. Em 1997, Fellaini sai dos Mauves e ruma ao Mons. Mais três anos e ele vai para o Francs Borains, onde fica até 2002. Aí, com quinze anos de idade, Marouane é observado por um olheiro do Charleroi. Impressionado com o respeitável porte físico do garoto (1,94m, 85 kg), o olheiro chegou para Fellaini pai e disse que Marouane poderia tornar-se um novo Patrick Vieira. Conclusão: nova mudança de ares, desta vez para os Carolos.

A sorte se mostra amiga

Finalmente, em 2004, Marouane sai do Charleroi e é contratado pelo Standard Liège, onde assina seu primeiro contrato profissional. Fica na reserva do clube durante dois anos, até que, em um empate sem gols justamente contra o Charleroi, disputado em 24 de março de 2006, pela 28ª rodada da Jupiler League 2005/06, o técnico dos Rouches, o holandês Johan Boskamp, dá ao filho de Abdellatif a primeira chance de sair do banco e mostrar do que era capaz. A Liga terminou, o Standard não conseguiu o título e Boskamp foi demitido pouco depois, mas Fellaini conseguiu aproveitar bem as chances que teve. E começou a receber mais atenção do novo treinador, Michel Preud'homme.

A oportunidade dada por Preud'homme não poderia ter sido melhor aproveitada: na virada de 2006 para 2007, Fellaini já havia virado titular absoluto dos Liègeois, já mostrando sua maior qualidade, a já citada capacidade de ser o chamado meia 'box-to-box' (capaz de ajudar tanto na marcação quanto no apoio), além da força física. E a titularidade precoce rendeu um fruto ainda mais saboroso. Poucos meses depois da estréia, em fevereiro de 2007, Fellaini é convocado para a seleção belga profissional, que enfrentaria a República Tcheca em um amistoso. 

Aí, uma pequena polêmica surge. Com passagens anteriores pela seleção sub-21 de Marrocos, Marouane tem de decidir se seguiria carreira internacional pelo país onde nasceu ou no país de seus pais. E a decisão foi rápida: mesmo falando árabe fluentemente e sendo muçulmano, ele decide pela Bélgica. E não houve como evitar alguns ressentimentos: por mais que o pai tenha saído em sua defesa, dizendo que os filhos adoravam visitar Marrocos e não tinham vergonha da ascendência, os torcedores africanos deram a Fellaini o apelido de Le Diable (O Diabo). Tanto por jogar nos Diabos Vermelhos, como por ter, supostamente, virado as costas aos Leões do Atlas.

A estrela ainda sobe

Mesmo com a derrota belga para os tchecos no amistoso (2 a 0), Fellaini joga os noventa minutos. Além de manter-se intocável no Standard, chega para o Europeu sub-21 como titularíssimo nos Diablotins comandados por Jean-François de Sart. Além de ajudar na conquista da vaga nos Jogos de Pequim, Fellaini acabou mostrando no campeonato, também, uma faceta então desconhecida: o forte temperamento, que lhe rendeu uma expulsão logo aos 18 minutos de jogo, na partida contra Israel. Na volta ao país, a situação não fica muito mais calma: mesmo sendo titular havia pouco mais de um ano, Fellaini ameaça sair do Standard, aproveitando uma cláusula do contrato que permitia isso, a menos que o clube renovasse o contrato e lhe desse um bom aumento. Ganhou a briga, tendo o contrato renovado até 2012.

E ganhou ainda mais moral para tomar conta do meio-campo do Standard, virando um dos mais importantes jogadores na campanha que deu o título da Jupiler League ao time, encerrando um jejum de 25 anos. Sua importância foi de tal magnitude que rendeu-lhe uma Chuteira de Marfim, prêmio dado desde 1992 ao melhor jogador de ascendência africana atuando na Bélgica. Além disso, continuou freqüentando as convocações - e o time titular - de René Vandereycken na Bélgica. E começou a ser observado por clubes como Tottenham, Sevilla, Monaco e até por Manchester United, Chelsea e Bayern de Munique. A convocação para o torneio olímpico de futebol (em que pese a expulsão na estréia belga, contra o Brasil) só ampliou o número de olhares em cima dele.

Mas o que praticamente definiu sua transferência para um centro maior do futebol europeu foram as ótimas atuações contra o Liverpool, pela terceira fase preliminar da Liga dos Campeões, em que o Liège vendeu caro a eliminação, levando o duelo para a prorrogação, após duplo 0 a 0, e só sofrendo o gol que o tirou da fase de grupos a dois minutos do fim do tempo extra. Aí, o treinador do Everton, David Moyes, foi mais rápido. Preocupados em superar o assédio de equipes maiores e com mais dinheiro, os Toffees chegaram a Liège oferecendo 18 milhões de euros por Fellaini, no último dia de transferências do mercado europeu. E levaram o jovem. Que, titular no time de Moyes e já com um gol em apenas quatro jogos com a camisa dos azuis liverpudlianos, dá a impressão de não ter ainda alcançado todo o seu potencial. Assim esperam os torcedores belgas


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