iG - Internet Group

iBest

brTurbo

 

Futebol

23/10 - 09:07

Exportações no futebol brasileiro batem recorde, mas crise econômica deve afetar em 2009
CBF divulga lista com mais de 1100 jogadores que se transferiram para o exterior neste ano; Crise mundial, porém, pode atrapalhar na próxima janela

Daniel Dias, repórter do iG Esporte

SÃO PAULO - A CBF divulgou a lista de jogadores que atuavam no futebol brasileiro e se transferiram para o exterior em 2008. Como era de se prever, mais uma vez o recorde foi batido. De janeiro para cá, 1152 atletas foram tentar a sorte fora do país, um aumento de 6% em relação ao ano passado.
 
O crescente número absoluto de atletas, entretanto, esconde uma realidade: pouquíssimas transações envolvendo altas quantias e a queda de brasileiros no principal mercado futebolístico - Espanha, Inglaterra e Itália.
 
Por outro lado, ganhou espaço e carisma entre os jogadores e empresários nacionais os novos centros que apostam no futebol. Além do mundo árabe, que há alguns anos contrata brasileiros, países da ex-União Soviética, como Uzbequistão, Casaquistão e Tadjiquistão aparecem pela primeira vez na lista de importadores.
 
Os maiores responsáveis pela contratações de jogadores que atuam no futebol brasileiro continuam sendo Portugal - com larga vantagem -, Alemanha e Itália, mas todos com queda em relação aos anos anteriores. E se você apostou na Inglaterra ou na França para o quarto lugar, errou feio. A Suécia importou 46 brasileiros neste ano, somente dois a menos que os italianos. A maioria deles são jovens que vão para as categorias de base de clubes como o FC Norrkoping, que sozinho contratou 12 brasileiros em 2008.
 

Crise mundial vai interferir nas transferências
Em algumas oportunidades o número de transferências caiu de um ano para o outro (veja melhor no gráfico acima), mas o único com grande relevância foi entre 2001 e 2002. A explicação pode estar na queda das bolsas pelo mundo naquela época, causados pelo ataque terrorista aos EUA em 11 de setembro.
 
Este ano, novamente o mundo passa por uma crise global, dessa vez ainda maior que a de 2001. É o suficiente para o mercado futebolístico temer.
 
"Os maiores problemas ficam por conta do câmbio. No futebol, principalmente no mercado de transferências, nenhum clube no mundo tira dinheiro do próprio caixa para contratar. Eles pegam dinheiro emprestado dos bancos", explica Oliver Seitz, pesquisador do Grupo de Indústria do Futebol da Universidade de Liverpool.
 
"Existe um temor que na janela de transferências de janeiro e julho do ano que vem os clubes contratem pouco, já que os bancos vão limitar os créditos".
 
Entretanto, não necessariamente o número de atletas no futebol brasileiro que se transferem para o exterior caiará vertiginosamente. Afinal, a maior parte das transferências envolvem pequenos valores. "A CBF não divulga a quantia dessas transferências, mas se o fizesse, com certeza veríamos uma queda drástica no valor total nos últimos anos, e, para 2009, será maior ainda", explica Seitz. 
 


 
"Os maiores prejudicados serão os grandes clubes brasileiros. Eles podem ter poucas mudanças nos seus elencos, mas vão deixar de ganhar dinheiro com a transferência de jogadores, que é a maior fonte de renda para todos eles", completa o pesquisador, que vê como uma solução para os brasileiros o futebol árabe, pouco afetado pela crise.
 
Outro obstáculo poderá ser a fuga de patrocinadores, assustados com a situação global e temerosos em continuar investindo no futebol. "Os grandes clubes da Europa talvez possam contornar essa crise pela sua grandeza, mas o West Ham (da Inglaterra), por exemplo, era patrocinado pela XL Leisure, que faliu. Eles vão ficar sem patrocínio. É um comprador a menos no mercado do futebol brasileiro", concluiu Seitz.


Leia mais sobre: CBF Janela de transferência

> Você tem mais informações? Envie para Minha Notícia, o site de jornalismo colaborativo do iG


EFE

thiago neves

Êxodo bate recordes
Thiago Neves foi um dos jogadores que deixou o Brasil em 2008. Do Flu, foi para o Hamburgo

Topo
Contador de notícias