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Futebol

10/10 - 15:49

Zé Carlos: herói do Bahia em 1988
Trajetória do meia envolve fome, travessão, candomblé e uma dupla fratura na perna

Trivela.com

SALVADOR - 24 times divididos em 2 chaves e jogando sem returno. Todos os jogos que terminavam empatados eram decididos nos pênaltis. Gre-Nal do século na semifinal. Final disputada no ano seguinte e com trabalhos de macumba envolvendo a partida. Único campeão nordestino em 37 anos de disputa. O campeonato brasileiro de 88 foi bastante, digamos, peculiar. Assim como o jogador da campanha vencedora do Bahia que relembramos hoje: Zé Carlos.

José Carlos Conceição dos Santos nasceu em 20/3/65, na Baixa de Quintas, interior da Bahia. De porte franzino, ingressou tardiamente no futebol aos 18 anos, após ser o único selecionado entre 1300 candidatos na peneira do Bahia. Aparentava então 13 anos e, com medo de ser dispensado por deficiência alimentar, pendurava-se no travessão por vários minutos após os treinos na esperança de, com isso, crescer mais. Na prática, foi ajudado pelo fisicultor Jorge Lago e pela musculação mesmo. Aos 23 anos pesava 63 quilos, distribuídos em 1,78m de altura.

Em 1985, Zé Carlos venceria o campeonato baiano de juniores. No triênio seguinte, certamente o melhor de sua carreira, sagrou-se tricampeão estadual como profissional e campeão brasileiro em 88, desbancando o favorito Inter de Taffarel, Nilson e Abel Braga na final. Além de campeão, foi vice-artilheiro com nove gols ao lado de Bebeto. Apesar do sucesso em campo, o jogador sentia-se deprimido e afirma que, quando indagado em público, chegava a negar que era o Zé Carlos do Bahia.

Reza a lenda que neste período Zé Carlos acumulava a função de ogã, cargo do candomblé, e que mantinha constantes diálogos com os orixás. A ponto de seu pai de santo ter feito um trabalho visando o jogador Humberto, então contratado pelo Bahia e que deixara Zé Carlos receoso de perder a posição no time. O sacerdote teria supostamente quebrado a perna de um galo em dois lugares. Humberto, atleta de cristo, nada sofreu, ao contrário de Zé Carlos, que teve a perna fraturada em duas ocasiões.

Em 1989 Zé Carlos cruzou o país para defender o Inter que vitimara poucos meses antes. Neste mesmo ano foi convocado para a seleção de Lazaroni. Foram quatro partidas, contra Portugal, Peru (2) e Arábia Saudita e nenhum gol. Em Porto Alegre o jogador obteve relativo sucesso e foi campeão gaúcho em 91.

Trocou o colorado pelo Galo, onde foi campeão mineiro em 91(exato, campeão de dois estaduais no mesmo ano) e campeão da Conmebol de 92. Mas foi fora de campo que o habilidoso meia encontrou um novo sentido para a vida. Influenciado pelo goleiro João Leite, converteu-se a atleta de Cristo em 19/4/95 e desde então alega não depender mais do futebol para ser feliz.

Após uma passagem relâmpago pelo Al-Ahli da Arábia Saudita, retornou ao Brasil e em 95 comprou o próprio passe, alugando-o por seis meses para o América-RJ antes de pendurar as chuteiras em definitivo no ano seguinte.

Apesar de não depender do futebol para ser feliz, Zé Carlos seguiu ligado ao esporte após a aposentadoria. Trabalha nas categorias de base do Bahia com a missão de revelar jovens talentos. Entre os garotos que tentam a sorte no clube, está seu filho Matheus. Desde 2006 Zé Carlos também é supervisor do time do Cruzeiro, de Cruz das Almas (BA), onde trabalha ao lado de Beijoca, João Marcelo, Edinho e Pereira, todos ex-companheiros da épica conquista de 1988. Vitória essa tão cara aos torcedores que se acostumam com a triste idéia de ver o clube seguir na série B em 2009.

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