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Futebol

08/10 - 15:18

Um conto de fadas na Premier League
Inicio de campanha do Hull surpreende, mas só serve para deixá-lo longe do descenso

Trivela.com

LONDRES (Inglaterra) - Para um time que estréia na primeira divisão inglesa, vencer as duas primeiras partidas disputadas em Londres parece algo inalcançável. Ainda mais se um dos jogos é contra o Arsenal. Pois o Hull conseguiu essa façanha em oito dias. Venceu os Gunners de virada no Emirates e, na rodada seguinte, bateu o Tottenham em White Hart Lane. Resultados que colocaram os Tigers na terceira posição da Premier League, algo surpreendente, mas irreal.

É tentador ver no bom início de campanha do time preto e laranja um fenômeno ou, pelo menos, um personagem inesperado para animar a competição. Alimenta o imaginário de que o futebol ainda é palco de grandes surpresas. Em alguns casos, como Porto e Monaco na Liga dos Campeões 2003/4, isso até é verdade. Mas não é o caso do Hull.

Tecnicamente, o time é fraco e não dá indicações de que possa suportar uma temporada inteira nas primeiras posições. Os principais jogadores nestas sete rodadas foram os meias Geovanni e Boateng, o lateral-esquerdo Dawson (responsável por anular Walcott no jogo contra o Arsenal) e o atacante Cousin. Nada fantástico. Aliás, o resto do elenco não é muito diferente do time que teve de usar a repescagem para sair da Segundona na temporada passada.

Isso, na verdade, apenas valoriza o trabalho do técnico Phil Brown. Sem recursos em mãos, ele pinçou jogadores acessíveis financeiramente e montou uma equipe muito homogênea e mais segura de si do que o esperado. O bom início de temporada (vitória contra Fulham e empate fora de casa com o Blackburn) serviu para dar confiança à equipe, algo que não foi perdido nem na derrota por 5 a 0 em casa para o Wigan na terceira rodada.

Um dos méritos de Brown é conseguir organizar seu time de acordo com as características do adversário. Assim, o Hull cresce como visitante, quando o oponente tem a obrigação de buscar o resultado e se expõe. Para isso, ele não usa formações exóticas ou emprega estratégias inusitadas. A formação segue no 4-4-2, mas cada jogador adapta sua função de acordo com a necessidade da partida.

A tendência é que, em médio prazo, o time sinta a ausência de grandes jogadores – mesmo em comparação com equipes pequenas da Premier League – e um elenco mais volumoso. Desse modo, o bom início serve apenas para dar mais confiança ao time para suportar toda a temporada e acumular capital para escapar do rebaixamento com alguma tranqüilidade.

Falta um bilionário

Apesar de algumas mudanças na classificação geral da Premier League, dá para dizer que, na média, o Everton de David Moyes foi a quinta força do futebol inglês nos últimos cinco anos. Uma situação que não condiz com o cenário atual, em que os Toffees acumulam tropeços tolos e freqüentam a metade de baixo da tabela.

Bill Kenwright, dono do clube, deixou bem claro: “o Everton precisa de um bilionário, e eu não sou um”. A análise do dirigente é simples, mas correta. Os Toffees se consolidaram como força no futebol inglês com base no trabalho de Moyes, que deu competitividade a elencos econômicos e sem grandes estrelas. A arma era o jogo coletivo.

No entanto, a falta de investimento acaba cobrando seu preço em algum momento. Com equipes médias aumentando seu poder de compra, como Aston Villa, Portsmouth e Manchester City, o Everton perderia espaço. Na temporada passada, a instabilidade dos concorrentes permitiu que o time de Liverpool sobrevivesse na quinta posição. Não é mais o que ocorre agora.

O problema é fazer a torcida e a imprensa entender isso. O Everton é, tradicionalmente, um dos grandes da Inglaterra (até a década de 1990, só tinha menos títulos que o Liverpool). Ver boas campanhas em seqüência já criou a imagem de que os Toffees estão no caminho de voltar a serem uma potência. Um revés como o desta temporada cria uma sensação ruim de que botaram água no chope azul.

A esperança em Goodison Park é que os boatos de que há algum bilionário interessado no clube sejam reais. Considerando que Aston Villa e Manchester City foram atrativos, não há porque ser diferente com o Everton. A base montada por Moyes é boa, mas precisa de investimento para seguir em crescimento.

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