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Futebol

08/10 - 15:18

"Ninguém fala que joguei com infiltração na Série B", diz Diogo
Diogo, hoje no Olympiacos, reafirma torcida pela Portuguesa e rebate as críticas

Trivela.com

ATENAS (Grécia) - Logo que o avião pousou na Grécia, Diogo já pôde sentir a paixão da torcida do Olympiacos. Uma das mais fanáticas da Europa, os torcedores lotaram o aeroporto e o atacante, ex-Portuguesa, desceu da aeronave direto para um carro. Nos primeiros jogos com a camisa vermelha e branca do clube grego, correspondeu e tem marcado muitos gols.

Há poucos meses em território grego, Diogo concedeu uma entrevista exclusiva e desabafou sobre os críticos de sua saída da Portuguesa. Mostrou-se triste com algumas pessoas, mas reafirmou sua paixão pelo clube.

Como tem sido a adaptação na Grécia?
O começo tem sido muito bom aqui na Grécia. A adaptação está ótima, a alimentação está bem tranqüila também, o maior problema é a língua mesmo. O estilo de vida é bem parecido ao brasileiro. Os gregos, pelo menos por enquanto, me parecem bem alegres, bem parecidos com nós.

Você chegou com status de ídolo e foi muito festejado pelos torcedores. Como você viu essa recepção?
Foi muito legal, bem diferente. Eu nem desci no aeroporto, me pegaram ainda no avião, eu e meus familiares, colocaram a gente em um carro e nos levaram. Tinha muita gente me esperando no aeroporto, eu realmente não esperava isso. Estou sendo muito bem tratado aqui e sei que ainda tenho todo um caminho pela frente.

Taticamente tem sido muito diferente para você?
O futebol aqui é bem diferente, os jogadores são muito disciplinados taticamente. No Brasil eu não tinha tanta responsabilidade de marcar, tinha mais liberdade para voltar e buscar o jogo. Aqui ou atuo mais fico, como um centroavante, ou então como segundo atacante, quase um meia. Estou gostando de jogar assim. Jogando no Brasil, sempre crescemos tecnicamente, mas aqui também estou evoluindo taticamente. O europeu é melhor taticamente, enquanto o brasileiro é melhor tecnicamente. Tenho feito gols aqui que não fazia na Portuguesa, fico mais na frente, guardo a posição.

O Olympiacos está no grupo B da Copa Uefa, com Benfica, Hertha, Galatasaray e Metalist). O que você espera?
O grupo é muito difícil, mas nosso time é bom o suficiente para conquistarmos a classificação. Foi um acidente não irmos para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Eu cheguei no dia do jogo contra o Anorthosis (que eliminou o Olympiacos na fase preliminar da LC), e o pessoal aplaudiu o time. Gostei muito dessa atitude da torcida.

Quais são as expectativas do clube para a temporada?
O Olympiacos tem uma estrutura muito boa. Todos brasileiros que passam por aqui falam muito bem do clube. Talvez nem todos conheçam, mas o Olympiacos é um time grande aqui da Grécia, assim buscamos sempre as vitórias e os títulos.

Os brasileiros do Olympiacos têm te ajudado?
Sim, são pessoas muito legais. O Dudu Cearense chegou junto comigo, mas tem muita experiência aqui na Europa já. O Leonardo eu conheço dos tempos da Portuguesa e também tem me ajudado muito. A verdade é que cheguei no momento certo, dei muita sorte.

Já pensa em uma transferência para um clube maior ou mesmo no retorno ao Brasil?
Aqui muitas pessoas ficam em dúvida quanto à contratação de jogadores brasileiros, que se transferem para cá e rapidamente querem voltar para o Brasil. Eu não penso assim, tenho como meta fazer meu nome na Europa, quero ficar um bom tempo aqui. Claro que pretendo voltar ao Brasil um dia, mas não penso nisso agora.

Já pensa em Seleção Brasileira ou ainda é muito cedo para isso?
Acho que tenho que continuar fazendo o meu trabalho. Se pintar uma oportunidade, como tive na Pré-Olímpica, quero aproveitar.

Acha que essa contusão te atrapalhou muito neste ano?
Claro que atrapalhou, mas acredito que tudo na vida não acontece por acaso. Isso podia acontecer com qualquer pessoa.

Você estreou pela Portuguesa no rebaixamento do Campeonato Paulista de 2006. Como foi isso?
Quando comecei o time já estava quase rebaixado e ainda tivemos uma buxa no último jogo que foi o Santos, brigando para se classificar. Foi muito triste cair com o time, porque desde criança nunca tinha visto a Portuguesa e foi cair comigo no time. Já 2007 foi maravilhoso para todos, fez a Portuguesa ressurgir, um clube que tem muita tradição. Acredito que esse ano é de renovação, porque o time ficou muito tempo na Série B. Tomara que não caia.

Sobre o Vagner Benazzi, o que você tem a falar sobre ele?
Foi um dos maiores treinadores que já passou pela Portuguesa. O clube estava quase caindo para a terceira divisão e levou de volta para o topo. Para mim também ele foi muito importante, me deu liberdade para jogar, cobrou quando tinha que cobrar. Às vezes o jogador fica bravo quando sofre uma cobrança, mas tem que entender que é para seu bem. Na verdade, 2007 foi realmente a minha primeira temporada como profissional e trabalhei com o Benazzi.

Você teve uma saída conturbada da Portuguesa, com a diretoria, inclusive, divulgando uma nota de que você pediu afastamento por causa de problemas psicológicos. O que aconteceu?
Fiquei muito chateado por tudo que falaram. Em um jogo contra o Goiás, eu conversei com o professor Espinosa e falei para ele ficar tranqüilo se quisesse me tirar do time, porque sabia que não estava rendendo tudo que podia. A Portuguesa já estava negociando com o Olympiacos. O Espinosa disse que no banco não iria me aproveitar e perguntou o que eu queria fazer então. Eu já estava sendo negociado com o Olympiacos, então disse que ia cuidar da minha vida. Eu não ia ajudar em nada o time e ainda seria injusto com um companheiro que estava treinando e merecendo um lugar no time. Lamento a atitude de alguns diretores. Na imprensa também saíram coisas erradas e fiquei muito chateado com isso. Mas nessas horas ninguém fala que na Série B eu joguei com infiltração, tornozelo torcido, com o braço fraturado... não tenho raiva alguma, porque sempre joguei com muita vontade pela Portuguesa. Foi o time que me projetou no futebol e devo tudo a ele.

Você sempre foi torcedor da Portuguesa?
Não tem como não ser. Estava desde novinho na Portuguesa e meu avô também era torcedor da Lusa.

Você acha que se tivesse deixado o clube logo após o acesso na Série B teria sido melhor para você?
Não sei dizer se seria melhor, acho que não dá para saber.

Continua acompanhando a Lusa aí na Grécia?
Sim, acompanho pela Internet. Vi o jogo contra o Botafogo, que a Lusa ganhou, a derrota para o Vitória. Se analisarmos bem, não há um time tão melhor que o outro no Campeonato Brasileiro. Se a Portuguesa ganhar uns três jogos seguidos, sai tranqüilamente da briga contra o rebaixamento.

O que aconteceu de errado este ano para o clube se encontrar nessa situação? Faltou um melhor planejamento?
É difícil falar o que deu errado, porque a condição financeira não é tão boa. Mesmo assim o presidente tentou fazer contratações, mas o time não foi bem. É engraçado, porque em 2006 o time era bom, com grandes nomes, como o Leandro Amaral, e caiu. Já em 2007, sem jogadores conhecidos, subimos.


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AP

Garoto prodígio
Atacante Diogo chegou ao Olympiacos e em pouco tempo já conquistou a torcida grega

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