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Futebol

02/10 - 23:53

Sem astros, Wagner Ribeiro recebe oferta de atletas até na GV

"É melhor para eu negociar. Se fosse ministro, estenderia a idade para jogador deixar o Brasil de 18 para 23 anos. Mas não sou hipócrita", disse o empresário

Gazeta Esportiva

Na semana passada, Robinho comunicou a Wagner Ribeiro que teve a mesma decisão de Kaká há três anos: abdicou dos serviços do procurador para tocar a carreira somente com a ajuda do pai.

Mais maduro depois do fim do relacionamento com o meia do Milan, o agente não sentiu a mesma tristeza com o ex-santista. E comprovou nesta quinta-feira na Fundação Getúlio Vargas que sua fama continua rendendo frutos.

Convidado para ser um dos principais palestrantes na “Semana do Esporte Empreendedor”, evento que discutiu a profissionalização do esporte, o empresário foi recebido na faculdade em que seus filhos estudaram como uma celebridade no negócio de jogadores. Tanto que até recebeu convite por um novo cliente.

Ao fim de sua palestra, em meio a abraços e apertos de mãos de alunos que garantiam conhecer os Ribeiros que passaram pela GV e de ex-professores dos herdeiros, Wagner foi abordado por uma garota, sucinta em sua intenção: “Você falou que vende seu peixe, e eu comprei. Tenho um irmão que joga futebol e quero um contato do senhor para ser agente dele”.

Feliz com tantos afagos, o procurador abriu um sorriso e foi solícito com a “fã”. “Pode ir falar com o Júnior, que é meu primo”, apontou para um rapaz que esteve sentado na platéia. “Ele é que cuida dos jogadores de categorias de base para mim com mais de 15 pessoas. Se o seu irmão for bom mesmo, com certeza quero ser agente dele”.

A cena que encerrou a participação de Wagner Ribeiro no evento foi resultado do “bate-papo” que teve à frente de espectadores ávidos por repetir seu caminho no futebol. Chamado por um amigo de seu filho, apresentou-se assumindo o nervosismo. Recebeu aplausos, viu caras negativas ao revelar-se são-paulino e ouviu cochichos e alguns risos quando falou que havia “picaretas” em sua profissão.

Alvo de perguntas sobre sua carreira, Wagner defendeu a procuração de atletas, função que considera ser discriminada pela sociedade. “Falam que nós roubamos os jogadores. É um absurdo!”, protestou, explicando que, para ser agente, é preciso pagar R$ 1 mil de inscrição em uma prova a cada dois anos na CBF com questionamento sobre a legislação esportiva – fato que espantou a todos.

Depois do impacto, deu espaço para falar sobre o que chama de “diversão” em seu dia-dia, começando por seu pontapé inicial. Contou que, para ajudar um amigo que queria ser prefeito em Jaú, juntou 20 amigos que depositaram R$ 28 mil cada um no XV de Jaú. A eleição foi perdida, e a tentativa de reaver o investimento foi selecionar três jogadores para agenciar. Um deles era França, que se tornou o primeiro fruto de seu trabalho ao ser vendido pelo São Paulo ao Bayer Leverkusen por US$ 7 milhões em 2002.

Com o público conquistado, o empresário se sentiu livre para ser sincero em diversos assuntos. Relembrou voluntariamente do pedido para que Emerson Leão desse mais chances a Ilsinho no Palmeiras em 2006 – ignorado, levou o lateral-direito ao São Paulo, que o vendeu por US$ 14,5 milhões ao Shakhtar Donetsk um ano depois.

Completamente à vontade, admitiu os benefícios que a Lei Pelé lhe traz. “É melhor para eu negociar. Se fosse ministro, estenderia a idade para jogador deixar o Brasil de 18 para 23 anos. Mas não sou hipócrita, admito que para mim é mais fácil assim, até porque se o jogador estoura aos 18 pode se machucar depois, não render...”, argumentou, já com uma defesa na manga. “A Lei Pelé é boa só para o jogador. Só acho que todo jogador deveria ter um empresário. Se ele ou o pai forem negociar, são tidos como mercenários”.

Ao divulgar sua opinião, Ribeiro lembrou de um dos piores episódios de sua carreira: perder Kaká. Em 2003, comprou briga com o São Paulo e o levou para o Milan. “Foi coisa de cinema”, apontou, recordando que dois anos depois sofreu com “ingratidão”. “O pai do Kaká disse que não ia renovar a procuração comigo, ia morar em Milão para cuidar da carreira do filho. Não fez nada de errado, mas fiquei deprimido, queria parar com tudo porque o Kaká era um filho para mim... Mas nem falo disso porque me faz mal”, interrompeu-se, visivelmente perto das lágrimas.

Recuperado emocionalmente, criticou a estrutura do futebol brasileiro, com exemplos sem citar nomes de grandes clubes de São Paulo que “fecham as portas na Europa ao vender um jogador por muito dinheiro e seis meses depois pedir seu empréstimo de graça”. “Ser honesto é obrigação e isso é valorizado na Europa. Às vezes, nem tem nada no papel, mas eu cumpro a minha palavra. Já aqui no Brasil nós só temos o melhor produto do mundo, que são os jogadores”, protestou.

Mesmo com um cenário “sem estrutura”, Wagner sabe: é muito bem tratado no país. “Nunca comprei uma passagem de primeira classe do meu dinheiro. São os clubes que pagam para me agradar, eles precisam vender. Me ligam falando: ‘pelo amor de Deus, vende tal jogador’. E o jogador ficar é ruim para o próprio jogador, o clube e o empresário. Só é bom para a torcida”, discursou.

Olhado com admiração pela maioria, Wagner Ribeiro encerrou sua palestra com a constatação que já havia adiantado logo em suas primeiras palavras. “Vim de família simples, cheguei em São Paulo sem dinheiro para pegar um ônibus. Mas fui crescendo aos poucos. Queria ser jogador de futebol, não deu certo, mas me mantive no esporte por hobby, por acaso, e hoje já rodei o mundo inteiro, sou reconhecido nas ruas. Às vezes eu penso: será que mereço tudo isso?”.


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