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Futebol

02/10 - 22:22

Rompido com Robinho, empresário foi até enganado por Schuster
O negócio que selou o fim da relação profissional entre Robinho e Wagner foi recheado de episódios cômicos e desencontros

Gazeta Esportiva

SÃO PAULO - Responsabilizado pela criticada saída de Robinho do Real Madrid para o Manchester City e pelo fracasso na negociação com o Chelsea, Wagner Ribeiro foi surpreendido na semana passada quando o jogador anunciou que rompeu relações com o empresário, preferindo administrar sua carreira sozinho. E se calou. Até esta quinta-feira.

Em palestra na “Semana do Esporte Empreendedor”, na Fundação Getúlio Vargas, o procurador não se conteve. Em meio às perguntas dos alunos sobre sua profissão, avisou: “Se alguém quiser, conto a ‘novela’ do Robinho”. E desabafou.

“Com o Chelsea, receberia minha comissão sozinho. Com o Manchester City dividi com a empresa de um amigo e só vou receber metade do que tenho direito. Vou provar isso quando declarar meus impostos”, prometeu diante dos estudantes, contando que até fez plantão no aeroporto para levar a liberação do Real para o Chelsea.

Na saída da palestra, ainda completou à GE.Net: “O Robinho simplesmente quis tocar a carreira sem mim e aceitei. Meu contrato para ser procurador dele já tinha vencido há dois anos, continuei porque tenho meus jogadores como filhos”, explicou o responsável por agenciar a revelação santista desde o fim de 2002, quando venceu um imbróglio com o antigo procurador do craque.

O negócio que selou o fim da relação profissional entre Robinho e Wagner foi recheado de episódios cômicos e desencontros. Entre eles, o empresário diz ter sido enganado pelo técnico Bernd Schuster, que não queria perder seu camisa 10 e forneceu o endereço errado de sua casa para fugir da conversa com o procurador e o atleta dois dias antes da venda ao City.

“O presidente do Real só liberaria se o Schuster deixasse. O Robinho conseguiu o telefone do Schuster e pediu o endereço. Chegamos no lugar, batemos na porta e um homem bem grosso disse que não tinha ninguém chamado Schuster.

O Robinho ligou, o Schuster falou que o endereço era aquele mesmo e irritamos ainda mais o homem insistindo. Ligamos então para um assessor do Real e ele nos deu um endereço completamente diferente. E o Schuster desligou o celular. Aquilo ‘subiu’ na gente. O Robinho foi dirigindo xingando o Schuster de todos os nomes”, contou Ribeiro.

Admitindo-se nervoso à frente de estudantes com camisas de clubes brasileiros, o empresário queria deixar sua versão de que tudo começou com uma tentativa de prorrogação de contrato, em 10 de maio.

Crente de que seu então cliente deveria ser eleito o melhor do mundo, queria um aumento para o atacante – “e não ganho comissão por salário”, garantiu. E usou uma brecha no estatuto da Fifa para argumentar com os espanhóis: o artigo 17, que libera o jogador após três anos de clube se for pago o valor dos salários restantes até o final do contrato, que venceria em 2010.

“O Robinho era um dos menores salários do Real. Ganhava três vezes menos que o Salgado, quatro vezes menos que o Casillas, menos que o Júlio Baptista e todos que contrataram depois, que ganhavam o dobro. Isso sem falar no Raúl”, reclamou Ribeiro, que alega ter prorrogado sua estadia na Espanha para fazer seu jogador “ganhar o que merece”.

“Procurei o Pedja (Mijatovic, diretor-esportivo do Real). Ouvi que o Schuster gosta muito dele, o Real queria que ele ficasse, mas só iam falar comigo depois porque ia assistir à final da Champions na Rússia. Voltei a procurá-lo no dia 27 de maio e ele me mandou ligar de novo em julho. Ou seja, me empurrou com a barriga”, acusou.

Em meio ao imbróglio, apareceu Luiz Felipe Scolari e o Chelsea. Apesar de o técnico já ter negado esta ligação, Wagner frisa que procurou o pentacampeão e ouviu a pergunta: “Você consegue tirar o Robinho do Real?”. A resposta foi que isso só seria possível se o jogador declarasse que queria deixar o time madrilenho, pois o “orgulho do Real não admitiria isso”.

As negociações começaram com o chefe-executivo do Chelsea, Peter Kenyon, disposto a pagar até 35 milhões de euros e que seduziu o ex-santista com uma camisa do Chelsea com o nome Robinho à espera do número 7, vago com a saída de Schevchenko. Era o suficiente para o craque se convencer a trocar de clube.

“Fizemos uma estratégia, blindamos o Robinho. Queria que ele ficasse no Real. Ele me falou que queria sair, mas não deixava ele dar entrevistas porque se queimaria. Consegui um salário do nível do Raúl para ele e avisei: ‘mais um pouco chego no que o Chelsea está oferecendo’”, relatou Ribeiro, garantindo que os Blues prometiam vencimentos “astronômicos”.

Com a insistente recusa do Real, a alternativa era a imprensa local. Wagner montou uma entrevista na casa do atacante, que dizia querer sair. Não deu certo. “No dia seguinte, ele foi titular na final da Supercopa da Espanha. Não entendi: o marido traído ainda quer ficar com a mulher?!”, espantou-se o empresário, que organizou na véspera da venda e no dia seguinte ao “desencontro” na casa de Schuster uma entrevista coletiva em que diz ter feito um trato com os repórteres: perguntas que gerassem críticas ao técnico.

“No dia, o Robinho acordou dizendo que não ia, mas o convenci de que ele não tinha mais ambiente. Chegamos ao hotel da coletiva escoltados por seguranças, porque eram 500 pessoas dentro e 3 mil torcedores fora. Talvez não batessem no Robinho, mas em mim sim. Tive que usar um ‘bonezinho’ para me esconder”, sorriu.

“Na entrevista, o Robinho disse que preferia vender pastel na feira a ficar no Real. O presidente divulgou nota dizendo que só liberaria se pagassem a multa rescisória de 150 milhões de euros. E o Real ainda perdeu o jogo em La Coruña à noite. Sabia que ia ficar complicado”, continuou Ribeiro.

Na data limite para tirar seu jogador do Bernabéu, o empresário ficou no ao lado do atacante no aeroporto com viagem marcada para Londres, à espera do “sim” ao Chelsea. Foi surpreendido com uma ligação de Pedja Mijatovic pedindo a presença de ambos no clube. Após certificar-se de que o negócio poderia ser fechado via fax, seguiu as ordens do dirigente. E ficou ainda mais surpreso com o que ouviu.

“O Pedja falou: ‘se você aceita até vender pastel na feira, nós temos uma proposta mais interessante para nós do Manchester City’. Falei para o Robinho recusar, mas ele aceitou. Decidi então que teria que ser por um salário maior que o do Chelsea e ele foi ganhando 15% acima. O Chelsea chegou a oferecer 42 milhões de euros em cima da hora, mas o Real não queria nem ouvir porque teve o orgulho ferido com a venda antecipada da camisa do Robinho no site do Chelsea”, lamentou.

Com o desfecho imprevisto, o agente seguiu como procurador de Robinho por pouco mais de um mês. Um fim de relacionamento surpreendente para Wagner Ribeiro, que preferiu se esconder. Até se deparar diante de estudantes ávidos pelo esclarecimento.

“Procurei não atender a imprensa. Quando se fala com emoção, acaba se falando besteira. Mas minha mãe só lê e assiste esportes por minha causa e me liga chorando quando vê alguém falando mal de mim”, justificou, aplaudido com o fim de seu “bate-papo” por falta de tempo na organização do evento.


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