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Futebol

27/09 - 19:35

Trauma pós-Libertadores
LDU baixa a guarda após título e não consegue mais levantar

Trivela.com

QUITO (Equador) - Javier García; Julio Barroso, Juan Daniel Forlín, Ezequiel Muñoz e Carlos Fondacaro; Álvaro González, Cristian Chávez, Néri Cardozo (Damián Díaz) e Leandro Gracián; Jonathan Philippe (Ricardo Noir) e Pablo Mouche (Osvaldo Gaitán). Nem parece, mas foi essa a escalação do Boca Juniors na partida contra a LDU Quito na Copa Sul-Americana. Quase todos reservas, tanto que nem a torcida botou muita fé (apenas 15 mil xeneizes foram à Bombonera). Ainda assim, os argentinos golearam os atuais campeões da Libertadores por 4 a 0.

Esse resultado contundente expôs definitivamente como está a Liga de Quito desde que o time conquistou a América. Em uma situação parecida com a do Fluminense, o outro finalista da Libertadores, os blancos perderam a concentração e não conseguem mais encontrá-la. O padrão de jogo sumiu e a confiança para encarar as potências continentais se esvaiu.

A queda no mês seguinte ao título seria compreensível. O time de Edgardo Bauza usou reservas no final da primeira etapa e no início da segunda no Campeonato Equatoriano. Além disso, ficou sem Joffre Guerrón, o jogador cuja explosão física e capacidade técnica servia de locomotiva para puxar todo o time.

No entanto, o embalo da festa já passou e o time voltou à realidade de jogos do Campeonato Equatoriano e Copa Sul-Americana. Além disso, já houve tempo para criar um novo sistema de jogo, que prescinda de Guerrón, hoje no Getafe. E nem assim o futebol da LDU voltou ao normal.

O problema inicial é que a desconcentração foi muito além das comemorações pelo título. O nome de jogadores como Bolaños, Urrutia, Manso e Ambossi passaram a pipocar em várias especulações de mercado (algumas, inclusive, envolvendo clubes brasileiros). No Brasil, é relativamente normal conviver com isso, mas é raro um clube equatoriano ter tantos jogadores desejados ao mesmo tempo.

O elenco e o clube não têm sabido lidar com isso. A cabeça do elenco parece longe da Casa Blanca, algo fatal para um time que depende muito do conjunto e de padrão tático. Sem isso, a LDU é uma equipe limitada, que tem alguns bons jogadores – e muitos limitadíssimos – como tantas outras nos países de segundo nível da América do Sul. O que ficou provado pela campanha irregular na segunda etapa do Equatoriano, em que a LDU tem tido dificuldades em competir com Macará, Técnico Universitario e Universidad Católica no Grupo B.

Nem a presença no Mundial de Clubes parece ser suficiente para motivar a recuperação da concentração e volta do futebol competitivo. Isso ficou evidente no confronto com o Boca Juniors. independentemente da importância da Copa Sul-Americana, era a oportunidade para a Liga de Quito revalidar sua condição de força continental, mais ou menos como o São Paulo fez diante do mesmo adversário no ano passado.

Do jeito em que está, a LDU dependerá de um sorteio favorável para afastar o Pachuca do caminho e manter o tabu de sempre haver um sul-americano na decisão do Mundial de Clubes. Ainda assim, não seria nada surpreendente se o time equatoriano se enrolasse com o campeão asiático ou o africano.

Botafogo contra si próprio

Na rodada de ida das oitavas-de-final, o Botafogo foi o único clube brasileiro a usar seu time titular. Decisão natural de um clube que precisa apagar o trauma da eliminação de 2007, quando tomou em 15 minutos três gols de um River Plate com 9 jogadores. Foi a Cáli enfrentar o América e... mostrou que precisa ainda melhorar psicologicamente.

Sem apresentar um bom futebol, perdeu por 1 a 0. Resultado normal e perfeitamente reversível no Engenhão, mas que poderia ser evitado considerando a situação instável do clube colombiano.

O elenco escarlata reclama do atraso no pagamento de salários e “bichos” da classificação na primeira fase da Sul-Americana e na vitória do Clásico del Valle no Finalización, ambas contra o rival Deportivo Cali. O clube teria se comprometido a pagar, nesta semana, os COL$ 78 milhões (US$ 36 mil) das premiações, mas não cumpriu a promessa.

Alguns jogadores consideraram a hipótese de nem viajar ao Brasil para o jogo de volta. Assim, o América entraria em campo com reservas e jogadores das categorias de base. A idéia de greve foi deixada temporariamente de lado, mas evidenciam a falta de concentração que envolve todo o time.

O Botafogo precisa explorar isso. O clube está em situação confortável no Brasileirão e pode se impor diante dos colombianos. Para isso, precisa ter volume de jogo, não temer o adversário, ter convicção da vitória e exigir o máximo do América. Com superioridade técnica e diante de um oponente em crise, não é difícil vencer em casa. Basta não se dominar pelos traumas em decisões.

México: Tabus em risco

Ainda que não tenha Chivas x América, “O” clássico do México, a rodada deste fim-de-semana tem bons motivos para agitar o país. As duas maiores cidades mexicanas terão dérbis locais em que os favoritos podem quebrar tabus.

O duelo mais interessante é o dérbi capitalino entre Cruz Azul e América. A Máquina Cementera venceu o último confronto, em julho, mas era um amistoso em Los Angeles. O que não atenua um fato: não supera o rival em jogos oficiais desde maio de 2003, ou 12 encontros.

A chance de essa marca cair é razoável. O Cruz Azul vive um momento muito mais tranqüilo, com um futebol competitivo e apenas uma derrota. A caminhada rumo à Liguilla parece tranqüila. Só há dois problemas: o desgaste de ter enfrentado o Saprissa pela Concachampions no meio de semana e o excesso de desfalques (Yosgart Gutiérrez, Huiqui, Edgar Andrade e Alejandro Vela).

Os americanistas podem usar isso como ponto de partida para manter o tabu e, mais que isso, reagir no campeonato. Últimas colocadas do grupo 2, as Águilas ainda não conseguiram superar a crise técnica que tomou conta de Coapa desde o início do ano. Ramón Díaz não conseguiu dar um padrão de jogo ao time e sua situação no comando da equipe já é contestada por torcedores e imprensa.

Em Guadalajara, é o Atlas quem tem a missão de acabar com o jejum contra o rival local. No caso, de dois anos. Os Zorros carregam ligeiro favoritismo por estarem em melhor momento e entrarem em campo com a mesma formação (sem desfalques) pela terceira rodada seguida. Além disso, contam com a boa fase dos atacantes Bogado e Botinelli.

O argentino, aliás, causou algum desconforto ao dizer, durante a semana, que as Chivas estão mortas pela má campanha no Apertura. A declaração foi usada (óbvio) como fator de motivação para o Chiverío, que venceu os Jaguares de Chiapas no fim-de-semana passado, mas continuam sem convencer sua torcida. O empate caseiro com o mistão do Atlético-PR na Copa Sul-Americana só alimentou as dúvidas despertadas pelo Rebaño.

SELEÇÃO DA RODADA

Veja a seleção da 9ª rodada do Apertura mexicano do site Medio Tiempo: Adrián Martinez (San Luis); Omar Monjaraz (San Luis), Michael Orozco (San Luis), Héctor Reynoso (Chivas de Guadalajara) e Jaime Durán (Morelia); Hugo Droguett (Morelia), Gerardo Torrado (Cruz Azul), Eduardo Coudet (San Luis) e Christian Bermúdez (Atlante); Vicente Vuoso (Santos Laguna) e Ariel Bogado (Atlas). Técnico: Luis Fernando Tena (Morelia).

Saldo: 800 cadeiras destruídas

O clássico bogotano entre Independiente Santa Fe e Millonarios poderia ser tratado nesta coluna pela vitória por 1 a 0 dos cardenales. Um resultado que deixou o Expreso Rojo na vice-liderança do Finalización, um ponto atrás do Tolima. No entanto, a partida será lembrada por mais um caso de briga de torcidas na Colômbia.

A protagonista foi a Guardia Albiroja. A barra brava do Santa Fe destruiu mais de 800 assentos na tribunal sul do estádio El Campín. Houve alegações de que seria demonstração de revolta pela morte de um torcedor fora do estádio (oficialmente, foi vítima de ataque cardíaco, mas o grupo afirma que ele morreu após ser agredido por policiais), mas alguns membros da barra admitiu que já estava combinado que haveria o quebra-quebra.

O Millonarios, que era o mandante, foi obrigado a pagar cerca de US$ 20 mil pela substituição de cadeiras à prefeitura de Bogotá. A diretoria alvirrubra se comprometeu a ajudar o rival financeiramente e decidiu entrar em atrito com os torcedores.

Na partida contra o Independiente Medellín, o clube capitalino não abrirá a tribuna sul, tampouco destinará ingressos às barras bravas indefinidamente. Além disso, o preço do ingresso foi aumentado para compensar o prejuízo. Só haverá mudança de atitude quando os torcedores se comprometerem a pagar pelos 800 assentos destruídos.

A prefeitura de Bogotá e a Dimayor (liga de clubes) também dizem que darão punições mais severas aos torcedores vândalos ou violentos. Um deputado federal já havia proposto, após uma briga entre barras bravas de Santa Fe e América de Cali que causou uma morte, que fosse proibido andar nas ruas com camisas de clubes de futebol nos dias de jogos. Apenas nos estádios os torcedores poderiam mostrar as cores de suas equipes.

Bolivianos reclamam de preconceito

Um jogo aparentemente inocente do Campeonato Argentino teve reflexos maiores que o esperado na Bolívia. Após o empate entre por 1 a 1 entre Gimnasia Jujuy e Argentinos Juniors, o árbitro Saúl Laverni foi acusado de xingar os jujeños de “bolivianos”. O presidente do Lobito, Raúl Ulloa, disse que levaria um protesto na AFA (federação argentina).

A notícia não foi bem-recebida também na Bolívia. Alberto Lozada, gerente da FBF (federação boliviana) disse que exigirá à AFA uma punição a Laverni, além de um desagravo aos bolivianos pelo ato de discriminação e racismo. O ex-meia Ramiro Castillo, que defendeu Insituto de Córdoba, River Plate, Rosario Central e Platense esquentou o debate ao dizer que, no futebol argentino, é comum usar os bolivianos para xingar o adversário.

O vice-chanceler da Bolívia, Hugo Fernández, também reclamou do uso do termo “boliviano” como xingamento, mas não quis levar para a política algo que ele considera que deve ser resolvida dentro das instituições esportivas.

Na realidade, o caso apenas reflete uma situação comum na Argentina. O termo “boliviano” é usado em Buenos Aires com conotação parecida à de “baiano” em São Paulo ou “paraíba” no Rio de Janeiro. Como boa parte da população pobre da Argentina tem origem indígena, faz-se associação com os bolivianos. O fato de a província de Jujuy fazer fronteira com a Bolívia contribui para alimentar o lamentável caso de preconceito.

Convocações

Foram divulgadas algumas listas de convocados para as próximas rodadas das eliminatórias sul-americanas para a Copa 2010. Confira:

BOLÍVIA

Goleiros: Carlos Arias (Bolívar) e Hugo Suárez (Real Potosí); defensores: Miguel Hoyos (Oriente Petrolero), Ignácio García (Bolívar), Luis Gutiérrez (Oriente Petrolero), Limbert Méndez (Jorge Wilstermann), Enrique Parada (San José), Ronald Raldes (Al-Hilal/FFF), Abdón Reyes (Bolívar), Luis Gatty Ribeiro (Real Potosí) e Ronald Rivero (Universitario); meio-campistas: Jaime Cardozo (The Strongest), Pablo Escobar (Ipatinga/BRA), Walter Flores (The Strongest), Ronald García (Aris/GRE), Alejandro Gómez (Blooming), Daner Pachi (Bolívar), Darwin Peña (San José), Jaime Robles (Universitario), Didi Torrico (La Paz), Mauricio Saucedo (San José) e Joselito Vaca (Blooming); atacantes: Joaquín Botero (Bolívar), Diego Cabrera (Cúcuta/COL) e Marcelo Moreno (Shakhtar Donetsk/UCR)

EQUADOR

Goleiros: José Francisco Cevallos (LDU Quito), Marcelo Elizaga (Emelec) e Máximo Banguera (Espoli); defensores: Omar de Jesús (Barcelona), Carlos Castro (Barcelona), Jorge Guagua (Barcelona), Néicer Reasco (LDU Quito), Paul Ambrossi (LDU Quito), Isaac Mina (Deportivo Quito), Iván Hurtado (Millonarios/COL) e Giovanny Espinoza (Cruzeiro/BRA); meio-campistas: Patricio Urrutia (LDU Quito), Segundo Castillo (Estrela Vermelha/SER), Luis Bolaños (LDU Quito), Edison Méndez (PSV/HOL), Walter Ayoví (El Nacional), José Luis Cortez (Deportivo Quito) e Fernando Hidalgo (Barcelona); atacantes: Cristian Benítez (Santos Laguna/MEX), Carlos Tenorio (Al Sadd/CAT), Felipe Caicedo (Manchester City/ING), Joffre Guerrón (Getafe/ESP) e Pablo Palacios (Barcelona).

PERU

Goleiros: Leao Butrón (San Martín) e Raúl Fernández (Universitario); defensores: Orlando Contreras (San Martín), Amilton Prado (Sporting Cristal), Guillermo Ramos (Sporting Cristal), Alberto Rodríguez (Braga/POR), Guillermo Salas (San Martín), Juan Vargas (Fiorentina/ITA), Walter Vílchez (Puebla/MEX) e Carlos Zambrano (Schalke 04/ALE); meio-campistas: Marko Ciurlizza (Alianza Lima), Rinaldo Cruzado (Sporting Cristal), Paolo de la Haza (Chernomorets/UCR), Juan La Rosa (Alianza Lima), Juan Marino (Cienciano), Henry Quinteros (Alianza Lima), Ronald Quinteros (San Martín), Daniel Sánchez (Sporting Cristal), Nolberto Solano (Larisa/GRE) e Rainer Torres (Universitario); atacantes: Wilmer Aguirre (Alianza Lima), Daniel Chávez (Brugge/BEL), Johan Fano (Once Caldas/COL), Roberto Guizasola (Cienciano) e Hernán Regifo (Lech Poznan/POL).

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