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Futebol

25/09 - 17:42

Rubin Kazan está lapidando o primeiro título na Rússia
Clube de origem quase secreta tem ascensão fantástica no Campeonato Russo e pode pintar na Liga dos Campeões

Trivela.com

MOSCOU (Rússia) - Os gols de Pavlyuchenko, Torbinski e Arshavin, que derrotaram a então favorita Holanda nas quartas-de-final da Euro, surpreenderam a todos. Após anos de ostracismo, o futebol russo estava de volta ao primeiro nível mundial com uma nova geração de jogadores, representada pelos três artilheiros daquela noite da Basiléia.

Curiosamente, cada um deles é oriundo de diferentes dos mais importantes clubes do país: Pavlyuchenko do Spartak Moscou, o maior vencedor da Premier League; Torbinski do Lokomotiv, também de Moscou, principal rival do Spartak; e Arshavin do atual campeão Zenit St. Petesburg, sensação do momento não só na Rússia, mas também na Europa. Existe, entretanto, outro personagem muito próximo de se intrometer nesta história.

A nove rodadas do fim do campeonato, um clube que chegou à primeira divisão há cinco anos tem nove pontos de vantagem para o segundo colocado – o Dynamo de Moscou, outro gigante – e parece muito perto de superar a já incrível proeza do Zenit: se confirmar o favoritismo, o Rubin Kazan, único representante muçulmano no Campeonato Russo após o rebaixamento do Anzhi, será apenas o terceiro time de fora da capital a erguer o caneco e, com isso, estará garantido na fase de grupos da Liga dos Campeões da próxima temporada.

A equipe sediada na capital do Tartaristão, uma das divisões federais da Rússia a algumas centenas de quilômetros ao sul de Moscou, faz uma campanha irrepreensível, que se mantém perfeita desde o início: logo de cara, venceu as sete primeiras partidas da temporada e tornou-se o primeiro clube a alcançar tal feito desde o início da Premier League, em 1992.

Dirigido pelo mesmo técnico desde 2001, o turcomeno Kurban Berdyev (que quando jogador atuou na primeira divisão soviética e, como treinador, já comandou o Gençlerbirligi, da Turquia, e até a seleção do Turcomenistão), o Rubin aposta na energia de seus jovens talentos e na experiência de jogadores como o ucraniano Serghey Rebrov, o russo Sergey Semak, o turco Gokdeniz Karadeniz e o sérvio Savo Milosevic para alcançar o ponto mais alto de sua história exatamente quando completa cinqüenta anos de vida.

Origens
Da mesma forma que vários clubes da ex-União Soviética, o Rubin tem suas raízes em equipes ligadas a indústrias ou setores estratégicos do governo como transporte e energia. Na década de 30, funcionários da Gorbunov, fábrica secreta que fornecia armamento para a aeronáutica russa, montaram um time para disputar o campeonato municipal.

Com o início da guerra fria, os operários alteraram o nome original da equipe para evitar que fossem relacionados com a fábrica em que trabalhavam. Assim, o até então Lenin District Team passou a ser chamado Krylia Sovetov (“asas soviéticas”, nome da atual equipe de Samara que disputa o Russo, mas sem ligação com o Rubin).

Pouco tempo depois, o time foi rebatizado de Iskra, ou “a centelha”, nome do primeiro periódico político marxista, que teve importante papel na criação do Partido Bolchevique. A partir daí, percebe-se o grau de influência político-ideológica por trás de sua sustentação.

E é justamente o ano de 1958, o da mudança de nome para Iskra, que é considerado a data oficial de fundação do Rubin. As cores, entretanto, continuam as mesmas: o vermelho, o verde e o branco vêm da bandeira do Tartaristão. A equipe disputava a “Segunda Liga B”, equivalente à quarta divisão do campeonato soviético, composta quase que totalmente por times ucranianos e da região de Kazan, conhecida como Povolzhye. A estréia foi no dia 20 de abril, em Kherson, sul da Ucrânia: derrota por 4 a 2 para o Spartak local. O primeiro gol do novo clube foi marcado por Igor Ignatov.

Ascensão lenta...
Durante quinze anos, o time foi comandado por Nikolay Sentyabrev, considerado a principal figura do clube até hoje. Em sua época, a equipe passou a brigar pelas primeiras posições da classe B, ao mesmo tempo em que o estádio Tsaentralnyi era inaugurado, em 1960. O surgimento de habilidosos jogadores locais, como o atacante Viktor Teterkin, um dos maiores ídolos da história, coincidiu com a mudança final de nomenclatura.

Buscando afastar-se da ligação com o marxismo, a diretoria decidiu alterar o nome para o atual: Rubin, ou “rubi”, foi escolhido por ser uma palavra mais bonita e sonora do que “Iskra”, e também porque, segundo os dirigentes, a intenção do clube era “lapidar grandes atletas para representar a cidade de Kazan”, além do fato de que a pedra preciosa era da cor vermelha, a mesma utilizada no uniforme.

A idéia aparentemente deu resultado: um ano depois, o vice-campeonato garantiu pela primeira vez na história o acesso à Segunda Liga, ou terceira divisão, formada por clubes de toda a União Soviética e dividida em nove grupos regionalizados. O time conseguiu se manter e ainda revelou bons jogadores como Viktor Kolotov, vice-campeão europeu com o Dínamo de Kiev em 1972 e capitão da seleção soviética na década de 70.

Após a saída de Kolotov para o Dínamo e a aposentadoria de jogadores experientes que participaram do acesso, o Rubin passou a oscilar entre a Primeira e a Segunda Liga (novos nomes dos campeonatos após uma reestruturação), até que se firmou na terceira divisão, de onde só sairia em 1997, com a conquista do acesso inédito. Começava aí uma nova fase na vida do clube rubroverde.

...e consolidação rápida
As temporadas iniciais na segunda divisão foram razoáveis, com duas sétimas colocações. O acesso quase veio em 2000, quando o time terminou em terceiro. Mas foi só Kurban Berdyev assumir o comando em 2001 que o time se transformou. Com uma mentalidade agressiva a despeito de ter jogado como zagueiro, montou um time forte e conquistou o acesso, com direito a título, logo em seu segundo ano.

A estréia na Premier League não poderia ter sido melhor: logo de cara, um terceiro lugar e uma vaga na Copa da Uefa. Em 2005, o quarto lugar rendeu nova participação na competição européia, e aos poucos o time foi adquirindo experiência internacional. Naquele ano, Alexsandr Gusev, vice-presidente do Tartaristão, assumiu a presidência do clube prometendo levar o time a condição de destaque na temporada do jubileu de ouro – exatamente a atual.

Denúncias de envolvimento em assassinatos de caráter político e em esquemas de lavagem de dinheiro à parte, Gusev ficou tão contente com o desempenho da equipe que decidiu nomear o treinador seu vice-presidente. Mesmo que fique manchado, este título parece muito próximo de chegar até Kazan pela primeira vez, coroando uma história com tantos detalhes e tantas faces diferentes quantas possui – exatamente – um rubi.

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