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Futebol

22/09 - 12:15

Kléber dispensa Tricolor para virar Gladiador do Palestra

Atacante deixou o São Paulo acusando os diretores de ameaçarem deixá-lo no juniores, caso não fosse para a Ucrânia

Gazeta Esportiva

SÃO PAULO - Bastaram sete meses, um título paulista e uma boa campanha no Campeonato Brasileiro para que Kléber sentisse no Palmeiras a sensação que lhe acompanhou em toda a carreira: amar o local em que vive.

A insistência em querer ficar no clube faz com que a torcida até esqueça sua origem no arqui-rival São Paulo e grite cada vez com mais intensidade seu nome nas arquibancadas do Palestra Itália.

E até o atacante prefere não lembrar de sua saída do Morumbi.

Em fevereiro de 2008, Kléber empossou a camisa 30 alviverde sob desconfiança. Poucos lembravam de seu futebol, escondido por quatro anos na Ucrânia. Sua passagem como profissional no Tricolor foi rápida. Em 2003, aos 20 anos, se firmou no time comandado por Roberto Rojas que levou os então bicampeões da Libertadores novamente à competição continental depois de dez anos de ausência.

O desempenho o levou para a seleção brasileira sub-20 que levantou o Mundial da categoria há cinco anos, nos Emirados Árabes. Titular em um time que tinha Nilmar, Dagoberto, Daniel Carvalho e Dudu Cearense, Kléber despertou o interesse do Dynamo de Kiev. Ao ver a proposta de US$ 2,2 milhões à frente, os são-paulinos não titubearam em aceitá-la, a contragosto do jogador. Com o dinheiro, o clube montou o elenco campeão mundial em 2005. E o atacante deixou o Morumbi acusando os diretores, que teriam lhe ameaçado com a volta aos juniores caso se recusasse a atuar na Ucrânia.

Bravo, Kléber foi. E se deu bem, mas só dentro de campo. Teve a oportunidade de jogar a Copa dos Campeões e, longe dos olhares brasileiros, levantou seus primeiros títulos interclubes como profissional: foi bicampeão ucraniano (2004 e 2007) e tricampeão da Copa da Ucrânia (2005, 2006 e 2007). Com o mesmo estilo aguerrido que hoje é punido com cartões no Palmeiras e de sobrenome italiano (Giacomance), foi chamado pela torcida local de “Gladiador”, em alusão aos indivíduos que matavam leões e adversários humanos no Império Romano para divertimento do público. Sentia-se tão querido que ainda chama a seleção ucraniana de “nossa”.

O bom ambiente, porém, se limitava aos jogos oficias e as arquibancadas. Nos primeiros meses em Kiev, o atacante sofreu na pele a exigência tricolor por sua ida ao Leste Europeu. Sozinho no país desconhecido, estava tão desacostumado com a neve que chegou a desmaiar tentando limpar seu carro com as mãos. Foi salvo por um desconhecido, mas não pôde agradecer por desconhecer a língua.

“Eles têm um tradutor que pode te ajudar dentro do clube, mas ele não vai estar com você 24 horas”, relembra, sem esquecer da razão por ter aprendido a jogar “mais duro”. “Tive problemas de adaptação com o pessoal, discutia e brigava muito nos treinamentos porque o pessoal batia bastante”.

Mesmo com a saída forçada, Kléber tentou pôr fim ao martírio na Ucrânia propondo um retorno ao São Paulo em janeiro. Ouviu um “não” de alguém que prefere nem citar o nome. Mas ouviu “sim” do Palmeiras e foi emprestado até junho. No reencontro com o antigo clube, fez um golaço na goleada por 4 a 1 em Ribeirão Preto na primeira fase do Paulista e virou manchete com cotovelada em André Dias. Sua fisionomia era de raiva pelo desprezo.

Pouco depois, caiu nas graças do Verdão e prorrogou vínculo até dezembro, sonhando com a permanência definitiva em breve. Para muitos, já é ídolo. E a condição já faz com que o atacante amenize as palavras com o arqui-rival que o revelou.

“Sinto uma gratidão e um carinho enorme pelo São Paulo. Conheço quase todos os funcionários fora de campo. Já a torcida, na hora que ela começou a sentir que eu era um jogador importante, me venderam. Queria ficar, mas tive que sair. Mas hoje estou e muito feliz no Palmeiras”, argumenta.

De origem humilde em Osasco, o jogador tem vestido a camisa alviverde com o mesmo espírito de “matar um leão por dia” da infância. E enumera razões para se sentir mais querido do que no Morumbi.

Segundos depois de atender a todos os pedidos de fotos e autógrafos de um grupo de 20 palmeirenses composto por crianças, adolescentes e adultos na concentração do elenco em Atibaia, Kléber sentou para conversar com a reportagem da Gazeta Esportiva.Net. E contou detalhes de sua mágoa já esquecida pelo São Paulo, a parceria com Alex Mineiro, a vida na Ucrânia e por que os dias que sucederam a primeira derrota em casa no ano se tornaram a pior folga de sua carreira.


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