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Futebol

19/09 - 08:32

Vexame completo dos franceses na rodada de estreia da UCL
Clubes franceses decepcionam em suas estréias na fase de grupos da LC e deixam dúvidas quanto ao seu futuro

Trivela.com

PARIS (FRANÇA) - Três partidas, duas delas em casa, e um saldo de duas derrotas (uma delas por goleada) e apenas um empate arrancado a fórceps. Este foi o balanço da estréia de Lyon, Olympique de Marselha e Bordeaux na fase de grupos da Liga dos Campeões, o que desde já deixa no ar um pensamento pessimista. Em comum às três apresentações, além das falhas defensivas gritantes, há outro aspecto bastante preocupante: a ausência de um espírito de luta. Quando o Lyon se deu conta desta necessidade, obteve a igualdade contra a Fiorentina, mas a demora em uma reação quase o complicou.

Comecemos pelo decepcionante desempenho do Bordeaux diante do Chelsea em Stamford Bridge. Certo, jogar contra os Blues em seu território nunca foi tarefa fácil, mas a passividade demonstrada pelos girondinos facilitou demais a tarefa da equipe inglesa. Com Diego Placente ainda inseguro, o lado direito do Chelsea encontrou a porta para seu sucesso. Joe Cole, Bosingwa e Deco agradeceram pelas falhas na cobertura do defensor, deixado de lado por seus companheiros.

Como se não bastasse este ponto crítico, outro fator foi preponderante para explicar a tranqüilidade dos Blues para chegar à meta de Ramé. A defesa dos Marine et Blanc não sabia como se posicionar direito em lances de bola parada. Os dois gols marcados no primeiro tempo mostram como Lampard e Joe Cole nem precisaram de grandes esforços para se desvencilhar de seus marcadores. A dupla de zaga formada por Diawara e Planus se perdeu nas bolas pelo alto e sofreu com a velocidade do ataque londrino.

Embora Diarra tenha se desdobrado no combate no meio-campo, o Bordeaux praticamente não existiu do ponto de vista ofensivo. O time ameaçou com real perigo apenas uma vez, em falta cobrada por Gourcuff, e só. O caráter inofensivo do time se exacerbou com a cisão em duas partes quase incomunicáveis. A defesa se segurava como podia lá atrás e pouco sobrava para o setor criativo. Chamakh, isolado, quase não apareceu – e isso aconteceria mesmo se o titular do ataque fosse Cavenaghi, mais incisivo do que o marroquino.

No Vélodrome, o Olympique de Marselha tinha tudo para se vingar da doída derrota por 4 a 0 para o Liverpool, na edição passada da LC, que lhe custou a classificação para as oitavas-de-final. Embora tenha aberto o placar, o OM mais uma vez fraquejou ao não se manter concentrado quando deveria. E lá estava Gerrard para marcar um golaço, converter uma cobrança de pênalti (tudo isso em seis minutos) e pilhar três pontos dos marselheses de novo.

Os marselheses até demonstraram saber como parar o Liverpool. No começo da partida, impôs seu ritmo e marcou os Reds em cima, complicando o toque de bola dos rivais. Quando Lorik Cana foi às redes, bateu aquela sensação de ‘puxa, agora estamos em vantagem. E agora, como devo jogar?’. Enquanto pensava, o OM deu liberdade para Gerrard marcar um lindo gol, em falha de M’Bami. Culpa do posicionamento da defesa, que deixou um espaço generoso entre o setor e o meio-campo para os visitantes explorarem sem grandes problemas. Se houvesse uma cobertura razoável, talvez a facilidade encontrada pelos Reds não fosse tão grande.

Pouco depois, Zubar cometeu pênalti sobre Babel e Gerrard virou. Na hora de demonstrar sua força, o OM fez água. Mesmo com três jogadores bons no desarme pelo meio, de nada adiantava recuperar a bola se Ben Arfa, Ziani e Valbuena a perdiam pouco mais à frente, ou então a isolavam em chutes sem direção. Faltou um pouco mais de confiança aos homens de Eric Gerets.

Recuperação lionesa

Em 2006/07, o Lyon começou sua campanha na LC de forma vexatória. A equipe perdeu de 3 a 0 para Barcelona e Rangers (este, em pleno Gerland) com um futebol bem fraco. Contra a Fiorentina, a torcida do OL parecia presenciar um déjà vu. Os heptacampeões vinham de uma difícil vitória contra o Nice, pela Ligue 1, e se protegiam sob seu escudo de defesa sólida. Gilardino nem precisou de muito tempo para destruir este mito e deixar todos apreensivos.

Há um fato que Claude Puel não pode se negar a reconhecer: a defesa lionesa precisa de cuidados especiais. Embora tenha passado em branco nas quatro primeiras rodadas do Campeonato Francês, o Lyon se viu em apuros quando se viu sem alguns de seus principais jogadores do setor. Clerc e Grosso, machucados, ficaram de fora; Mensah e Cris (que ficou no banco e não mostrou um bom futebol desde seu retorno após uma cirurgia no joelho) também não foram escalados. Se contra o Saint-Etienne a zaga parecia uma muralha, contra os ‘viola’ ficou clara a instabilidade por ali.

Bodmer relaxou na marcação a Gilardino nos lances dos dois gols da Fiorentina. Ao seu lado, ele nem poderia recorrer a uma dose extra de ajuda, pois Boumsong está um pouco longe de ser um zagueiro confiável. Com um jogador improvisado e outro no qual pairam dúvidas sobre como será sua reação ao próximo lance de perigo, Claude Puel precisa torcer para que Mensah se livre enfim de seus problemas – e o escale em sua posição de origem, não deslocado na lateral-esquerda.

Aliás, a ausência de Grosso também está custando algumas horas de sono ao treinador. Källström quebrou o galho por ali, sem comprometer, mas sem brilhar. Com tantos remendos em posições tão importantes, qualquer combinação tática se compromete e prejudica todo o conjunto. Para completar, até mesmo os volantes lioneses tiveram uma noite complicada.

Tanto Makoun como Toulalan recuaram demais, até como uma tentativa de corrigir os problemas da zaga. Só que esta atitude deixou Almirón, Felipe Melo e Montolivo bastante à vontade para ganhar terreno na intermediária. A Fiorentina soube aproveitar muito bem estas falhas no primeiro tempo, contra um OL sem muita paciência e desatento.

Na etapa final, os donos da casa acordaram para a realidade e ao menos mostraram a frieza necessária para buscar o empate. Embora se questione a legitimidade do gol de Piquionne (Zauri estava caído no gramado e dava condições de jogo ao atacante), não dá para se negar a justiça no placar. O poder ofensivo lionês se revela nas estatísticas: no total, o OL finalizou 27 vezes.

Nice e Fiorentina provaram ao Lyon que a equipe não é mesmo tudo isso, ainda mais quando deve recorrer a mudanças em sua equipe considerada titular. Não adianta Puel querer forçar a barra e depender sempre do poder de reação de seus jogadores, até porque isso se torna desgastante e cria o estigma de ‘time que só sabe se impor quando provocado’. Foram necessários estes dois testes para apagar esta idéia de que a defesa do OL é inviolável. Contra o Bayern de Munique de Klose, Toni e Podolski, o setor tem a obrigação de evoluir, se possível com a presença de Mensah para equilibrar as coisas por ali. Amenizada a questão, o ataque ao menos se garante.

 

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