iG - Internet Group

iBest

brTurbo

 

Futebol

19/09 - 19:11

Homenageado com bolo, Marcos garante: 'São 400 jogos sofridos'

Contra o Vasco, ídolo alviverde vai completar marca histórica no clube

Gazeta Esportiva

SÃO PAULO - O goleiro Marcos monopolizou as atenções no treino desta sexta-feira do Palmeiras. Escolhido para conceder uma entrevista coletiva, o camisa 12 do Verdão falou sobre os 400 jogos que vai completar pelo clube de Parque Antártica no final de semana contra o Vasco.

A marca ainda é humilde se for contar os 901 jogos do lendário Ademir da Guia, recordista absoluto alviverde, mas Marcos revelou grandes dificuldades na caminhada para virar um dos grandes ídolos no Palmeiras: 'São 400 jogos sofridos'.

Aos 35 anos, Marcos não deixa de lado o estilo irreverente. Sempre simpático, fez questão de brincar com os jornalistas. Ele lembrou que ainda tinha cabelo nas primeiras partidas pelo Palmeiras. 'Minha mãe ficava pegando no meu pé para pentear o cabelo. Agora, já me acostumei em ser careca', disse.

Querido por todos no Parque Antártica, Marcos recebeu uma homenagem enquanto conversava com a imprensa. O lateral-esquerdo Leandro foi o responsável pela surpresa: ele entrou na sala de imprensa da Academia de Futebol com um bolo e as velas referente aos 400 jogos.

'Depois reclamam que eu não venho aqui dar entrevista. Só me fazem passar vergonha. Quando fazem essas homenagens é porque estão doido para eu parar', brincou o ídolo alviverde.

Marcos tem viva em sua memória todos os momentos bons e ruins no Palmeiras, desde a conquista da Copa Libertadores de 1999 até a frustração com a queda para a Série B do Campeonato Brasileiro em 2002, além das seguidas contusões. “Mas eu não mudaria nada”, garantiu.

Veja os principais trechos da coletiva de Marcos nesta sexta-feira:

- Qual o seu melhor momento no Palmeiras?
MARCOS: Você tem alguns bons momentos, outros ruins, tudo faz parte da posição. Em 400 jogos, é difícil falar só de bons momentos, os erros fazem aprender muito para melhorar. Não apagaria nada em minha carreira.

- Você lembra do rebaixamento em 2002 quando se fala de um momento ruim?
MARCOS: Foi a pior de todas as coisas, não estava jogando, mas estava no grupo. Quando você é campeão fora do time, coloca no currículo, quando cai também. Foi o pior momento principalmente depois de voltar da Copa do Mundo, a responsabilidade era maior. Felizmente que, no ano seguinte, pudemos dar a volta por cima, o Palmeiras foi um dos primeiros clubes a voltar sem virada de mesa. Muitos acham que a competição não é importante, mas eu acho esse título importantíssimo.

- Até quando o Marcos continua nos gramados? Podemos ver um quarentão em campo?
MARCOS: Fico enquanto tiver um corpo legal, um bom nível de jogo. Inicialmente, até dezembro do ano que vem, aí depois pensamos em renovar. Vamos ver. Mas acho que não vou até os 40, a bola vai estar do tamanho do bolo que ganhei hoje. Não sei se terei a paciência com a cobrança.

- Mas é necessário para uma equipe ter um veterano dentro campo, não acha?
MARCOS: Acredito que, se você pegar um time de garotos, o único que conseguiu ser campeão foi o Santos de 2002. Eu não me lembro de outro time que obteve sucesso. Você tem que fazer uma mescla de experiência com juventude. Os experientes não correm tanto, mas passam a experiência necessária aos mais jovens. Agora chegou o Roque Júnior ao Palmeiras e ele vai ajudar muito, fala bastante e é um reforço importante. Os 32 anos dele não vão atrapalhar. Acredito que vai entrar em forma rapidinho.

- Hoje você é conhecido como “São Marcos”. O que falar do carinho dessa torcida contigo?
MARCOS: Só tenho a agradecer ao torcedor pelo carinho, consideração, sou amigo particular de integrantes da torcida. Eles me ajudaram mesmo quando errei e prejudiquei o time. Tentei sempre fazer o máximo em campo.

- Mas nem sempre a torcida fica feliz. Contra o Sport, o time foi criticado, certo?
MARCOS: Não existe unanimidade. O torcedor foi a campo, o Palmeiras não jogou bem e perdemos pela terceira vez para o Sport. Não esperávamos aquele resultado. Claro que, naquele momento, não adiantava xingar um time que estava em segundo lugar. A gente entende porque decepcionamos e podíamos estar mais perto da liderança.

- Como é ser um jogador e, ao mesmo tempo, torcedor do Palmeiras? Os companheiros sofrem com suas broncas?
MARCOS: Às vezes, você perde um jogo porque o adversário é melhor, mas a gente cobra que vontade nunca pode faltar, somos bem pagos para fazer isso. Tivemos altos e baixos por méritos do adversário, mas também por acomodação. Agora, é um momento no Campeonato Brasileiro que não podemos vacilar, diminuir a pegada. Todos os jogos são finais. Não é momento de deixar a peteca cair. Temos que perder por méritos do adversário.

- Você sempre foi muito sincero. Vale a pena ser sincero no futebol?
MARCOS: Depende. Hoje procuro pensar mais ao falar as coisas. Quando perdemos do Sport de 3 a 0, é difícil falar e não criticar, por isso saí sem falar. Depois, o Wanderley me cobra muito, fala que preciso ser um líder positivo. Procuro correr das polêmicas hoje que podem virar problema para mim (risos).

- O que mudou no Marcos com o passar dos anos?
MARCOS: Mudou a platina no lugar do osso (risos). A vontade continua a mesma, sempre gostei de jogar. Você perde velocidade, mas ganha experiência. É uma troca positiva. Tirando as contusões, não mudou muito. Foram 400 jogos sofridos, gols duros de engolir, saí vaiado, mas cheguei a essa marca. Agora vou treinar para alcançar os 500. É bom alcançar essa marca porque, no final do ano passado, eu era praticamente um ex-jogador. Não esperava jogar o que estou jogando. Quando voltei contra o Guaratinguetá neste ano, depois de um ano fora, eu me sentia péssimo.

- O que representa o reencontro com a camisa 12, que sempre marcou a sua carreira?
MARCOS: Eu jogava com a camisa 12 direto, foi assim na Libertadores. Aí falaram para mudar e ficar com camisa um. Ela me dá sorte, mas não ligo muito para isso. Não vejo o nome e o número, que ficam nas costas. Mas acho que, até parar, fico com a 12 mesmo.

- Pela experiência, hoje você é um homem de confiança do Luxemburgo?
MARCOS: Ele tem essa confiança por mim porque o treinador não tem como posicionar sua equipe durante o jogo. O Wanderley sempre me esclarece sobre o esquema da equipe para, durante o jogo, eu ajudar. Mas minha função é apenas passar as ordens dele, não mudo nada.

- Qual a defesa mais bonita que você fez no futebol? Aquela do pênalti do Marcelinho na Libertadores de 2000?
MARCOS: Para a torcida foi o pênalti do Marcelinho, mas eu tenho que pegar todas as bolas, senão a nota no jornal no dia seguinte é três. Eu já passei dessa fase, já comemorei muito aquele pênalti. Acho que a melhor defesa foi em um jogo contra o São Paulo, quando o Marcelinho Paraíba chutou, a bola desviou no Galeano e eu defendi. Na sobra, o Warley completou e peguei novamente.

- E os frangos que te marcaram?
MARCOS: Teve a furada contra o Vitória na Copa do Brasil de 2003, uma contra o Bragantino que passou no meio das pernas e a do Cruzeiro neste ano. Mas não apagaria nada porque me deixou mais atento para não errar novamente.


Leia mais sobre: Palmeiras campeonato brasileiro

> Você tem mais informações? Envie para Minha Notícia, o site de jornalismo colaborativo do iG


Gazeta Press

marcos

PARABÉNS MARCÃO!
Goleiro completa contra o Vasco a sua partida de nº400 pelo clube

Topo
Contador de notícias