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Futebol

17/09 - 23:26

Entrevista: "Estou louco para voltar", revela corintiano Fabinho
Volante, um dos líderes do time de Mano, está ansioso para retornar ao Corinthians ainda na reta final da Série B

Trivela.com

SÃO PAULO - Ainda se recuperando de uma cirurgia, o volante Fabinho, do Corinthians, bateu um papo com o Trivela.com sobre sua recuperação e o bom momento vivido pelo clube do Parque São Jorge.

Sendo um dos líderes do time de Mano Menezes, é um tipo que se sente totalmente a vontade para discorrer sobre qualquer assunto relacionado ao ‘timão’ e a sua carreira. Natural de São Bernardo do Campo, interior paulista, o jogador de 28 anos também explica o real motivo de ter voltado da Europa. Confira! 

Como vai a recuperação?
Tranquilo, tudo dentro do planejado, retirei os pontos na última sexta-feira e no dia seguinte já comecei o processo de Fisioterapia, depois que cicatrizar, vou poder pedalar e correr. Os médicos me disseram que dentro de um mês e meio é provável que eu retorne aos gramados. Mas nunca é fácil dar um prognóstico, o esforço para voltar o mais rápido possível existe. 

É a sua primeira cirurgia?
Sim, é minha primeira intervenção cirúrgica, não estou acostumado ficar de fora muito tempo, é uma situação nova para mim.

Você é um dos principais volantes do futebol brasileiro nos últimos anos e estava na Liga Francesa. O que te seduziu a voltar e aceitar jogar na Série B mesmo que por um grande clube como o Corinthians?
A conversa com o Presidente foi tudo. Eu tinha três propostas de outros grandes clubes do Brasil, que disputam Libertadores etc. Optei pelo Corinthians porque tenho muita satisfação em estar aqui, ouvi falar bem do Mano Meneses, o clube estava com um projeto ambicioso e eu quis fazer parte disso.

Dentro de campo, quais as principais diferenças entre as séries A e B?
O jogo na Série A é mais cadenciado, a técnica é superior, as equipes trabalham melhor a bola e os jogadores são mais fortes fisicamente e tem uma postura tática melhor. Na Série B é correria, os times trocam quatro ou cinco passes e já perdem a posse da bola. Desde quando eu era júnior não via uma correria ‘lascada’ dessa (risos).

Nessas viagens pelo Brasil para jogar a Série B vocês conheceram muitas realidades e com o aparato informativo que se têm hoje, todos se conhecem, e é difícil jogar em qualquer parte, não?
Com certeza, não dá pra escolher se este é mais difícil que aquele ou vice-versa. Por ser Corinthians é sempre jogo duro. Contra o Grêmio Barueri nós vencemos bem fora, mas ganhamos de forma sofrida em casa. Os adversários sabem que contra o Corinthians todos estão de olho, então a vontade dobra, ficam mais audaciosos.

A situação de alguns gramados na Série B é lastimável também.
São poucos os campos que você pode classificar como bom. Têm o Estádio Rei Pelé, que tem um dos melhores gramados e foi lá que me machuquei contra o CRB num calor de ‘lascar’. Coincidentemente, me lesionei em um dos poucos bons gramados da Série B.

Nas ruas e na imprensa está sendo bastante discutido se o atual plantel do Corinthians teria condições de fazer um bom papel na Série A.
Me perguntaram isso algumas vezes. É diferente. O Corinthians largou na frente na Série B porque se preparou melhor, sem querer desmerecer os outros clubes. Mas na Série A é tudo mais parelho, necessita de jogadores com maior experiência e mais tarimbados.

Como tem visto a evolução do Dentinho?
Ele está tendo um ano diferente, pois esta jogando com mais freqüência, infelizmente se machucou, mas vem evoluindo, esta mais confiante. Foi a revelação do Paulistão e pela idade ainda tem muito potencial para crescer.

Esse método de treino do Mano Meneses de colocar 13 contra 13, você já tinha visto isso? O que tem achado?
(Risos) Não, é a primeira vez. Temos que aproveitar, é um treino onde afinamos a cadência, a aproximação, o toque, você capricha mais. É uma situação onde exige raciocínio rápido. Na França, por exemplo, eles preferem treinar com campos reduzidos e sete pra cada lado.

Qual a verdadeira razão para você não ter permanecido na Europa?
Foi um período difícil, amadureci muito. Não fui tão reconhecido quanto aqui por problemas com o treinador do Toulouse, Elie Baup. Marquei gols, joguei fora da minha posição como meia aberto pela direita, mas ele sempre implicou comigo, ninguém entendia.

Era pessoal?
Cara, todo mundo ficava indignado, ele me deixava no banco, ás vezes me mandava aquecer com 10 minutos de jogo e não me colocava. Teve uma vez que aqueci 80 minutos e não entrei! Fiz 10 gols pelo clube e mesmo assim ele não reconhecia meu trabalho, escalava jogadores de qualidade inferior, com todo respeito. É um treinador que teve problemas com o Deivid (atual Fenerbahce) também quando estava no Bordeaux. As pessoas me perguntavam porque eu não jogava e eu tentava explicar em francês que era o técnico que decidia. Foi difícil.

Mas vocês tiveram alguma conversa sobre sua situação?
Eu falei com ele numa reunião, ele reagiu mal, deu porrada no tabuleiro, ficou nervoso. Aí eu tive que me impor, não gostei da atitude dele, todos sabem que sou muito profissional. Teve um jogo que perdemos para o Lyon por 3 a 2, eu entrei no finalzinho e marquei de cabeça o último gol. O Diretor veio falar comigo “Está vendo? É por isso que você tem que ficar!”. Mas eu não tinha ambiente. O Marcelo Dijean recentemente esteve lá e me disse que o Presidente do clube perguntou por mim, falou que não podia contrariar o treinador na época etc..

O meia camaronês Achille Emana e o atacante sueco Johan Elmander eram os principais jogadores da equipe. Agora, Emana foi para o Betis, da Espanha, e Elmander para o Bolton, da Inglaterra. Conte-nos sobre eles.
Sim, o Elmander era o ‘tanque’, um jogador forte, inteligente, facilitava a minha chegada, acho que metade dos gols que fiz foi passe dele. O Emana é um grande jogador, mas fora de campo não é um cara fácil. Ele trabalha duro, agüenta as criticas, é durão, mas se tiver que sair no tapa com um companheiro no treino, ele sai.

A Europa não foi o ‘El Dorado’ que você esperava?
Cara, você tem que estar preparado, hoje eu vejo garotos de 18 ou 19 anos já loucos pra ir jogar lá, mas não é bem assim, tem que estar preparado.

O Claudecir foi um espelho quando você estava iniciando sua carreira no São Caetano?
Não, eu me espelhava no Vampeta. Naquela época o Corinthians estava no auge e ele era o cara que eu me espelhava. O Claudecir foi um cara que se impôs, me ajudou muito, mas meu modelo de volante era o Vampeta.

Sua ambição de jogar na seleção segue intacta?
O jogador tem que se preocupar em trabalhar, procurar fazer tudo certo que a chance aparece. Isso acontece para uns e para outros não, uns merecem e outros não.

Gostaria de uma breve definição para cada treinador que você já trabalhou:

Jair Picerni?
Exigente, cobra muito, bom treinador.

Carlos Alberto Parreira?
Mentalmente muito forte, um gênio.

Geninho?
Paciente, tranqüilo, está sempre no controle de tudo.

Tite?
Intenso, bem pessoal, é um ‘paizão’.

Vanderlei Luxemburgo?
Extraordinário, é um cara que ‘tira leite de pedra’.

Mano Menezes?
É um estrategista, tem o grupo nas mãos e não relaxa nunca.
 


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