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Futebol

10/09 - 11:18

Bronca da Catalunha na Copa
Barcelona manda time reserva para competição na Catalunha e enfada seus torcedores e também os rivais

Trivela.com

BARCELONA (Espanha) - Não é preciso afirmar aqui o quanto o Barcelona é importante para o orgulho catalão. O clube é um símbolo da região, sua cultura, língua e tradições. Por isso, a decisão da diretoria e da comissão técnica em mandar seu time filial para a disputa da Copa Catalunha, nesta semana, provocou enormes protestos de seus torcedores e dos rivais também.

Para quem não conhece, a Copa Catalunha (ou Copa Catalunya, em catalão) é um dos torneios de futebol mais antigo do mundo. Criada em 1900, ao longo dos anos ela teve diferentes nomes (Copa Macaya, Copa Barcelona, Campeonato de Cataluña de fútbol, Lliga Catalana e Copa Generalitat) e formatos. Atualmente, todas equipes catalãs da primeira, segunda, terceira e quarta divisões participam da competição, com fases decididas em apenas uma partida simples, sempre na casa do menor. Barcelona e Espanyol entram direto nas semifinais.

No começo da Copa Catalunha, ela dava vaga para a Copa de España, torneio antecessor à criação da Liga. Desde a temporada 1989/90 tem caráter oficial. Seu simbolismo também é enorme para os catalães e explicações para isso não faltam. Basta citar que, sob a ditadura de Franco, entre os anos 40 e 80, o torneio foi proibido.

Por isso tudo a decisão do Barcelona de enfrentar, na terça-feira, o Sant Andreu (da terceira divisão) com seu time filial – o Barça Atlètic – foi alvo de sérios protestos. O jogo, disputado em Sant Carles de la Ràpita, ao sul da Catalunha, era uma das semifinais da competição e terminou com uma vitória fácil do Sant Andreu por 3 a 1. Os torcedores, irados, não se conformavam nas arquibancadas. A situação chegou a tal ponto que o presidente Joan Laporta e o técnico Josep Guardiola, que nem no banco ficou, tiveram que dar explicações no intervalo do jogo.

Laporta disse que não iria à partida, mas devido a tudo, tinha que dar a cara. No entanto, culpou o presidente da Federação Catalunha (FCF) por toda confusão. “Lamentamos, porque queríamos vir com o primeiro time, mas fizemos o certo e acredito que todos os barcelonistas entendem. Há que ter um pouco de sensibilidade com os interesses do Barca, que joga a Liga e a Champions, e está com 15 jogadores em seleções. Já disse ao senhor Ricard Campoy (presidente da FCF) que era preciso arrumar isso. Temos que fazer um esforço para que a Copa Catalunha não coincida com as datas Fifa e mude o formato”, criticou o presidente do Barcelona.

Analizando apenas a esfera esportiva, não há como criticar o Barça. O time estreou no Campeonato Espanhol em 31 de agosto, com derrota para o Numancia por 1 a 0, o que já colocou certa pressão sobre o trabalho de Guardiola. Faz seu segundo jogo na Liga neste final de semana, no sábado, contra o Racing Santander, em casa, e na terça-feira começa a participação na Liga dos Campeões diante do Sporting de Lisboa, também no Camp Nou. Para completar, o fato de estarmos entre duas datas Fifas faz com que o clube “perca” diversos jogadores.

Porém, nem tanto lá, nem tanto cá. Faltou sensibilidade à diretoria, para usar uma palavra do vocabulário de Laporta. Sim, os principais jogadores estão nas seleções e há dois jogos importantes na próxima semana, mas havia tempo de sobra para outros atletas do elenco principal jogarem a Copa Catalunha e descansarem para os próximos compromissos. Há o risco de lesões? Sim, mas isso é mais importante do que menosprezar uma competição de tamanha tradição e motivação para sua região? Os torcedores não concordaram.

Infelizmente, esse é mais um exemplo de como os interesses comerciais se sobrepõem às tradições e culturas. Pode parecer piegas ou moralista demais esse discurso, mas é a mais pura verdade. Essa mesma diretoria é a que quebrou uma tradição histórica do Barça ao estampar a Unicef em sua camiseta. Agora é a Unicef, mas logo virão as “bet-and-não-sei-o-quê-da-vida”. Existem muitos outros casos similares, como, por exemplo, do Athletic Bilbao, para ficar apenas na Espanha.

Enfim, talvez não seja o caso lamentar, mas sim constatar essa mudança de diretrizes. Só que é preciso, também, ressaltar que a tradição e história de um clube como o Barcelona está muito acima de interesses comerciais ou esportivos a curto prazo. Laporta e Guardiola talvez tenham que ler, às vezes, o lema do clube para perceber isso. “Mais que um clube” não é uma frase qualquer.

Del Bosque impõe seu estilo

A Espanha estreou com uma boa vitória sobre a Bósnia, por 1 a 0, gol de Villa, em Murcia, pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010. O time também provou ser forte sem dois de seus principais jogadores: Silva e Torres. No entanto, vale ressaltar que, aos poucos, Vicente del Bosque dá sua cara à seleção.

O treinador aposta em extremos no meio e Fábregas não tem lugar garantido com ele, também. Marcos Senna é outro que talvez não se mantenha entre os titulares, dada sua preferência por Xabi Alonso. Capel, pela esquerda, é uma de suas apostas ofensivas, assim como Cazorla pela direita.

Na frente, Guiza ainda é o reserva imediato, mas Bojan pode aparecer rapidamente como mais uma boa peça do ataque da Fúria. Enfim, o jogo contra a Armênia nesta quarta já deve trazer algumas novidades para o torcedor. O mais importante, porém, é mostrar que a Espanha não tem apenas 11 bons jogadores, e sim um plantel de respeito e do nível de qualquer grande seleção mundial.

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