iG - Internet Group

iBest

brTurbo

 

Futebol

08/09 - 09:26

Tite fecha um turno no Inter com desempenho abaixo do esperado

Apesar da vitória, torcida chamava treinador de 'burro' a cada substituição; aproveitamento é de 66,6%

Gazeta Esportiva

PORTO ALEGRE - A situação de Tite é complicada no Internacional. Antes do início do jogo de sábado diante da Portuguesa, no Beira-Rio, o treinador foi vaiado pelos torcedores quando os alto-falantes do estádio anunciaram seu nome.

Com a bola rolando a situação pouco mudou. Nem mesmo a vitória por 1 a 0 atenuou a insatisfação dos colorados. A cada substituição realizada, o técnico escutava o coro “Burro! Burro!”.

A partida diante da Lusa fechou um turno de Tite no comando do Inter neste Brasileirão. Sua chegada no lugar do desgastado Abel Braga foi festejada, apesar do presidente Vitório Píffero torcer o nariz por ter um ex-gremista no comando da equipe. Para evitar problemas, o presidente campeão do mundo Fernando Carvalho retornou ao clube para contornar a situação.

Os primeiros resultados empolgaram. Mal na tabela, as boas atuações fizeram o Inter se aproximar da Zona da Libertadores e sonhar em disputa-la. Brigar pelo principal título continental da América em 2009 é uma obstinação vermelha, já que a próxima temporada marca o centenário do clube.

Os primeiros jogos de Tite do Brasileirão:

Inter 2 x 1 Botafogo
Vitória 2 x 1 Inter
Grêmio 1 x 1 Inter
Inter 3 x 0 Coritiba
Inter 1 x 0 Goiás
Altético-PR 1 x 1 Inter
Inter 1 x 0 Atlético-MG
Náutico 1 x 1 Inter
Inter 2 x 0 São Paulo

Resumo: 9 jogos, com cinco vitórias, três empates e uma derrota. Aproveitamento de 66,6%.

O bom futebol apresentado diante do São Paulo fazia o Inter até pensar em ser campeão. Estava a apenas cinco pontos do líder. A ascensão era animadora e o próximo adversário seria o Ipatinga, em Minas. Combinação perfeita para a primeira vitória em território adversário. Além disso, os reforços começavam a chegar. Desembarcavam em Porto Alegre nomes como Bolívar, Daniel Carvalho e D’Alessandro, entre outros. O futuro era promissor.

Porém, o esperado não ocorreu. A euforia virou frustração. De promissor, o futuro ficou incerto. Os reforços estavam longe das melhores condições físicas e o time titular começava a ficar desfalcado. O desempenho decaiu. Propostas de todos os lados mexeram com o psicológico dos atletas. Zaragoza e Palermo queriam Nilmar. O futebol árabe tentou Guiñazu e Alex.

Magrão foi para a reserva. Edinho, uma das lideranças da equipe, seguiu o mesmo caminho. Wellington Monteiro disse não querer mais jogar na ala e foi para o banco, não tendo sido utilizado desde então. Tite, conhecido por ser um agregador de grupos, começava a ter problemas com seus jogadores e a se isolar.

Nesse período, a primeira vitória longe de casa veio sobre o Fluminense. Mas o Inter não era mais imbatível no Beira-Rio. O promissor 4-4-2 do começo deu lugar ao 3-5-2. Alex ficou de fora por lesão. O meia-atacante é a referência técnica da equipe, sem ele as boas atuações ficaram distantes. O desempenho começou a oscilar e a paciência com Tite foi minguando. Contra a Portuguesa, o primeiro esquema retornou, mesmo que o time tenha jogado pouco, a vitória é um alívio para o treinador.

“O fato da impaciência, comigo e com a equipe, é real e tem razão o torcedor. O Internacional deveria estar em uma posição melhor. Nós também queríamos isso. Eu e os atletas temos que compreender essa situação” comentou o técnico colorado.

Os últimos jogos de Tite no Brasileirão:

Ipatinga 1 x 0 Inter
Inter 0 x 1 Santos
Fluminense 1 x 2
Cruzeiro 2 x 0 Inter
Inter 1 x 1 Figueirense
Vasco 4 x 0 Inter
Inter 4 x 1 Palmeiras
Inter 1 x 1 Flamengo
Sport 1 x 0 Inter
Inter 1 x 0 Portuguesa

Resumo: 10 jogos, com três vitórias, dois empates e cinco derrotas. Aproveitamento de 36,6%.

Fazendo um exercício de imaginação e pegando apenas o desempenho de Tite no comando do Inter e dividindo-o em fase boa e ruim, a análise é a seguinte: num primeiro momento, com 66,6% de aproveitamento, o Inter de Tite estaria em segundo lugar no Brasileirão. Num segundo momento, com um desempenho de 36,6%, o Colorado escaparia por pouco do rebaixamento. Somando-se tudo, Tite conquistou 50,8% dos pontos disputados, o que daria a nona colocação ao seu time. Uma posição longe da ideal visto o investimento feito pelo clube desde o ano passado.

“Quando foi que o Tite teve todos os atletas disponíveis? Quando foram feitas as contratações? Quanto tempo ele tem de trabalho? Quanto tempo os atletas contratados demoraram para ter condição de jogo? São todas respostas que são importantes para uma avaliação geral do trabalho. Tu teve tempo para trabalhar? São todas perguntas que também cabem nessa avaliação”, defende-se Tite.

Apesar de não externar, os dirigentes colorados estão insatisfeitos não só com o desempenho em campo, mas também como o modo com que Tite tem lidado com os problemas de vestiário. A sua situação não é estável. Em meio à má fase, surgem especulações de que o Inter mostrou interesse em ter Muricy Ramalho em 2009. A certeza no momento é que Tite não será o técnico no ano do centenário.


Leia mais sobre:

> Você tem mais informações? Envie para Minha Notícia, o site de jornalismo colaborativo do iG


Topo