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Futebol

04/09 - 09:11

Queda de rendimento preocupa jogadoras e ex-técnico

Seleção feminina de futebol perdeu algumas jogadoras experientes, como a volante Formiga

Gazeta Esportiva

RIO DE JANEIRO - A medalha de prata conquistada pela seleção brasileira feminina de futebol nos Jogos Olímpicos de Pequim marcou a despedida de algumas jogadoras da equipe. Veteranas como Maycon, Formiga e Tânia Maranhão não deverão estar mais com o grupo na disputa do próximo Mundial nem nas Olimpíadas de Londres-2012.

E a saída destas atletas experientes já começa a preocupar a equipe, acostumada a chegar às fases decisivas das principais competições internacionais. Mesmo tendo trocado a seleção pelo St. Louis dos Estados Unidos, o técnico Jorge Barcellos reconhece que o assunto incomoda. “Isto é uma preocupação sim”, admite o técnico, que comandou o time também na conquista do vice no Mundial de 2007. “Uma atleta como a Formiga, por exemplo, levou dez, 15 anos para chegar no nível que está. Estamos trabalhando, mas vai levar tempo para substituir jogadoras como ela, Maycon e Maranhão”.

Ainda que preocupado, Barcellos mantém o otimismo e elogia os trabalhos feitos para integrar as atletas das categorias sub-17 e sub-20 à equipe principal. “Quatro jogadoras que estão no time hoje vão ao próximo Mundial Sub-20”.

A competição será realizada este ano, no Chile, mas apesar de ser uma das referências na categoria adulto, a equipe nacional nunca venceu o torneio com o time de base. A atacante Maurine é um dos exemplos da integração entre as seleções.

Defendendo o Brasil desde 2001, ela passou pelas seleções sub-19 e sub-20 e nesta última disputou três mundiais e igual número de sul-americanos. Com a experiência acumulada nestas oportunidades, mais o convívio com as atletas do time principal, Maurine acredita que as novas integrantes terão capacidade de manter a tradição criada pelo grupo atual.

“É um grande mérito de quem está saindo, mas com certeza vamos conseguir manter o nível”, aposta a atleta do Santos. A opinião é partilhada pela veterana Maycon, que não pensa mais em defender o país em outro Mundial ou Olimpíada. “Acredito na renovação sim porque estão surgindo muitas meninas novas com qualidade”.

Atualmente defendendo o Saad, no Paulista, ela não estabelece um prazo para sua aposentadoria definitiva. Mesmo com todos os obstáculos que enfrentou em campo e fora dele no futebol feminino, ela não pretende afastar-se muito da área e já definiu o que fará quando parar de jogar. “Quando parar, vou ser treinadora”, avisa animada.

A meia Formiga é mais comedida no otimismo. “Temos muitas meninas boas por aí, mas que não chegam à seleção porque o treinador não tem oportunidade de vê-las jogando”, lembra.

O último ciclo olímpico provou isso. A escassez de torneios torna a descoberta de novas atletas um verdadeiro tiro no escuro, já que as atletas não podem ser acompanhadas com regularidade. Por isso, antes dos Jogos, foi preciso a realização de um torneio-relâmpago para que o treinador selecionasse novas atletas.

Por estas e outras, Formiga reforça a lista dos que se preocupam com a defesa da tradição brasileira. “Me preocupa que não possam manter o rendimento dos últimos 4 anos”, admite. “Vamos ter o Mundial (sub-20) e algumas estão pegando experiência no time principal, mas tenho medo do nível cair”, diz, usando sempre os exemplos internacionais como parâmetro. “Os Estados Unidos renovam e não caem de rendimento. No Japão também, estão juntos trabalhando as meninas há muito tempo”.

Desde 1999, quando ficou com o bronze na Copa do Mundo, a seleção brasileira conquistou dois títulos nos Jogos Pan-americanos (2003 e 2007), um vice-campeonatos no Mundial de 2007 e dois vices em Jogos Olímpicos (2004 e 2007).


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