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Futebol

30/08 - 06:35

Aprovação da Arena Palestra Itália depende de sócios neste sábado

Projeto de parceria para as reformas no estádio será votado na sede alviverde; há divergências sobre a parceira

Gazeta Esportiva

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SÃO PAULO - Pode ser dado neste sábado o esperado último passo para o Palmeiras finalmente começar as obras que transformarão o Palestra Itália em Arena multiuso. Aprovado pelo Conselho Deliberativo (CD) e pelo Conselho de Orientação e Fiscalização (COF), o projeto de parceria com a W Torre para as reformas no estádio será votado pelos associados entre 10h e 19h na sede alviverde.

Um dia em que o clube respirará ainda mais intensamente a política que ronda o Palestra Itália durante toda a semana.

Para ter validade, a Assembléia deve contar com no mínimo 10% dos cerca de 8 mil sócios. Quem comparecer às urnas, terá de responder a duas perguntas. Na primeira, será questionado se aceita a mudança no estatuto para a cessão do chamado “direito de superfície” – ou seja, dividir por um prazo determinado a gestão da Arena. Na segunda, deve dizer se concorda com o projeto proposto com a W Torre. O resultado deve ser divulgado às 20h.

Dentre as duas questões, a única que não gera conflitos é a primeira. Situacionistas e opositores concordam com a necessidade de cessão do “direito do superfície” e a unanimidade neste caso é bem provável. O grande entrave que movimentou a semana de aniversário do Verdão está na aceitação da sociedade com a empresa de engenharia.

Antes tida apenas como um ato “formal, para que se cumpra o estatuto”, a Assembléia deste sábado ganhou projeções políticas gigantescas dentro do clube nos últimos dias. Tentando assegurar a aprovação do seu projeto, a situação tem usado de todos os artifícios para convencer a todos sobre os benefícios da Arena nos moldes propostos. Já a oposição apostou em ações no CD e na Justiça, todas indeferidas. Apenas uma, impetrada por dez sócios na 27ª Vara Cível do TJSP, dá esperança de colocar a votação sob júdice por ainda precisar de julgamento de mérito.

Com tamanho esforço, os oposicionistas querem provar o que consideram equívocos no projeto. Não concordam com os R$ 300 milhões oferecidos pela W Torre – acham que a bandeira Palmeiras vale mais –, e muito menos com os 30 anos em que a empresa vai gerir o novo estádio a partir de dezembro de 2010, quando terminarão as obras. De acordo com a ala contrária ao presidente Affonso Della Monica, tudo isso poderia ser resolvido com mais debate.

“A oposição do Palmeiras só quer tumultuar, não tem sido uma posição construtiva, não apresentam propostas. Fizemos debates e eles foram, se manifestaram, inclusive o (ex-presidente e líder oposicionista) Mustafá Contursi se manifestou em algumas. Todos tiveram espaço”, discordou o vice-presidente Gilberto Cipullo. Sobre o valor oferecido, a diretoria avisa que, na parceria da W Torre, o Palmeiras ganhará em cima das receitas, e não dos lucros do investidor. Por isso, o prazo é de 30 anos, mais longo do que o esperado.

Roberto Frizzo, candidato da oposição nas eleições de janeiro, rebate os situacionistas. “Só nos apresentaram um pacote fechado. Podia se debater o quanto quisesse, mas não iam mudar uma proposta já fechada, com pré-contrato assinado. Eram reuniões apenas expositivas. Quando liberaram o contrato, era uma cópia única que tinha que ser lida nas mãos de um rapaz, ainda com uma cláusula de confidencialidade – não se podia discutir com ninguém. Então para que nos chamaram?”, argumentou. “Não tenho uma fórmula pronta, mas poderia ser discutido melhor para se chegar a um consenso”, continuou.

Motivação política e Corinthians
De acordo com alguns dos contestadores, a situação quer ver o projeto aprovado o mais rápido possível visando à prorrogação do mandato de Della Monica. “Nesta votação de sábado, um tema não é conseqüência do outro. Se for votada a primeira questão sábado e a outra daqui a 30 dias, qual é o problema? No que 30 dias muda a humanidade? Não entendo o porquê de tanta pressa”, indagou Frizzo, lembrando que, se a idéia é ter o novo estádio na Copa de 2014, há tempo de se concluir as obras depois de 2010 sem desvantagens.

Os aliados de Della Monica, no entanto, entendem que não há razão de se perder mais tempo com um projeto que já existe no clube há mais de 20 anos. “Por que esperar se já temos um projeto aprovado nos Conselhos? E é bom lembrar que entrar ou não na Copa é algo residual, o estádio será reformado mesmo se ficar fora”, apontou Cipullo.

Os apoiadores da diretoria atual ainda lembram que, se a votação for contrária à parceira, a W Torre pode abrir mão do Palmeiras e fechar negócio com o arqui-rival Corinthians. A possibilidade, entretanto, é ignorada pelos opositores. “Não é uma coisa de criança. Se você vai casar e sua mulher quer um bolo diferente do que você quer, o casamento é cancelado?”, comparou Frizzo. “Eles estão no negócio porque é bom para eles. A empresa não tem imaturidade. Pela posição que tem no mercado, não me parece que vá desistir por causa de qualquer toma lá, dá cá. Para eles, o ideal é que todos no clube nadem na mesma direção, sem células hostis internamente”, prosseguiu.

Neste clima, a sede alviverde deve começar o fim de semana tomada por campanhas políticas. Há semanas o site oficial do clube vende a R$ 15 camisetas com a inscrição “Arena Palestra, Eu Aprovo!!!”. Na terça-feira, quando o Palmeiras completou 94 anos de vida, Della Monica distribuiu carta explicando todos os detalhes da parceria. Na quinta-feira, em meio à festa de comemoração pelo aniversário palestrino, broches com o mesmo slogan da camisa foram distribuídos e um discurso lido com intensa emoção pedia o “sim” de todos neste sábado.

A oposição se nega a responder com propaganda do mesmo nível e ainda acusa a estratégia de tentar convencer os associados de maneira passional, abrindo mão da racionalidade que julgam ser necessária em um momento como este. “Nossa única preocupação é que falam que somos contra a Arena. Nós a queremos até mais do que eles, porque historicamente pretendemos isso”, defendeu-se Frizzo, apontando Mustafá Contursi como um dos responsáveis pela consolidação da idéia no clube.

E é nesta intensa disputa que começa um dos sábados mais aguardados pela cúpula alviverde. Estima-se vitória situacionista em 70%. Os opositores ainda não se dão por vencidos, mas, caso a derrota aconteça, apostam na Justiça para anular a votação. Assim, a dúvida deve permanecer: quando a Arena multiuso com capacidade para 40 mil torcedores poderá finalmente sair do papel?


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No centro da polêmica
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