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Futebol

13/08 - 08:22

Jovem Philippe Coutinho é um retrato dos tempos atuais
Meia mal jogou pelo Vasco e foi negociado com a Internazionale

Trivela.com

Já deixou de ser novidade o assédio de grandes clubes europeus sobre jogadores brasileiros que mal saíram da adolescência – às vezes, ainda estão nela, ou nem isso. Neymar e Jean Carlos Chera foram capítulos passados desse fenômeno. O mais novo garoto a ser cobiçado por europeus foi Philippe Coutinho, meia-atacante criado nas categorias de base do Vasco, disputado por Real Madrid e Inter de Milão. O fim da história não deixou de ser um retrato da falta de condição do futebol brasileiro para competir com mercados maiores.

Desconhecido até dos vascaínos

Carioca, nascido em 12 de junho de 1992, caçula dos três filhos de um arquiteto e de uma migrante baiana, Philippe Coutinho começou cedo: aos seis anos, iniciou-se no futsal, em quadras na Mangueira. Um ano depois, o Vasco da Gama já conseguia trazer o jovem para suas categorias de base, onde ele trocou a quadra pelo campo.

Conforme o talento do meia-atacante ia se desenvolvendo cada vez mais, a família passou a auxiliar em tudo o que pudesse. O irmão do meio, Leandro, começou a gravar o desempenho do mais novo em vídeo, para que Philippe se auto-avaliasse; e o pai, José Carlos, tomou a frente dos negócios que envolvessem o ainda menor de idade, que não podia assinar contratos, além de acompanhar o rebento nas competições Brasil afora. Mesmo assim, o prodígio continuava sendo um ilustre desconhecido, mesmo para os vascaínos.

De repente, a salvação

O quadro começou a mudar em 2007, quando Philippe, com três gols, foi um dos artífices da campanha que rendeu o título Sul-Americano Sub-15 à Seleção Brasileira. Os vascaínos se enamoraram também pelo estilo insinuante, quase como se fosse um atacante recuado, com liberdade para avançar ao ataque (estilo algo semelhante com o do ídolo de Philippe, Kaká). O rapazola de rosto tomado por espinhas, fã de videogames e de pizza, também começou a se caracterizar pelos dribles curtos. E, como por encanto, os jogos do Campeonato Carioca Sub-15 passaram a ficar um pouco mais cheios, com a torcida do clube da Colina recepcionando Coutinho como a um ídolo.

Não demorou muito e alguns sites esportivos começaram a chamar a atenção para o garoto que nascia em São Januário, com vistas a virar o salvador da pátria, chegando mesmo a fazer reportagens em vídeo. Como sói acontecer, as imagens caíram na rede e pedidos começaram a vir de todos os cantos, com torcedores pedindo sua ida para clubes europeus.

O Real Madrid, então, tratou de fazer a primeira sondagem mais concreta: como Philippe ainda era menor de idade, ofereceu casa à família e emprego em terras espanholas para o pai do garoto. O ainda presidente Eurico Miranda engrossou a voz contra a proposta, chegando até a reclamar para a FIFA do assédio. O pai José Carlos também negou a sondagem merengue.

Antes de ser, já era

Mas aí chegou junho deste 2008, quando Philippe completou 16 anos. E, com a maioridade, chegou também nova proposta, desta vez da Inter de Milão. E as controvérsias começaram. Manoel Pontes, que assumiu o cargo de diretor de futebol vascaíno com a eleição de Roberto Dinamite, teria confirmado, no dia 21 de julho, que Philippe aceitara a primeira proposta, do Real Madrid. Mas, no mesmo dia, desmentiu.

E, logo no dia seguinte, a realidade não pôde mais ser escondida: com dívidas a pagar, o Vasco se rendeu aos 3,8 milhões de euros (R$ 10 milhões) oferecidos pela Inter, na segunda proposta. A confirmação da venda criou mais celeumas entre Eurico e Roberto; segundo o novo presidente vascaíno, todo o negócio já estava concretizado ainda na era Eurico. O ex-presidente negou.

Segundo João Carlos Nóbrega de Almeida, segundo secretário do Conselho Deliberativo no mandato de Eurico, algumas semanas antes do 16º aniversário de Philippe, o pai José Carlos e o novo empresário do jogador no Brasil, Cacau Barbosa (na Europa, seu representante é o Grupo Haz, do israelense Pini Zahavi), mostraram a proposta italiana ao então presidente e teriam dito que Philippe só assinaria o primeiro contrato profissional pelo Vasco se fosse vendido. Então, em comum acordo, os adversários Roberto Dinamite e Eurico Miranda, tendo em vista as dívidas que assolam São Januário, aceitaram vendê-lo, recebendo o dinheiro em três parcelas: uma até o fim de julho, as outras em 2009 e 2010. E o Vasco ainda terá Philippe Coutinho até que ele complete 18 anos.

E o cotidiano mudou: viagem a Milão, para a assinatura do contrato; aulas de italiano acrescentadas às de inglês, duas vezes por semana; volta ao time juvenil vascaíno; e o convite para assistir, no San Siro, no próximo dia 24, à final da Supercopa da Itália entre seu futuro time e a Roma. Já saudado pela imprensa da Bota (o site da Gazzetta Dello Sport o nomeou “o Pato de Moratti”), Philippe Coutinho é mais uma promessa que, antes de ser de um clube brasileiro, já era dos europeus. É ver se sua carreira se desenvolverá bem e ele concretizará o sonho de jogar junto do futuro rival milanês Kaká na Copa de 2014.

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