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Futebol

07/08 - 08:18

Suspense na janela de transferências na Espanha
Liga fica na expectativa dos movimentos finais de Real Madrid e Barcelona

Trivela.com

SÃO PAULO - Dois pugilistas pegadores que ficam apenas dando jabs. Enquanto isso, o público espera o momento que virá o gancho ou cruzado decisivo. É mais ou menos essa a sensação que passa o modo como Real Madrid e Barcelona têm atuado no mercado. Os dois clubes já deram alguns golpes, mas fica sempre a idéia de que o grande golpe ainda está por vir. Um panorama que aumenta o suspense a respeito do que pode ocorrer no próximo Campeonato Espanhol.

O peso de merengues e blaugranas é particularmente maior porque não há qualquer sinal de concorrente de peso nesta temporada. O Valencia se desmancha na crise econômico-financeira em que se meteu. O Sevilla continua fiel à política de vender jogadores e contratar promessas e barganhas de mercado, mas parece menos encorpado que há um ano. Atlético de Madrid e Villarreal estão empolgados, porém, devem dedicar a maior parte de seus esforços na Liga dos Campeões. Desse modo, o que fizerem Real e Barça deve pautar os próximos 12 meses. E, até agora, ainda há muitas questões vitais não resolvidas.

No Real Madrid, a única contratação de algum peso foi anunciada nesta semana. O clube trouxe o meia Rafael van der Vaart do Hamburg. Um excelente reforço, pois o holandês tem boa visão de jogo, sabe distribuir a bola e chega bem ao ataque. No entanto, essa negociação não resolve algumas questões cruciais para os blancos.

Van der Vaart será mais um dos meias ofensivos do elenco madridista. Além dele, o time conta com Robinho, Sneijder, Robben, Júlio Baptista, Saviola, Higuaín e, de certa forma, até Raúl. Por isso, a chegada do ex-Hamburg deixa a sensação de que ainda há mais coisa para mudar em Chamartín.

A mais lógica – e a primeira que vem à mente – é a da de Robinho ao Chelsea. Ainda que a coluna ache pouco interessante para o clube inglês e para o próprio Robinho essa união, Felipão tem dado uma força para o vicentino e sua ida a Stamford Bridge não seria impossível. Com a contratação de Van der Vaart, há mais argumentos para quem defende a venda do brasileiro.

É uma situação estranha. O Real Madrid não parece fazer questão de brigar para ficar com o brasileiro, deixando que Wagner Ribeiro especule em cima do nome do meia-atacante. No entanto, Robinho veio de uma boa temporada e, pela primeira vez, deu sinal de que pode se tornar um jogador “world class” (craque de nível mundial). Bastaria repetir com mais constância suas melhores atuações.

Foi o suficiente para a torcida passar a confiar mais no jogador e vê-lo como alguém que pode construir uma história em Chamartín. Perdê-lo agora pode ser inevitável (e, por € 40 milhões, como se diz, é realmente difícil segurá-lo), mas interromperia um processo que dá evidências de melhoria.

No entanto, a grande mudança que se ensaia é a chegada de Cristiano Ronaldo. Apesar de os atos indicarem que o português não sairá do Manchester United, o Real Madrid ainda quer acreditar que pode trazer o jogador. Seria mais um meia-atacante no elenco, mas o clube estaria disposto a se dar esse luxo.

Ainda que o acerto seja improvável, a possibilidade de chegada do português cria um clima de que ainda há algo maior por vir do mercado madridista. Ambiente reforçado pelas tentativas para contratar um outro atacante, para servir de opção a Van Nistelrooy. Mesmo que nada disso venha a se realizar, a sensação é de que o Real Madrid está apenas se aquecendo.

A questão Eto’o

Enquanto o Real ainda se vê com questões ligadas a seu meio-campo, o Barcelona já foi um pouco mais incisivo no mercado. Trouxe Daniel Alves, Keita, Piqué, Hleb e Cáceres, o que dá, principalmente, um pouco mais de opções à defesa e indica uma tendência de que os blaugranas pretendem abaixar um pouco a média de idade do elenco. Além disso, já se desfez de Ronaldinho, Deco, Thuram, Edmílson, Oleguer, Zambrotta e Ezquerro, dando sinais de que realmente está se renovando.

Pelos amistosos de pré-temporada, a base está modificada, mas a estrutura do time é a mesma de antes: o 4-2-3-1 que pode ser visto como 4-3-3 pela ofensividade dos meias abertos. Sinal de que Guardiola pretende montar um time ofensivo e manter a estrutura com três jogadores de frente, com Henry, Messi e... Eto’o?

Depois de se dizer que o camaronês não tinha espaço no elenco e de fazê-lo passear um pouco – num tour que incluiu Tashkent, no Uzbequistão – em busca de propostas, o clube insinua que pode continuar com ele. Como Ronaldinho, desafeto do atacante, já saiu, não seria inviável mantê-lo no grupo.

O que ficou evidente na atual campanha de mercado é que Eto’o não tinha tantos pretendentes quanto o Barcelona projetava. Ao anunciar a saída do camaronês por problemas internos, a diretoria catalã imaginou que receberia uma chuva de ofertas pelo jogador. Mas não foi assim. Até porque, pelo que ocorreu em Les Corts duas últimas temporadas, alguns clubes ficaram desconfiados de Eto’o.

Mas o mais importante é que simplesmente não há tantas opções para o jogador. Dos clubes que teriam dinheiro para pagar o que o Barça quer pelo camaronês, poucos precisam de um atacante. O Chelsea só se mexe se perder Drogba (ou nem isso, se preferir dar outra chance a Shevchenko). O Manchester United já se considera bem servido com Cristiano Ronaldo, Rooney e Tevez, assim como o Bayern de Munique com Toni, Klose e Podolski e o Liverpool com Fernando Torres. A Internazionale prefere apostar no retorno de Adriano e em nomes que já estão lá, como Ibrahimovic. O Arsenal fica na expectativa do que acontecerá com Adebayor, mas tem uma política de apostar em promessas para gastar menos. O Real Madrid até pintou como possibilidade, mas é difícil imaginar uma negociação entre as duas potências espanholas. A Juventus já estava acertada com Amauri e o Milan gastou o que podia com Ronaldinho, fechando as portas para Eto’o.

Sem espaço nos grandes, Eto’o tem como alternativa algum “novo rico”, como o Manchester City. Mas, aí, é improvável que o camaronês queira acertar. Ou seja, a não ser que apareça algum fato novo no mercado, resta ao Barcelona ficar com o jogador, uma solução mais interessante do que baixar demais a pedida por ele. E resta ao atacante ficar no clube.

Considerando que Eto’o era dado como carta fora do baralho, sua eventual permanência poderia ser vista como um reforço e estabilizaria o mercado barcelonista. Se ele acabar realmente saindo, o clube ainda precisará dar novos passos.

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