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Futebol

31/07 - 08:32

O mal menor para o Athletic Bilbao
Para manter contas em dia e lugar na elite, time rompe a tradição e aceita patrocínio

Trivela.com

Poucos clubes carregam tanto uma ideologia quanto o Athletic Bilbao. O time bilbaíno não se vê como um clube de futebol. Para seus torcedores e dirigentes, é uma bandeira do País Basco. Por isso, não faltam ideologias, como se cada uma fosse a expressão de toda uma região. É o caso da negação em ter patrocínio na camisa, pois ninguém poderia ter o privilégio de colocar sua marca em um símbolo de Biscaia. Do mesmo modo, jogadores não-bascos não vestem a camisa rojiblanca.

O aspecto cultural, ideológico e histórico por trás dessas decisões são bonitos, mas se tornaram pouco práticos no futebol do século XXI. O Athletic já não consegue manter o mesmo nível de competitividade e precisava de um fato novo para interromper a trajetória descendente. Entre abrir espaço para anunciantes na camisa ou deixar “forasteiros” vesti-la, o clube preferiu a primeira opção. Para o modo de ver o mundo dos torcedores do clube, era o “mal menor”.

A única vez em que o clube usara patrocínio fora em 2004/5, com uma campanha da secretaria de turismo do País Basco, com anúncios que divulgavam a região como destino turístico. Ou seja, uma “causa local”. Nesta terça, o clube apresentou seu elenco e uniformes oficiais para a temporada 2008/9. A camisa tinha a marca da empresa petrolífera Petróleos del Norte. A diretoria rojiblanca ainda deu a explicação oficial de que se trata de uma empresa basca, o que é meia-verdade, já que a Petronor pertence ao grupo Repsol YPF, com sede em Madri.

Pelo acordo, a Petronor pagará € 2 milhões anuais nas próximas três temporadas. O contrato ainda prevê adicionais por classificação para competições internacionais e títulos. Valores razoáveis para um clube de torcida regional, mas que foi atingido por uma manobra fiscal. Uma pequena parte do pagamento será feita ao Athletic Bilbao. A maior parte do montante irá para a Fundación Athletic, o que enquadra o patrocínio como apoio cultural, esportivo ou de promoção ao País Basco na lei basca. Por serem questões consideradas prioritárias para a região, o dinheiro que vai à fundação tem dedução especial de impostos, cerca de 46% menor.

Contornos fiscais à parte, a torcida bilbaína foi razoavelmente compreensível com a decisão da diretoria de quebrar a tradição de nunca ter colocado um patrocínio privado na camisa do Athletic. Ainda que muitos estejam descontentes com a presença da marca de uma empresa na camisa rojiblanca, pode-se dizer que há apoio.

Ainda que a ideologia seja forte, houve um coque de realidade. Depois de duas temporadas lutando contra o rebaixamento até as últimas rodadas, o Athletic teve na temporada passada um momento de calmaria. O suficiente para repensar sua política. E perceber que, para voltar a ser grande, o clube precisará se enquadrar um pouco na nova realidade futebolística.

Com o dinheiro da Petronor, por exemplo, a equipe de Lezama manterá a mesma base da temporada passada. Já é um bom indicativo de que o Campeonato Espanhol que está por se iniciar pode não ser dos piores.

Apaga tudo

Na semana passada, esta coluna falou sobre os planos de Juan Villalonga para alavancar o Valencia. Sobre como o ex-presidente da Telefónica pretendia aumentar o capital che para não precisar vender os jogadores. E, no final, trata dos atritos que apareceram entre Villalonga e Juan Soler, sócio majoritário do clube, depois de apenas duas semanas de trabalhos. Pois apague tudo o que você leu. Os atritos cresceram tanto que o projeto caiu antes mesmo de começar.

Foi uma situação grotesca. Soler e Villalonga não entraram em acordo. Após a reunião, Villalonga comunicou à imprensa que estava de saída do Valencia, mas voltaria em 15 dias com € 76,7 milhões para comprar as ações de Soler e se tornar o novo controlador do clube. Parecia um aprofundamento da relação do executivo com o time, mas, minutos depois, Vicente Soriano apareceu se dizendo novo dono do Valencia.

Soriano era sócio minoritário do clube e teria um acordo verbal com Soler para ter prioridade sobre qualquer proposta para comprar as ações. Assim, o empresário se tornou o novo sócio majoritário e se autoproclamou presidente do Valencia. Uma virada surpreendente, que serviu para expor ainda mais a desorganização que tomou conta dos ches.

Suas primeiras atitudes foram confirmar a saída de Villalonga – que ainda foi criticado por falar em público da situação financeira do clube, que teria dívida de quase € 800 milhões – e demitir Xabier Askargorta, que havia sido contratado como diretor esportivo. Para o lugar do ex-técnico da Bolívia, Soriano contratou Fernando Gómez, meia do clube e da seleção espanhola (era conhecido apenas como Fernando) nas décadas de 1980 e 1990. Vicente Silla, terceiro principal sócio do clube, será o delegado da equipe.

A manobra foi vista pelos torcedores como uma espécie de golpe de estado. Diante da iminente perda de poder, a “panelinha” de sócios teria se unido para passar a perna em Villalonga e se manter no controle do clube. A sensação para os valencianistas é que não teria havido real mudança de filosofia de trabalho e que a tendência é que os erros administrativos continuarão.

Existindo ou não intenção de mudar os rumos do Valencia, a mudança de projeto no meio da pré-temporada serve para atrapalhar ainda mais a preparação do time. Assim, se a temporada for ruim, já se sabe um dos motivos.

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