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Futebol

30/07 - 09:07

Sem cabelão e de novas camisas de seda, Luxa celebra 300 jogos
Foram quatro passagens vitoriosas pelo clube alviverde, entre 93 e 94, 96, 2002 e 2008

Gazeta Esportiva

SÃO PAULO - Nesta quarta-feira, Vanderlei Luxemburgo entrará no Palestra Itália com o seu tradicional terno, imagem que o caracterizou nos 25 anos como treinador. A roupagem, porém, será diferente da que vestia há 15 anos, quando estreava no Palmeiras. Desde então, foram quatro passagens pelo clube, entre 93 e 94, 96, 2002 e 2008. E o estabelecimento da marca de 300 jogos como comandante da equipe diante do seu querido Flamengo.

Aos 56 anos, Luxa acumulou títulos, desafetos e 17 times em seu currículo, incluindo a seleção brasileira e o Real Madrid. Mais sorridente do que o comum, o treinador credita ao seu primeiro grande clube sua trajetória dentro do futebol. E destaca o que mudou desde quando assumiu o Verdão em jejum de 16 anos sem título substituindo o veterano Otacílio Gonçalves, demitido após três derrotas seguidas em 1993.

“Estou mais velho, mudei meu cabelo, que era grande e feio, não uso mais aquelas camisas de seda. E ganhei experiência. Tive mudanças e mudanças positivas, mas algumas outras eu mantive”, comentou, alegre com o feito. “Completar 300 jogos em um clube, entrar para a história como o terceiro maior, é muito legal. Mostra uma relação de confiança, reciprocidade, empatia. O Palmeiras representa muito para mim”.

Com a marca desta quarta-feira, Luxa se torna o terceiro técnico que mais treinou o Palmeiras em quase 94 anos de história. Está atrás apenas de Osvaldo Brandão, à frente da equipe em 580 oportunidades, e Ventura Cambom, comandante em 303 jogos – este último deve ser batido em 13 de agosto, no duelo contra o Vasco pela Copa Sul-americana.

Em números, Luxemburgo chega ao seu 300º jogo com 185 vitórias, 65 empates e 49 derrotas, com aproveitamento até o momento de 69% dos pontos disputados, o melhor de um treinador no Palestra Itália. A média lhe garantiu quatro títulos paulistas (93, 94, 96 e 2008) e dois Brasileiros (93 e 94), mas não valeu a principal conquista palmeirense: a Libertadores, levantada em 1999 por Luiz Felipe Scolari, dono de um aproveitamento de 58%.

A falta de um título continental, entretanto, não é eleita por Luxa como seu pior momento dentro do Verdão. O técnico não esquece das críticas que recebeu ao seguir para o Cruzeiro em 2002, no início do Brasileiro que terminaria com o rebaixamento palmeirense – em sua reestréia, em janeiro deste ano, torcedores entoaram coro de protesto ao que ocorreu há seis anos, causando revolta no técnico.

“Teve a minha saída depois do primeiro jogo e me jogaram uma responsabilidade que não me pertencia. Na minha volta, deu para mostrar que eu não tinha nada com aquilo. Jogaram a culpa em mim e foi muito ruim, mas voltei com título e ficou claro até para a torcida que não tive culpa de nada”, recordou, preferindo apontar seu melhor momento dentro do Parque Antártica.

“Cheguei aqui jovem. Já tinha sido campeão paulista com o Bragantino (em 90), mas não com tantas propostas como tinha quando cheguei aqui, de ser campeão depois de tanto tempo. Por isso que aquele Paulista de 93 foi marcante. E divido isso com o Otacílio (Gonçalves). Ele foi muito importante na montagem daquele time ainda em 92”, lembrou.

Além das conquistas, o técnico exalta também outras melhoras em sua função. “Minha evolução também aconteceu dentro de campo. Agora, dou mais liberdades para outros setores trabalharem. E em uma análise de contexto geral, tive uma coisa que muitos criticam que é de pensar como manager, não pensar só como técnico de futebol. É uma coisa que tenho comigo desde que comecei e quem está se formando agora tem que se preocupar em ter”, ensinou o dono de um instituto para técnicos.

Neste curso, Luxa separa atenção especial para a imprensa, em tratamento que vê como mais uma evolução na carreira. “Em algumas perguntas agora eu demoro mais para chutar o balde. Adquiri um jeito de lidar sem ter um desgaste. Hoje tenho divergências, mas são profissionais. Continuo meio chato, o que é normal, mas antes não tinha isso”, apontou. “Estou vovô também né? Um vovô light”.

Depois de tantos elogios a si próprio, Vanderlei, mais tranqüilo do que o comum nesta passagem pelo Palmeiras, tratou de demonstrar humildade. “Os números são bons, mas não me preocupo com isso. Esse cara que me falou que eu faria 300 jogos”, disse, apontando para o assessor de imprensa do clube. “O que eu quero é trabalhar”, concluiu.


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