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Futebol

30/07 - 08:26

"Precisamos pensar no título", diz técnico do Vitória
Vágner Mancini assumiu o Vitória em crise após a eliminação na Copa do Brasil e sem resultados convincentes no Baiano

Trivela.com

SÃO PAULO - Qualquer equipe que retorna à primeira divisão, em tese, deve priorizar a permanência. O Vitória, hoje quarto colocado no Campeonato Brasileiro, quebra o paradigma e vem incomodando os grandes, como Internacional, Flamengo e Botafogo - todos derrotados pelo Leão. Mas não é só.

O Vitória vem surpreendendo, também, pelo futebol agradável e arrojado. Quarto melhor ataque e terceira melhor defesa, o time baiano comprova, com números, que é ainda assim equilibrado. À frente deste trabalho, restabelecendo sua reputação, está Vágner Mancini, após uma surpreendentemente meteórica passagem pelo Grêmio no início do ano.

Mancini assumiu o Vitória em crise após a eliminação na Copa do Brasil e sem resultados convincentes no Campeonato Baiano. Aos poucos, e com a busca por alguns reforços, montou a equipe à sua visão de futebol, conquistou o estadual e vem, firme, na briga nas cabeças deste primeiro turno, a quatro rodadas do fim.

Em entrevista à Trivela, Vágner Mancini explica a forma de jogar do Vitória, alguns jogadores que têm surpreendido de maneira positiva e, ainda, as perspectivas para o resto do ano. Afinal, esse Vitória mantém o fôlego por todo o ano? Leia abaixo.

Você considera que já conseguiu transformar o Vitória na equipe que gostaria de ver em campo?

O Vitória já joga como eu idealizo, como eu vejo futebol. Com velocidade, um jogo moderno. Nós realmente alteramos bastante a equipe (em relação ao time com Vadão), inclusive na forma de jogar. Estou feliz em função disso.

O fato de ter o Marquinhos e o Willians abertos, sempre em muita velocidade, é devido ao fato de poucas equipes no Brasil terem bons laterais marcadores?

Eu gosto desse sistema do 4-2-3-1, mas você precisa dos jogadores certos. Pelos lados do campo, tenho boa marcação e saída rápida. Ali, normalmente há mais espaços e não se encontram os grandes marcadores, independente de o adversário ter três ou quatro na defesa.

Por quais motivos você considera que poucos treinadores no Brasil utilizam esses meias mais abertos pelos lados?

O treinador fica muitas vezes amarrado. Ou por não se sentir seguro em mudar, ou por não ter as peças que precisa. Na última Copa do Mundo, a França jogava assim, em velocidade. Você precisa dessa velocidade, desse desafogo para surpreender o adversário. Eu cobro sempre a recomposição rápida do time, que é algo muito importante.

Se o time todo joga em velocidade, o Ramon é o cara que pensa, pára a bola, dita o ritmo. Qual a importância dele para essa equipe?

A partir do momento em que você tem velocidade, perde precisão. Você não pode exigir de um cara rápido que dite o ritmo, que pare a bola. É diferente. Daí a idéia de usar o Ramon nessa função, um cara que enfia a bola, enxerga o jogo e pára um pouco quando precisa. Ninguém agüenta jogar o tempo todo no mesmo ritmo.

A equipe, principalmente do meio para a frente, está preparada para os desfalques?

Para o lugar do Willians, eu tenho o Jackson. Do lado esquerdo, com o Marquinhos, é mais difícil. Só tenho o Ricardinho, mas com uma característica diferente, por ele ser lento. Tentemos contratar o Nádson, mas não houve acerto. É difícil achar esse jogador no mercado. Temos tentado adaptar o Héverton e o Muriqui nessa função.

A janela de transferências te preocupa?

Até agora não houve nada. Mas tenho ciência de que os bons jogos do Vitória podem fazer despertar esse interesse. Hoje, para tirar alguém do Vitória demandaria um dinheiro alto. O clube precisa da venda e se for bom para todos, tentamos encontrar uma reposição.

Fale um pouco sobre o Marquinhos, para muitos o destaque desse time.

Quando eu cheguei, ele era meia-atacante, às vezes mais na frente. Nos treinos, detectamos que ele se sente bem do lado esquerdo do campo, tem facilidade de entrar em diagonal. Adaptamos o jeito de o time jogar à forma que ele poderia aparecer melhor e estamos muito satisfeitos.

O Marcelo Cordeiro resolveu os problemas na lateral? Ele é indicação sua?

Um diretor nosso indicou e eu fui atrás de informações. Ele estava no Atlético Sorocaba. Então fizemos contatos e as informações foram muito boas. Ele tem me satisfeito muito! Ele tem uma boa postura defensiva e no ataque tem velocidade e muito boa técnica. Nosso setor esquerdo, com ele e o Marquinhos, está muito bem.

Até onde vai esse time do Vitória?

Eu sou comandante e meu objetivo tem que ser o título. Preciso passar isso. Não consigo agir de outra forma, falar que estou satisfeito de chegar em quinto lugar. Lógico que a Série A é muito difícil e que chegar entre os primeiros estaria bom. Mas nós precisamos jogar sempre no nosso limite, ir para cima, em busca do nosso sonho. É preciso arriscar, ser ousado, e é o que temos feito em campo. Por isso, passamos a conquistar bons resultados.

Tem um sabor especial esse trabalho após passar por demissão no Grêmio?

Claro, tem esse sabor sim. Foi muito chato para minha carreira. O Grêmio me tirou dos Emirados Árabes, onde eu vinha bem, e me demitiu após 60 dias, sem justificativas. Nada melhor que um dia após o outro. Mesmo sendo difícil tirar lições daquilo, tem me ajudado bastante.

 

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