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Futebol

29/07 - 08:39

Pré-temporada em águas de bacalhau
Indefinições da justiça e impasses com João Moutinho e Quaresma dão o tom

Trivela.com

LISBOA (Portugal) - O campeonato português da temporada 2008/2009 está previsto para começar nos próximos dias 23 e 24 de agosto. A menos de um mês do início do certame, porém, a justiça desportiva do país ainda não definiu as pendências decorrentes dos resultados da operação “Apito Final”. Engendrada pela Liga de Clubes, a iniciativa, entre outras coisas, sugeriu uma suspensão de dois anos para o presidente do Porto, Pinto da Costa, e o rebaixamento para a segunda divisão do Boavista – algo que traria o Paços de Ferreira para a “primeirona”.

Apesar de os campeonatos da primeira e segunda divisões em Portugal serem administrados pela Liga de Clubes, é preciso que a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) faça a homologação dos resultados da temporada anterior, entre eles, as punições definidas pela Liga. O Conselho de Justiça da FPF reuniu-se no dia 4 de julho para referendar essas punições, mas, como já foi aqui comentado, a reunião teve dois resultados diferentes: cinco membros confirmaram as penas ao Boavista e a Pinto da Costa, mas para o presidente do Conselho de Justiça, António Gonçalves Pereira, a reunião havia sido suspensa muito antes por desentendimentos internos.

Na última semana, foi conhecido o parecer elaborado por Freitas do Amaral, contratado especialmente pela FPF para opinar sobre o imbróglio causado pelo Conselho de Justiça (CJ). O conhecido professor catedrático sugeriu à entidade que acatasse as decisões tomadas no final da reunião do CJ, aquelas que condenavam Pinto da Costa e o Boavista. Mais do que isso, o especialista em Direito Administrativo reconhecia que o CJ estava “ferido de morte” e sem “condições, internas ou externas, para continuar a exercer as suas funções”, donde se fazia necessária a realização de eleições para a escolha de nova composição do órgão.

Indefinições devem estender-se nas próximas semanas

Antes de anunciar seu parecer, Freitas do Amaral era tido unanimemente como uma figura neutra e abalizada para julgar as trapalhadas do Conselho de Justiça da FPF. No entanto, após a divulgação de suas conclusões, a lisura do jurista – que já ocupou o cargo de ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros – passou a ser posta em causa pelo Porto e Boavista. Levemente constrangido perante o resultado do parecer encomendado pela entidade que dirige, o presidente da FPF, Gilberto Madaíl, vai sugerir em assembléia desta segunda-feira (28 de julho) que as punições sejam de fato postas em prática.

O problema agora está no fato de que os envolvidos no caso já interpuseram três providências judiciais no tribunal administrativo de Lisboa – algo que corresponderia no Brasil a recursos na justiça comum. Com isso, o Boavista (principal acusado) poderá retardar qualquer decisão definitiva da justiça desportiva, fazendo com que os campeonatos se iniciem em agosto sem se saber se o clube axadrezado estará ou não na primeira divisão. Em agosto de 2006, outra pendência entre Belenenses e Gil Vicente fez com que o campeonato se iniciasse com um asterisco – e o Benfica ficou sem adversário na primeira rodada. Desta vez, é o Braga que não sabe se enfrentará o Boavista ou o Paços de Ferreira no dia 24 de agosto.

Os imbróglios estendem-se com Moutinho e Quaresma

Para além das indefinições da justiça portuguesa, outras duas novelas prometem capítulos surpreendentes nos próximos dias. A primeira, menos emocionante, é a que envolve o meia-atacante Ricardo Quaresma, principal nome do Porto nas últimas temporadas. O jogador é pretendido pela Internazionale de Milão, que, entretanto, não está disposta a pagar os 40 milhões de euros exigidos pela diretoria dos Dragões. O jogador, apesar de ter sido apresentado à torcida portista no último sábado (26 de julho), não atuou na derrota do Porto em casa por 1 a 0 no amistoso frente ao Celtic.

Já a novela mais tempestiva deve ser a que mantém João Moutinho como protagonista. O jogador, em meio ao Torneio do Guadiana disputado no sul de Portugal, anunciou à imprensa que já havia comunicado ao Sporting sua vontade de sair do clube devido a questões pessoais e de rumar para o Everton, da Inglaterra, que apresentou uma proposta para o clube de Alvalade. De cara, tais declarações não caíram bem junto à diretoria leonina – algo que ecoou também de forma negativa junto aos jogadores e à comissão técnica do clube.

O treinador do Sporting, Paulo Bento, resolveu logo de cara tirar Moutinho do jogo com o Benfica, que decidiu o tal torneio de verão no último domingo. Já a diretoria dos Leões anunciou que não lhe dizem respeito os motivos pessoais alegados pelo atleta, uma vez que não está em causa a relação laboral estabelecida entre as partes. Além disso, para haver uma rescisão de contrato, seria necessário o pagamento da cláusula de 25 milhões de euros (o Everton fez uma oferta de “apenas” 15 milhões). Como se vê, o ambiente até então tranqüilo do Sporting promete dias incandescentes até o encerramento do prazo de transferências no mercado europeu.

Golo de Letra

Sempre que se ouve o gemido

De uma guitarra a cantar

Fica-se logo perdido

Com vontade de chorar

Ó gente da minha terra

Agora é que eu percebi

Esta tristeza que trago

Foi de vós que recebi

(Trecho da canção “Ó gente da minha terra”, de Amália Rodrigues)

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