iG - Internet Group

iBest

brTurbo

 

Futebol

29/07 - 08:39

Herança maldita no Vasco; Fla em perigo
Além do caos administrativo e financeiro, time está com pé na zona de rebaixamento

Trivela.com

RIO DE JANEIRO - Quando Dagoberto pegou o rebote de Sérgio, no Morumbi, e empurrou a bola para as redes da Portuguesa, não foram só os são-paulinos que vibraram. Roberto Dinamite e Antônio Lopes cerraram o punho e vibraram: mesmo sem vencer pelo quinto jogo seguido, o Vasco era beneficiado pela derrota da co-irmã Lusa e se mantinha fora da zona de rebaixamento. Ao menos por enquanto.

Hoje, o Vasco é um time esfacelado e maior favorito, entre os grandes do país, ao rebaixamento. Nem mesmo o Santos, que está nesta condição desde o início do campeonato, parece com tantas dificuldades, já que tem uma equipe razoável. Com elenco frágil e problemas administrativos bastante sérios, uma queda vascaína seria semelhante ao que houve com o Corinthians em 2007.

Se Roberto Dinamite será um bom presidente, ou não, só o tempo vai dizer. O fato é que, hoje, ele não pode ser julgado. A herança deixada por décadas de Eurico Miranda à frente do clube é terrível. Toda a direção vascaína vem sendo reformulada e os novos componentes sequer sabem a situação financeira em São Januário. Ao tomar conhecimento de uma reportagem da Revista Placar de agosto, onde se mostrava a divisão dos direitos de atletas vascaínos, Dinamite se disse surpreso.

Outro sinal da herança de Eurico Miranda é Antônio Lopes. Contratado quatro vezes por Eurico enquanto no Vasco, o treinador faz um trabalho horrível em sua volta à São Januário – tem só nove vitórias em 24 jogos. Raposa velha do clube, Lopes deu de ombros quando Dinamite assumiu. “Tenho contrato, multa rescisória, e quero continuar meu trabalho”, disse, em outras palavras.

Hoje, a multa rescisória de 500 mil reais é o que segura o treinador no clube. Caso se atinja um eventual acordo, Lopes possivelmente deixe São Januário. Resta saber a viabilidade disso. Além de fazer péssimas escolhas, como Beto no clássico contra o Flamengo, ou Jean como titular absoluto, ou Madson como ala-esquerdo, Antônio Lopes não tem extraído o melhor futebol de Leandro Amaral – o único realmente bom no time vascaíno.

A antiga direção vascaína sabia da má fase que já perdura na carreira de Lopes há alguns anos. Ainda que tenha recebido os louros pelo título brasileiro no Corinthians e pelo vice da Libertadores pelo Atlético Paranaense – ambos em 2005 -, o treinador não construiu trabalhos sólidos em nenhum dos dois clubes. Em sua volta ao Furacão, em 2007, levou o clube à zona do rebaixamento. Por Goiás, Coritiba e Fluminense, também teve passagens esquecíveis. Não valia apostar nele.

Outro sinal foram as negociações repentinas de Pablo e Phillipe Coutinho, pelas quais a atual direção, segundo Roberto Dinamite, pouco pôde fazer. Há indícios fortes em São Januário de que Alex Teixeira poderia seguir o mesmo caminho, rumo à Europa, nesta semana. Há, ainda, uma denúncia de que uma série de jogadores das categorias de base vascaínas, pouco antes de Eurico deixar o clube, teriam sido entregues ao São Paulo. 

No caos que paira em São Januário, 46 jogadores diferentes já foram utilizados nesta temporada. Entre os clubes da Série A, apenas Ipatinga, Atlético Paranaense, Vitória e Santos tiveram números maiores. A lista é extensa e vai de veteranos como Beto e Xavier até caricatos como Landu, Abuda e Byro. 

Tradição, presença da torcida, Edmundo, Leandro Amaral, Morais...o Vasco pode, sim, se salvar e até reencontrar bons momentos. Hoje, porém, é preciso abrir os olhos e sair da crise. Não parece fácil. 

Flamengo em perigo

A saída de Souza, no sábado, pegou todos de surpresa. Não que o centroavante fosse uma unanimidade na Gávea. Pelo contrário, pois a complacência com sua secura de gols, a despeito de seu papel como pivô, cada vez mais impacientava os flamenguistas. Mas foi a terceira perda (haviam saído Marcinho e Renato Augusto) para o mesmo setor em pouco mais de duas semanas – e o Fla de Caio Júnior só venceu um de seus últimos cinco jogos.

De acordo com informações do jornalista Paulo Vinícius Coelho, da Espn Brasil, o Flamengo já tem garantidos o meia Felipe e o atacante Vandinho, do Avaí. Outro que chegaria é Eltinho, ex-Paraná. Do mesmo clube, viria o meia Éverton, com parte de seus direitos comprados pela Traffic, mas por quem os paranistas fazem força. O sonho flamenguista é Vágner Love, mas o jogador é sempre um sonho distante para clubes brasileiros. 

Que venham todos os reforços supracitados, e mesmo assim Caio Júnior tem problemas. Afinal, precisará remontar, ao menos, sua dupla de ataque. Talvez com Felipe e Vandinho, ou utilizando Obina ou Maxi, ou quiçá Vágner Love. Até aqui, o Fla é o mais prejudicado pela janela de transferências. E já começa a sentir os efeitos disso nos últimos jogos, sem Marcinho, artilheiro do Campeonato Brasileiro quando saiu. 

Série C: vagas definidas

A primeira fase da Série C se encerrou neste fim de semana. Restam, agora, 32 equipes na luta pelo acesso à segunda divisão. Além disso, essa segunda fase tem papel importantíssimo para definir quais clubes disputarão, em 2009, a terceira divisão por pontos corridos.

Nesta segunda fase, os 32 clubes restantes estão divididos em oito grupos com quatro, onde avançarão os dois melhores. Todos os que se classificarem, então, ficarão garantidos para a Série C de 2009, assim como os quatro melhores terceiros colocados, totalizando 16 times. Excluem-se da lista, claro, os quatro melhores do octogonal final, que jogarão a Série B no ano que vem. Os quatro rebaixados da segundona fecham os 20 componentes da Série C por pontos corridos na próxima temporada. 

Para definir os quatro que subirão para a Série B, os 16 clubes que passarem desta segunda fase disputarão, ainda, outra fase de grupos, chegando então aos oito times do octogal final. Veja como estão os grupos, agora:

- Rio Branco-AC, Luverdense-MT, Holanda-AM e Remo

- Águia de Marabá-PA, Paysandu, Picos-PI e Sampaio Correa-MA

- Campinense, Santa Cruz, Salgueiro e Icasa

- ASA, Confiança, Vitória da Conquista e Sergipe

- Atlético-GO, Mixto-MT, Dom Pedro e Itumbiara

- América-MG, Duque de Caxias, Guaratinguetá e Boavista

- Ituiutaba, Noroeste, Ituano e Guarani

- Toledo, Marcílio Dias, Brasil de Pelotas e Caxias

O terror da janela

Os dias vão se passando e aumentam os desfalques dos clubes brasileiros, atacados por europeus e asiáticos. Souza, que trocou o Flamengo pelo Panathinaikos, foi a maior novidade da semana. A coluna só informa negociações concluídas e, empréstimos encerrados, como os de Adriano e Eduardo Costa, não são incluídos. 

Atlético-MG: Almir (Ulsan Hyundai), Coelho (Bologna) e Danilinho (Jaguares)

Coritiba: Michael

Cruzeiro: Marcelo Moreno (Shakhtar) e Marcinho (Kashima Antlers)

Figueirense: Felipe Santana (Borussia Dortmund)

Flamengo: Souza (Panathinaikos), Renato Augusto (Bayer Leverkusen) e Marcinho (Al Jazira)

Fluminense: Gabriel (Panathinaikos) e Cícero (Fluminense)

Grêmio: Roger (FC Catar) e Rodrigo Mendes (Al-Sharjah)

Internacional: Sidnei (Benfica) e Fernandão (Al Gharaffa)

Palmeiras: Henrique (Barcelona) e Diego Cavalieri (Liverpool)

Santos: Betão (Dínamo de Kiev), Marcinho Guerreiro (Lecce) e Rodrigo Tabata (Gaziantepspor)

São Paulo: Reasco (LDU)

Vasco: Pablo (Zaragoza)

O mundo sem Luiz Fernando Bindi

Esta coluna perdeu um de seus leitores na última terça-feira. O colunista também perdeu um de seus melhores amigos e colaboradores. E o mundo, também, perdeu um grande sujeito. Luiz Fernando Bindi, dono de um coração e um caráter imensuráveis, foi vítima de um enfarte e partiu para o céu, para o lado de Deus, com apenas 35 anos de idade. 

Dono de um trabalho fabuloso como historiador, geógrafo, pesquisador, autor e analista, Luiz Fernando Bindi deixa o jornalismo esportivo mais pobre sem sua presença. Bindi ganhava mais espaço na mídia diariamente, conquistava seus objetivos e servia de exemplo aos mais jovens, como este que escreve. E nos deixou subitamente. Afinal, a vida, como futebol, é uma caixinha de surpresas. Nem sempre boas né, amigo?

Que nós, pobres mortais, possamos tirar lições do extenso legado que Bindi deixou entre seus amigos, como eu, que tenho honra em dizer isso. Que possamos ter sua paz, sua alegria, perseverança, inteligência e caráter sempre presentes por aqui. Caro Bindi, um dia nos encontraremos, te darei novamente aquele abraço, como no último dia 06, quando te vi pela última vez. Pode demorar a ocorrer, mas jamais vou me esquecer. Fique com Deus. 

Leia mais sobre:

> Você tem mais informações? Envie para Minha Notícia, o site de jornalismo colaborativo do iG


Topo