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25/07 - 08:33

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Aos 31 anos, Zé Elias foi contratado pelo Altach para ser um dos principais jogadores da Bundesliga austríaca

Trivela.com

SÃO PAULO - Quando surgiu no Corinthians, em 1993, Zé Elias foi rapidamente alçado à condição de ídolo. Ganhou o apelido “Zé da Fiel” e se transferiu, alguns anos depois, para a Europa, onde defendeu grandes equipes. Depois, no entanto, passou a rodar por diversos clubes e ainda busca a estabilidade em alguma equipe, hoje com 31 anos.

Nesta temporada, foi contratado pelo pequeno Altach, da primeira divisão austríaca, e assinou contrato até maio de 2009. Disputar a Bundesliga da Áustria será uma experiência nova para o atleta, que terá a missão de ser um dos principais jogadores da equipe. Confira a entrevista exclusiva que Zé Elias concedeu à Trivela.

Qual sua expectativa em relação à essa temporada pelo Altach? Como surgiu a chance de ir jogar na Áustria?

A expectativa é a melhor possível. Sei que o Altach é um clube pequeno, mas que me deu uma nova chance na Europa. Espero poder retribuir da melhor forma possível. A oportunidade surgiu quando o clube fez uma proposta oficial por intermédio de um empresário alemão que atua no Brasil.

O que você conhecia sobre o futebol austríaco?

Conhecia um pouco, pois havia jogado contra o Sturm Graz na época da Inter de Milão. E quando estava no Olympiakos, da Grécia, fazíamos a pré-temporada aqui também, quando eram disputados amistosos contra times austríacos.

Em relação à estrutura do clube e da Bundesliga austríaca, é muito melhor do que no Brasil?

A estrutura é muito boa, ainda mais considerando que é um clube que está na primeira divisão há apenas dois anos. A diretoria dá toda a ajuda necessária para o jogador, e aqui o mês tem 30 dias, o que no mundo do futebol atual é um pouco raro. Se comparado ao Brasil, somente times grandes têm uma estrutura melhor.

Como está sua adaptação? O clube tem o Reinaldo, brasileiro de nascimento, mas naturalizado austríaco. Ele te ajuda com o idioma?

Nunca tive problemas em me adaptar, sempre me dediquei a aprender o idioma e como são os costumes do país. Por isso, hoje eu falo inglês e estou recordando o alemão, que aprendi na época do Leverkusen. Sei falar também espanhol e me viro no grego. Além disso, falo e escrevo fluentemente o italiano. Quanto ao Reinaldo, não o conhecia antes de chegar ao Altach, pois ele veio pra Áustria muito novo. Já fizemos uma grande amizade.

O Altach deve brigar para não cair. Você acha que poderia jogar no Brasil na série A ou B?

Na verdade, o Altach deve brigar para ficar na primeira divisão. Seus dirigentes estão aprendendo ainda, mas é um clube organizado e que tem vontade de crescer. A respeito de jogar no Brasil, poderia defender equipes das séries A ou B.

A equipe é a segunda com maior média de idade da Bundesliga. Junto com a sua experiência, você acredita que a equipe pode minimizar a falta de um homem-gol e surpreender?

O clube está procurando um centroavante para solucionar o problema do ataque. Em relação à idade, experiência é sempre bem-vinda.

Você assinou por uma temporada. Planeja voltar ao Brasil ou quer continuar tentando a sorte na Europa?

Eu assinei por um ano com o Altach. Sobre o futuro, pretendo jogar onde tiver uma proposta, independente de ser na Europa ou no Brasil.

Nos últimos anos você não tem conseguido se firmar em algumas equipes, casos de Londrina, Omonia e Guarani. O que tem lhe atrapalhado?

Essa é uma boa pergunta e vou explicar exatamente o que aconteceu em cada clube. No Guarani, eu assinei um contrato e eles, após 45 dias, não cumpriram com o que havia sido acertado. Eu também não podia jogar em outro clube, pois o Campeonato Paulista já havia encerrado as inscrições. Então, só me restou a Copa do Brasil e fiz um jogo pela Série B. Depois, entrei em acordo com eles, pois não me pagaram absolutamente nada. Logo após fui para o Chipre. Cheguei ao Omonia com o time já montado e com o treinador de “rabo preso” com alguns jogadores, pois eles trabalhavam com o mesmo empresário. Mesmo assim joguei 15 partidas e em quase todas fui o melhor do time, fazendo assistências para diversos gols. Quanto ao Londrina, fui contratado faltando seis jogos para o final da primeira fase. Não joguei os dois primeiros, depois fiz uma partida apenas e fui para a Itália receber uma homenagem na festa dos 100 anos da Inter de Milão. Foi isso o que aconteceu.

Após um longo período na Europa, você voltou para o Santos. Como foi sua passagem pelo clube da Baixada?

Jogar no Santos foi uma das melhores coisas da minha vida. Tive a oportunidade de ser campeão brasileiro e de atuar ao lado de grandes jogadores, além de fazer muitas amizades.

Na Europa você jogou em grandes clubes, como Internazionale, Bayer Leverkusen e Olympiacos. Quando foi o melhor momento da sua carreira?

O melhor momento da minha carreira foi a minha passagem por todos os clubes onde joguei. Tenho grandes momentos e recordações em cada um deles.

Acha que poderia ter tido mais chances em algum desses times?

Com certeza na Inter de Milão. Se tivesse feito um gol contra o Manchester United, nas quartas de finais da Champions League em 98/99, e se estivesse com a minha atual esposa, creio que estaria na Inter e na Seleção Brasileira até hoje.

Você estreou muito novo pelo Corinthians e rapidamente se tornou ídolo da torcida, que o apelidou de “Zé da Fiel”. Sente saudades do Parque São Jorge? Mantém contato com o pessoal do clube?

Fui o segundo jogador mais novo a atuar pelo Corinthians. Tenho uma história lá dentro que começou quando eu tinha 5 anos de idade e que durou 14 anos. Saudade sempre vai existir, mas a vida continua. Dos meus amigos do tempo que eu jogava, só ficaram os roupeiros, porteiros e os médicos. No futebol as coisas mudam muito rápido.

E na seleção brasileira, como foi sua passagem?

A seleção é importante para todo jogador. Eu tive uma passagem muito feliz, tive o privilégio de conviver com o Zagallo e com grandes jogadores como Ronaldo, Roberto Carlos e Aldair, entre outros. E foi a seleção que me mostrou para o mundo.

Qual foi o melhor treinador com quem você já trabalhou?

Um dos melhores foi o Márcio Araújo. Afinal, foi ele que me lançou. Tem também o Mário Sergio, o melhor estrategista que já conheci dentro do futebol, e o Luxemburgo, que conhece todos os meandros do futebol.

E o jogador mais difícil de marcar?

Foram dois. Um aqui no Brasil, o Marco Antonio Boiadeiro, que tinha muita forca física e técnica ao mesmo tempo. E o outro foi o Zidane, um jogador simplesmente extraordinário.

 

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