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Futebol

24/07 - 08:26

Valencia: clube empresa de verdade?
Time contrata um dos grandes executivos do país, mas não lhe dá autonomia

Trivela.com

SÃO PAULO - A temporada 2007/8 foi um marco para o Valencia. Um marco negativo. O clube investiu em um elenco recheado para buscar o título da Liga dos Campeões e do Campeonato Espanhol. Depois disso, conseguiu fazer tudo errado: não usou devidamente os jogadores contratados, derrubou técnico em momento inoportuno, contratou um técnico à revelia do elenco, afastou seus principais jogadores, demitiu o técnico e reincorporou ao elenco os jogadores afastados. No final, eliminação patética na LC e até ameaça de rebaixamento em La Liga. Só não foi pior porque veio uma Copa do Rei.

O legado desse ano de trapalhadas foi terrível. O caixa do clube, que não era dos melhores, foi para o buraco. Os investimentos foram feitos na expectativa de bons resultados – e prêmios – em campo. O fracasso gerou dívidas e total desestruturação do departamento de futebol, com falta de autoridade da diretoria e cobrança da torcida. Uma eventual falência não é algo fora de questão.

O clube tenta reagir. E com nome de peso. Não no elenco, mas na diretoria. Juan Soler, sócio majoritário dos ches, indicou Enrique Lucas Romaní como presidente e Juan Villalonga como executivo principal (quem manda de fato). Sinal de ambição. Villalonga fez carreira no setor financeiro, mas ganhou projeção como presidente da Telefónica entre 1996 e 2000, fazendo a transição da empresa recém-privatizada para uma multinacional.

A chegada do executivo dá indicações de medidas duras no Valencia. Villalonga dá um tom ambicioso às empresas que dirigiu. Isso ficou evidente nas primeiras discordâncias entre o atual gestor e Soler, que contratou Villalonga para deixar o clube, mas ainda está apegado ao poder. O primeiro caso foi a estratégia para a recuperação financeira do clube. O executivo sugeriu o lançamento de mais ações do Valencia, o que aumentaria a chegada de investidores.

No entanto, Soler parece reticente. Motivo óbvio: se isso for levado a cabo, ele perde força na divisão societária. Por isso, o ex-dirigente (e ainda detentor de voto decisivo nas decisões do conselho) prefere a venda dos jogadores mais valorizados. Ou seja, Villa e David Silva, além de Joaquín, que anda am baixa com os dirigentes valencianistas. Uma medida que Villalonga não está disposto a aceitar pelo impacto técnico que teria.

Outros atritos, de peso menor, foi o suposto convite ao técnico Luis Aragonés enquanto Unai Emery já estava contratado para a temporada. Essas brigas, e a dificuldade de Soler de “largar o osso”, o Valencia vai por um caminho perigoso. A desorganização política já se aproxima do campo. Jogadores e comissão técnica não sabem qual será a base. Desse jeito, fica difícil armar um time decente. E o Valencia, mais uma vez, poderia ter uma temporada melancólica.

Mallorca britânico

Os investimentos dos britânicos nas ilhas Baleares não se limita a casas de veraneio. Nesta semana, o Mallorca anunciou que está preste a passar para as mãos de um grupo de investidores do Reino Unido. Com isso, poderia equilibrar suas contas, já que o grupo imobiliário Drac, atual dono do clube, tem um passivo de cerca de € 600 milhões.

Vicente Grande, sócio majoritário do Drac, confirmou a assinatura de um pré-contrato com Paul Davidson, líder do consórcio de empresários britânicos. Se os termos conversados forem executados, Davidson pagará € 40 milhões em 1º de setembro para ter direito a 93,6% das ações do Mallorca. Grande continuaria como presidente dos mallorquines por cinco anos.

O acordo ainda depende de uma auditoria que vai apresentar aos britânicos qual a real situação econômica do clube. No entanto, a expectativa é grande, pois esse novo investimento poderia dar novo impulso a uma equipe que já vem em bom momento.

Se a negociação se concretizar, o Mallorca pode ter um final de mercado bastante agitado. O que não é necessariamente bom: o consórcio de investidores não tem grandes referências e pode se tratar de um grupo de aventureiros sem experiência no futebol. Contratações precipitadas não seriam surpresas.

Despedida de Ronaldinho

Ronaldinho deixou uma carta de despedida à torcida do Barcelona. Não é um primor estilístico, mas fica como registro (a tradução é do colunista, mas o negrito é do jogador):

Em primeiro lugar, gostaria de me despedir da torcida do Barça. Sempre senti seu carinho. Fui muito feliz no Barcelona porque sua torcida sempre me transmitiu excelentes sensações. Senti-me acompanhado neste caminho e isso me deu forças em todo os momentos. Diverti-me jogando futebol no Barcelona e gostei de divertir todos os torcedores. Senti-me próximo dos torcedores do FC Barcelona, que sempre me mostraram seu afeto. Fico com o desejo de um dia poder me despedir no Camp Nou.

Estou indo para um grande clube, mas com certa tristeza por deixar os lugares em que fui feliz, em que compartilhamos triunfos e, sobretudo, emoções. Nós brasileiros jogamos futebol também para alegrar aos outros. Esse foi um dos meus objetivos e me dou por satisfeito por tê-lo conseguido.

Também gostaria de agradecer o apoio que encontrei em cada um dos jogadores com que trabalhei junto. Para mim, foi uma honra jogar com futebolistas de tão grande qualidade profissional e humana. Com muitos, não apenas fomos companheiros, mas também, amigos. Fomos um grande grupo e todos tiveram sua parte no êxito do time. Nenhum jogador ganha nada sozinho. Devo agradecer aos meus companheiros e ao clube pelos prêmios individuais que ganhei nessa passagem, especialmente a Bola de Ouro e o melhor jogador do ano pela Fifa. Obrigado porque, aqui, vivi um dos melhores anos da minha vida.

Não gostaria de me esquecer dos técnicos, massagistas, médicos, roupeiros e empregados, porque eles também foram parte do triunfo. Faço também longo agradecimento aos dirigentes que me apoiaram e à imprensa que me acompanhou por todos esses anos.

Saio com os melhores momentos de uma fase excepcional. Recebi muito, muitíssimo. Gostei de ser feliz em Barcelona e com o Barcelona. Guardarei em meu coração tanto afeto. O futebol é um jogo, uma festa, é um esporte para se divertir e para divertir. É preciso jogar o futebol sorrindo. Assim nos entendemos. Obrigado por sorrirem comigo.

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