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Futebol

19/07 - 05:32

Prefeitura millonaria
Governo de Bogotá acerta a compra ações do Millonarios ainda como parte do processo de limpeza do futebol colombiano da influência do narcotráfico

Trivela.com

BOGOTÁ (Colômbia) - Problemas enraizados são muito difíceis de resolver. É exatamente a situação do Millonarios, clube mais popular e com mais títulos da Colômbia. O clube ficou anos sob o domínio de narcotraficantes. E só agora, quase duas décadas depois o ápice de sua crise institucional, dá passos mais definitivos para se tornar independente de fato.

Nesta semana, a prefeitura de Bogotá anunciou que comprará as ações do clube que estão em posse do governo federal. Em teoria, isso não soa muito interessante. Afinal, influência estatal no futebol é algo geralmente nocivo. Ainda mais em países de terceiro mundo, em que a população tem problemas mais sérios para serem resolvidos pelo poder público. Mas o caso do Millonarios é diferente. A prefeitura bogotana se propõe a ser apenas uma intermediária em um processo.

O problema vem desde a década de 1980. Na época, o time era comandado pelo traficante Gonzalo Rodríguez Gacha, conhecido como “El Mexicano” e dono de 30% das ações do clube. Com o dinheiro das drogas, os azuis tiveram um time forte e foram campeões colombianos em 1988. No ano seguinte, caminhavam para o bicampeonato (eram líderes) quando o árbitro Álvaro Ortega foi assassinado pelo Cartel de Medellín (que controlava o Atlético Nacional). O campeonato foi suspenso e o Millonarios perderam a oportunidade de comemorar o título.

No final daquele ano, El Mexicano foi morto pela polícia colombiana. Suas ações do Millonarios foram repassadas a seus familiares. No entanto, o governo sabia que tal participação no clube fora comprada com dinheiro sujo e houve intervenção para confiscá-la. Foram dez anos de disputas na Justiça até que, em 1999, o poder público – via DNE (Departamento Nacional de Estupefacientes) – tomou para si uma parte dos embajadores.

O problema é que, enquanto suas ações foram alvo de litígio, o Millonarios ficou à deriva. O clube acumulou um enorme passivo e os resultados em campo acompanharam a decadência. Depois de saneadas as dívidas, o governo colombiano ofereceu sua participação nos embajadores à prefeitura de Bogotá. A idéia é que o governo municipal tenha condições de negociar adequadamente o controle do clube com empresários locais.

Começa o Finalización na Colômbia

Uma semana depois da decisão do Apertura, a Colômbia já dá início a seu torneio de segundo semestre. Neste fim-de-semana, começa o Finalización (equivalente ao Clausura). O torneio tem o mesmo regulamento do congênere da primeira metade do ano: os 18 clubes se enfrentam em jogos de ida, com uma 18ª rodada com repetecos dos dérbis locais e regionais; os oito melhores formam dois grupos de quatro equipes, que se enfrentam em dois turnos dentro das chaves; o campeão de cada grupo faz a final.

Surpreendente campeão do Apertura, o Boyacá Chicó concentrará muitas atenções. A equipe manteve a base do primeiro semestre, conseguindo, inclusive, manter em Tunja o atacante argentino Caneo. Ainda que não seja um time à prova de erros, já é o suficiente para colocar os boyacences como candidatos ao título.

Apesar das credenciais do Chicó, quem pinta como favorito é o Once Caldas. O clube de Manizales investiu pesado em contratações, trazendo o técnico Jorge Luis Bernal (ex-Cúcuta) e Ciciliano, Mosquera, Jorge Vidal e Ivan Velásquez. Com uma base forte e a vantagem de mandar seus jogos na altitude, os blancos têm condições de recuperar o lugar entre as forças do país.

Outro time sem tanta tradição, mas que ocupa espaço destacado nos últimos anos é o Cúcuta. Os motilones mantiveram a base que fez boa campanha na Libertadores e têm condições de surpreender na primeira fase, ainda que um título seja difícil de imaginar.

Os pequenos e médios mostram força nesse início de torneio, mas isso não significa que os grandes ficaram parados no mercado. O Millonarios contratou o goleiro Óscar Córdoba (ex-Boca Juniors), os defensores Ivan Hurtado e Miguel Rojas e ainda tenta trazer o bom atacante panamenho Tejada. O rival bogotano Independiente Santa Fe investiu bem menos, mais preocupado com o amistoso com o Real Madrid. Assim, os cardenales se limitaram a manter a base que fez boa campanha no Clausura e incorporar o técnico hernán Darío Gómez, ex-seleção equatoriana.

O Atlético Nacional também aparece com novidades. Apesar de perderem nomes importantes como o goleiro Ospina e o atacante Murillo, os verdolagas levaram para Medellín nomes interessantes como Carlos Rentería e John Charía. Como o time já era bom, dá para dizer que o Nacional tem o elenco mais completo da Colômbia no momento. Ainda que nem sempre isso se traduza em resultados.

O Independiente Medellín preferiu investir na comissão técnica. Para o lugar de Juan José Peláez, contratou Santiago Escobar e todo seu staff. O treinador chega com um currículo razoável, que inclui dois títulos nacionais: um pelo Atlético Nacional e outro pelo Estudiantes de Mérida, da Venezuela.

Os grandes que ficaram mais discretos foram os de Cáli. O América manteve a base vice-campeã do Apertura, o que não é uma boa notícia. O clube tem limitações no elenco e sofrerá com a divisão de atenções entre Campeonato Colombiano e Copa Sul-Americana. Situação parecida com a que vive o Deportivo Cali, que manteve o time que fez uma campanha discreta no primeiro semestre e também tem a competição continental pela frente.

Na parte de baixo da tabela, merecem atenção o Deportivo Pereira e o Atlético Junior. Ambos têm sérias dificuldades na tabela do promedio, mas se reforçaram bastante. No Pereira, o destaque é o técnico Luis Fernando Suárez, que ficou conhecido por levar o Equador até as oitavas-de-final da Copa do Mundo de 2006. Na equipe de Barranquilha (o sétimo grande da Colômbia), a estrela é o meia Giovanni Hernández, ex-Colo-Colo.

Considerando que Quindío, Bucaramanga e Envigado vivem dificuldades financeiras e investiram pouco para o semestre, não é inviável imaginar que Pereira e Junior se recuperem no Finalización.

Peñarol e Nacional pertos da Libertadores

Com uma facilidade até inesperada, o Peñarol venceu o Nacional por 2 a 0 no superclásico da Liguilla 2008. O placar não reflete a superioridade dos carboneros, que finalizaram 11 vezes contra apenas três dos bolsos, mas deixa evidente o bom momento que vivem os aurinegros, ainda que as derrotas para o Defensor Sporting na final do campeonato e na Liguilla deixem um gosto meio amargo.

O ponto de desequilíbrio do clássico disputado no Centenário foi o trio Pacheco-Estoyanoff-Carlos Bueno. Os dois primeiros foram imarcáveis para o meio-campo do Nacional. Assim, tinham liberdade para criar jogadas e encontrar Bueno, atacante muito móvel e perigoso, em condições de finalizar.

Os lances de perigo – e os gols – surgiram com naturalidade. Bueno abriu o marcador aos 8 minutos o primeiro tempo. Aos 25 minutos do segundo tempo, o atacante sofreu pênalti convertido por Pacheco. No resto do tempo, o Peñarol só não fez outros gols porque o goleiro Viera estava em tarde inspirada.

Apesar da derrota, o resultado não foi de todo ruim para o Nacional. Como o Defensor Sporting perdeu para o lanterna Rampla Juniors, os bolsilludos mantiveram a liderança da Liguilla, com 7 pontos, empatado com os violetas e o Peñarol. Considerando que os dois melhores – sem contar o Defensor – ganham vaga para a Libertadores, os dois gigantes uruguaios estão em situação relativamente confortável.

Faltando uma rodada, Nacional e Peñarol precisam apenas vencer suas partidas, contra Danubio e Rampla Juniors. Os peñarolistas têm pequena vantagem, pois enfrentam uma equipe já eliminada. O Danubio, com 4 pontos, ainda tem remotas chances (precisam vencer o Nacional e torcer por tropeço do River Plate contra o Defensor para forçar um jogo extra).

Ainda assim, a tendência é que as duas potências do Uruguai disputem juntos a Libertadores. Algo que não ocorre desde 2005. Pensando em longo prazo, ver os grandes recuperarem um pouco de sua força só pode ser encarado como boa notícia.

 

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