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Futebol

18/07 - 15:22

Portuguesa quer Benazzi como um Telê no Canindé

Diretoria da Lusa quer imitar o São Paulo do início da década de 90, onde Telê Santana era o responsável por tudo

Gazeta Esportiva

SÃO PAULO - Com o presidente Manuel da Lupa ao seu lado, Vágner Benazzi teve a sua permanência na Portuguesa ratificada nesta sexta-feira. Muito pressionado pela torcida na virada por 3 a 2 sobre o Náutico, o técnico chegou a pedir demissão, mas a diretoria o convenceu a ficar.

O motivo: repetir trabalho a longo prazo que já teve sucesso nos anos 90 no São Paulo.

“O trabalho que nós fazemos é de planejamento a longo prazo, como o São Paulo fazia. Sempre lembro do trabalho que eles fizeram com o Telê Santana, e é o que queremos. Não adianta um técnico vir, ficar quatro meses e ir embora. Até o outro chegar e conhecer o grupo, o campeonato acabou”, defendeu Da Lupa, satisfeito com o trabalho do seu treinador desde sua chegada, em setembro de 2006.

“Toda essa comissão técnica está conosco há quase dois anos e tem contrato com a Portuguesa até 15 de dezembro e o acordo foi mantido. A Portuguesa pensa diferente. Ele fez um primeiro trabalho com a gente em 2006, ficou para 2007 e agora está com a gente por mais um ano”, continuou o presidente.

Diante da aprovação, Da Lupa teve de usar do carinho que Benazzi na cúpula na reunião realizada na tarde dessa quinta-feira. “Tivemos uma conversa normal. O presidente, toda a diretoria, todos estavam a favor do Benazzi. Durante a reunião, recebemos muitas ligações de diretores, conselheiros, todos pedindo para manter o Benazzi. Até deixamos o Benazzi ouvir alguns”, revelou o mandatário.

Feliz com o esforço de sues chefes por mantê-lo no cargo, o técnico promete fidelidade eterna aos cartolas lusitanos. “Quando eu sair, podem ter certeza que não vou reclamar de nada da Portuguesa nunca. Podem me cobrar. Se quiserem me entrevistar para falar mal, nem dou entrevista. Aqui fui muito bem recebido e ouvido também. Não foram só coisas impostas a mim, discutiram comigo”, enalteceu. “Só saio da Portuguesa antes de acabar o meu contrato se perceber que não estou conseguindo fazer o clube ser vencedor. Não quero atrapalhar a Portuguesa”.

Com Benazzi mantido, a Lusa acredita que prova sua meta de se tornar um clube grande. Após cinco anos na Série B do Brasileiro, incluindo uma passagem pela segunda divisão paulista, o clube definiu 2008 como a temporada para voltar a se firmar no futebol nacional.

“O Benazzi é o técnico mais vencedor da Portuguesa nos últimos anos. Tudo no clube está diferente e nós queremos que a Portuguesa seja grande. E não grande só no papel, tem que chegar entre os quatro, ser campeão. Se não, estamos aqui para quê?”, bradou Da Lupa. “Para se ter idéia, de todos que foram para Ipatinga, só Flamengo e Portuguesa vão de vôo fretado. A torcida tem que pensar grande também”.

Em total concordância com seu chefe após o prestigio, Benazzi exalta as diferenças que diz encontrar no Canindé em relação ao que visto em outras equipes. “Vejo muitos treinadores reclamarem de diretor, mas nunca vou fazer isso. Na Portuguesa é diferente. A sala de reunião não fica em silêncio, todo mundo fala. Mas claro, quem define sempre é o presidente, o Benazzi não manda nada”, avisou o técnico, em meio aos muitos elogios que destinou a seus superiores.

“Agradeço à diretoria pelo voto de confiança para a nossa comissão técnica trabalhar, já trabalhamos há dois anos e conseguimos bons resultados aqui. Tenho uma dívida muito grande com o presidente Manuel da Lupa. Cansei de ver meu presidente na fase ruim fechar o vestiário e falar: ‘nada aconteceu aqui, é coisa do jogo’”, contou.

O comandante rubro-verde, entretanto, sabe que a concordância da diretoria não é eterna. “O profissional de futebol, tanto quanto em qualquer outra profissão, precisa ter um bom serviço”.

E, mesmo com a forte pressão de quarta-feira, Benazzi não se arrepende de ter recusado convites como o do Botafogo. “Tive propostas, não vou negar, mas não vou comentar nenhuma. Só digo que não me arrependo de nada que fiz na minha vida. Vocês viram no treino de hoje (sexta-feira) que estou muito motivado. E estou motivadíssimo mesmo”, garantiu.

Apoio do elenco – Em meio às exaltações que fez aos diretores que o mantiveram no Canindé, Benazzi também aproveitou para mostrar que tem o grupo nas mãos, lembrando que, após a vitória sobre o Náutico conquistada com um gol nos acréscimos, saiu de campo abraçado por todo o elenco.

“Essa energia vem do grupo mesmo. Não existe discórdia entre os jogadores, todos têm chances. O Ediglê mesmo nem estreou e estava lá comemorando com a gente”, lembrou. “Aprendi na Portuguesa que os jogadores são sempre o ponto fraco. Se eles não querem, não adianta fazer nada porque nada vai acontecer”, ensinou.


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