iG - Internet Group

iBest

brTurbo

 

Futebol

18/07 - 10:11

Panathinaikos, o novo protagonista
Clube centraliza as atenções do mercado de verão na Super League

Trivela.com

ATENAS (Grécia) - Não há como negar. O grande nome da temporada de verão da Grécia é o Panathinaikos. Foram anos escondidos na mediocridade, já que os Trifilis não chamavam a atenção da imprensa nem se comparados à opulência do Olympiacos, nem à crise/recuperação dos rivais atenienses do AEK e dos tessalônicos do PAOK. Mas finalmente os holofotes voltam a focalizar o clube mais tradicional da península nesta entre temporada, despertando a inveja dos rivais.

Não é para menos, mas já era esperado. A mudança na direção do PAO indicava que alguma atitude nesta direção seria tomada nesta temporada. Afinal, era justamente esta mudança que o grupo de empresários que se somou à Giannis Vardinogiannis no poder do Panathinaikos cobrava da direção anterior.

Um pouco sobre a gestão dos clubes gregos. As diretorias dos clubes gregos costumam se dividir em divisões especializadas nas importantes modalidades, não concentrando esforços apenas no futebol. Assim, existe uma diretoria específica para cada modalidade, e cada uma tem independência para definir as suas prioridades.

Isto acontece porque na Grécia a preferência do público pelo futebol não é tão acentuada quanto temos por aqui. Assim, modalidades como basquete, atletismo e vôlei também recebem grande atenção, e, por isso, os clubes multi-esportivos se dividem em diversas diretorias de forma mais acentuada da que acontece em terras brasileiras.

Por exemplo, no Panathinaikos há diretorias diferentes para controlar o clube de futebol e o de basquete, por exemplo. No futebol, historicamente a direção é controlada pela família Vardinogiannis, que detém a maioria das ações. Enquanto isso, as outras seções são comandadas pela família Giannakopoulos, que comandam as divisões de vôlei, basquete e a de esportes amadores.

Diferentemente do que acontece com o futebol, o Panathianikos é uma das potências do basquete europeu, e tem uma dominação nacional análoga ao que o Olympiacos tem construído no futebol. O Panathinaikos levantou um título continental (Euroleague) no ano passado e, nos últimos onze campeonatos nacionais, conquistou dez títulos.

Os irmãos Giannakopoulos (Pavlos e Thanassis) são os acionistas majoritários do clube de basquete, que, graças aos investimentos, chegaram a contratar jogadores famosos da NBA (liga norte-americana de basquete), como Dominique Wilkins e Byron Scott.

Pois bem. Não era isso que se via no clube de futebol, gerido por Giannis Vardinogiannis desde o começo dos anos 1990. Tradicionalmente, o Panathinaikos sempre se posicionou como um clube descobridor de talentos, que tem uma das categorias de base mais fortes da península grega.

O Centro de Treinamentos de Paiana, na região da Ática, é considerado o maior centro de desenvolvimento de jogadores da Grécia, e sempre foi tratado por Vardinogiannis como o seu xodó. Tanto que nomes como o de Giorgios Karagounis e Antonios Nikopolidis, por exemplo, surgiram por lá.

Paiana era (e é) importante para o PAO. Mas apenas os talentos locais não conseguiram suprir um clube grande como o Panathinaikos. Se sempre se formavam bons times, nunca se chegava ao ponto do clube verde fazer frente aos reforços internacionais do Olympiacos, trazidos com a ajuda da fortuna de Sokratis Kokkalis.

E, enquanto os rivais alvirrubros enchiam a sua sala de troféus, o Panathinaikos tinham que se contentar com um time mediano, que não conseguia fazer frente e disputar os títulos. Foi isso o que permitiu que o Olympiacos, que tinha um equilíbrio de forças com o Panathinaikos no número de conquistas nacionais, disparasse na última década.

Além disso, em outros momentos, os erros da direção do clube também frustraram os seus torcedores. Um bom exemplo disso foi o time que conseguiu quebrar a série de sete títulos consecutivos do Olympiacos, campeã da Alpha Ethiniki 2003/4, desmontada no fim da mesma temporada por ter sido derrotada em casa pelos rivais alvirrubros. Assim, jogadores como Antonis Nikopolidis, que antes defendiam as cores do clube verde, foram parar em outros clubes –no caso do goleiro, no arqui-rival.

Para mudar este cenário, um aumento no investimento de montantes nunca antes vistos pelo lado verde da capital grega. E uma mudança de atitude com relação aos investimentos feitos pelo clube tem sido vista em Ambelokipi (bairro central de Atenas, sede do Panathinaikos).

Assim, ao invés da política anterior, para a temporada 2008/9 estão sendo contratados nomes com mais peso internacional para reforçar o elenco dos Prasinoi. Um bom exemplo para este maior apetite verde é a contratação de Gilberto Silva, que até o momento é o grande nome do mercado grego.

Talvez Gilberto Silva não seja exatamente o jogador na posição em que o Panathinaikos esteja mais necessitado em campo. Afinal, teoricamente, ele ocuparia a mesma faixa de campo de outro brasileiro, Marcelo Mattos. Mas mostra a mudança de atitude da direção dos Trifilis. Se antes um investimento em um jogador campeão do mundo era algo impensável para a diretoria verde, agora não parece ser algo tão absurdo assim.

Gilberto é o exemplo principal. Mas a ida dos verdes ao mercado tem sido bem ruidosa. Além do técnico Henk ten Cate (ex-Chelsea), os verdes contrataram Cleyton Silva (Larisa) e Lázaros Christodoulopoulos (PAOK), destaques da última Super League, vencendo a concorrência do Olympiacos. Os dois são típicos jogadores que, em tempos anteriores, iriam reforçar o rival alvirrubro –destaque no campeonato nacional anterior.

E sem contar rumores, como o teórico interesse por Gael Givet e Andre Ooijer, integrantes de seleções badaladas como a francesa e a holandesa. Se não dão certeza de nada, pelo menos indicam que mudou alguma coisa em Atenas. Este é apenas o início da mudança. É o que a torcida verde de Atenas espera.

Leia mais sobre:

> Você tem mais informações? Envie para Minha Notícia, o site de jornalismo colaborativo do iG


Topo