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Futebol

15/07 - 08:31

São Paulo e Flamengo, moral pós-clássico
Times passam com sobras por Palmeiras e Vasco e ganham força para arrancar no Campeonato Brasileiro

Trivela.com

SÃO PAULO - São Paulo e Flamengo entraram na 11ª rodada pressionados. Os são-paulinos, pelo futebol ruim contra Ipatinga e Náutico. O Fla, a despeito da liderança, em razão dos episódios envolvendo Bruno e Marcinho e garotas de programa em Belo Horizonte na última quarta-feira. Não que as fases de Palmeiras e Vasco sejam maravilhosas, mas as atuações dos vitoriosos foram convincentes a ponto de trazer grande moral. 

Diante um Vasco desorganizado e cheio de atacantes mais uma vez, o Flamengo sobrou no Maracanã lotado, com o melhor público do Campeonato Brasileiro até agora. Sentados lado a lado, Roberto Dinamite e Márcio Braga assistiram a um constrangedor domínio rubro-negro. Com a vitória tranqüila, por 3 a 1, o Fla volta a abrir cinco pontos na liderança e tem jogos não muito duros nas próximas rodadas.

Caio Júnior voltou a posicionar o Flamengo com três zagueiros, acionando o júnior Airton para atuar ao lado de Fábio Luciano e Angelim. Se Léo Moura esteve fisicamente mal, Juan sobrou e venceu, com sobras, o duelo com Wagner Diniz. Em um dos primeiros embates, o lateral rubro-negro foi derrubado pelo vascaíno dentro da área, encaminhando o gol de Ibson, de pênalti.

Um Flamengo seguro, com toque de bola, controle de meio-campo e marcação firme aos jogadores de frente do Vasco seguiu em melhor condição no clássico. Se Marcinho não foi bem, Souza mostrou-se providencial voltando ao lugar de Obina. Prendeu a bola no ataque, chamou os zagueiros adversários para os lados do campo e se revelou bastante útil. Em um lance assim, Juan rolou para Cristian fechar o placar e abafar uma discreta reação vascaína pós-intervalo. 

O Vasco mostrou que seu torcedor deve se preocupar. Uma atuação bastante discreta, um time desarrumado, com muitos problemas na defesa e um meio-campo que, jamais, pode ser comandado pelo veterano e ex-profissional Beto. Morais foi uma ausência sentida, mas se Lopes continuar colocando tantos atacantes, sobretudo em jogos mais equilibrados, vai estourar a bomba em uma retaguarda insegura. Foi assim contra o Figueirense, foi assim novamente no clássico. 

Se houveram problemas, o Fla os deixou em Belo Horizonte. Venceu com sobras, em nova demonstração de força para abrir cinco pontos de vantagem mais uma vez na ponta.

No Morumbi



Vanderlei Luxemburgo esperava um São Paulo com três zagueiros, pressionando pouco seus volantes. Sem Pierre, optou pelo meio-campo ofensivo com Léo Lima e Martinez como marcadores. Muricy pensou diferente. Veio com dois beques e dois meias - o velho e bom 4-2-2-2. E engoliu o Palmeiras no primeiro tempo, forçando o jogo pelos dois lados, abafando a saída de bola alviverde e sobrando no Morumbi.

O suposto salto que se esperava do São Paulo após vencer o Flamengo no Maracanã pode, enfim, acontecer. O time de Muricy Ramalho ainda é sétimo, mas só está a quatro pontos do vice-líder, ainda que tenha um jogo duro contra o Vitória no meio de semana. 

O Palmeiras de Luxemburgo oscila muito, deixou o campo cabisbaixo e precisa tomar algumas decisões. A principal delas é em torno de Valdívia, que faz um Brasileiro pífio e não se sabe se sai ou não. Mesmo sem uma marcação dura, o Mago foi pálido no clássico. A defesa, sem Henrique, é fraquíssima, e padece com os limitados Jéci e Gladstone. Na proteção à defesa, o Verdão precisa de Pierre – e mais alguém para ajudá-lo. Ontem não teve nada disso.

Em campo, foi um São Paulo muito mais organizado, determinado e com impressionante vigor. Hernanes voltou a distribuir o jogo a partir da intermediária, com maestria. No primeiro gol, é ele quem vê Leandro desatento e lança Jorge Wagner para assistir André Dias. Dagoberto, péssimo na finalização, se deslocava bem e abria mais espaços pelos lados. Assim, o time de Muricy foi muito melhor.

Após o intervalo, Luxemburgo tentou de tudo e abriu ainda mais a sua equipe. Até Evandro, meia-atacante de origem, virou lateral-direito no fim da partida. De nada adianta se não tem articulação. Valdívia, como dito, foi muito mal. Diego Souza, mais uma vez, foi o Diego Souza lento e discreto de sempre. Se a bola não chega, Alex Mineiro e Kléber pouco fazem. Melhor para o São Paulo, de grande jornada no Morumbi. 

O que é que o Vitória tem?



Ninguém, entre os clubes da Série A, utilizou tantos jogadores quanto o Vitória em 2008. O clube, que começou a temporada com Vadão, já testou 51 atletas ao longo da temporada. Se até outro dia isso era motivo de preocupação, agora o Barradão respira em paz: Vágner Mancini pôs fim às bagunças e deu um time titular ao Vitória. Hoje, é o 4º colocado no Campeonato Brasileiro após onze rodadas e a maior sensação neste início de competição.

É verdade que teve a invencibilidade quebrada pelo Fluminense, no sábado, mas o Vitória fez uma grande partida no Maracanã. Empregando suas características, teve maior domínio de jogo durante dois terços da disputa e acabou caindo após boas mexidas de Renato Gaúcho. Nesse caso, vale dizer que a derrota foi um detalhe pequeno perto da força que vem demonstrando o Leão. Porém, o caminho rubro-negro na temporada é escrito por linhas tortas. 

A imagem que se tem do Vitória como um clube organizado é desfeita, em 2008, pela dificuldade que a direção teve de organizar para a temporada. Vadão já não era uma unanimidade desde o ano passado, mas foi mantido à frente do clube até o final de março. Mesmo no frágil Campeonato Baiano, o treinador não convencia. E perdeu o cargo após ser derrotado pelo Paraná Clube na Copa do Brasil, deixando a marca ruim de sete derrotas e dois empates em 22 jogos, mesmo diante de adversários limitados nos primeiros meses. Em campo, várias formações foram testadas. 

Vágner Mancini assumiu o posto de Vadão e pouco a pouco foi moldando o time ao seu gosto. Aos trancos e barrancos e sem convencer muito, conquistou o estadual, importante para dar fôlego ao seu trabalho no Barradão. Com alguns reforços que foram chegando, especialmente Renan, Marco Aurélio, Marcelo Cordeiro e Dinei, mudou pouco a pouco a postura do Vitória. Já na estréia contra o Cruzeiro, quando foi batido por 0 a 2, notava-se uma evolução. 

Nos últimos jogos, começou a encantar e escalar a tabela. Bateu o Internacional com sobras, goleou o Goiás, venceu a Portuguesa com direito ao segundo gol mais rápido da história do Brasileiro e ainda enfiou 5 a 2 no Botafogo, decretando a demissão de Geninho. Em quatro rodadas, subiu da décima para a segunda colocação, em grande velocidade.

Velocidade, aliás, é a maior característica do Vitória de Mancini. Empregando o cada vez mais em voga esquema do 4-2-3-1, a equipe baiana é pura eficiência e terror para os adversários. Em um futebol onde normalmente as equipes têm laterais ofensivos, jogar com Marquinhos e Willians Santana abertos, como externos, é sinônimo de oportunidades criadas a todo instante. Os dois meias, habilidosos e extremamente ensandecidos, vivem um momento especial no início de carreira. São, aliás, revelados pelas categorias de base do clube. Mais enfiado, o também perigoso Dinei vem tão bem quanto no Guaratinguetá.

Aos 36 anos de idade, Ramon Menezes vai jogando o fino da bola. Após pelo menos duas temporadas apagadas e muito perto da aposentadoria, o meia voltou a viver grandes dias no Barradão, onde brilhou há 14 anos antes de ir para a Europa. É quem pensa o jogo e freia a garotada corredora do ataque. Experiência também têm Renan e Vanderson, dois volantes pegadores, práticos e eficientes para o primeiro passe.

O sistema defensivo, que sofreu 10 gols em 11 jogos, é o segundo melhor da competição e conta com o colombiano Viáfara, os experientes Marco Aurélio e Leonardo Silva e os ótimos Anderson Martins, zagueiro e prata-da-casa, e o ofensivo e perigoso Marcelo Cordeiro, ótima descoberta para a lateral-esquerda no interior paulista. 

As duas últimas grandes campanhas do Vitória no Brasileiro, em 93, quando foi vice-campeão, e em 99, quando foi quarto colocado, tinham justamente essas marcas. Times velozes, agradáveis e com vários jogadores formados em casa. A receita se repete. Basta ver o resultado no dia 07 de dezembro, quando se encerra a edição de 2008. Há, ainda, muita água e bola para rolar, mas o time de Vágner Mancini, hoje, é a grande surpresa positiva da competição. 

O terror da janela



A coluna informará, até o fim da janela de transferências na Europa, os jogadores importantes que deixaram o Campeonato Brasileiro. Lembrando que só valem os negócios confirmados e que jogadores que estavam emprestados por clubes europeus, como Adriano, também não entram na lista.

Atlético-MG: Coelho (Bologna)

Cruzeiro: Marcelo Moreno (Shakhtar) e Marcinho (Kashima Antlers)

Figueirense: Felipe Santana (Borussia Dortmund)

Flamengo: Renato Augusto (Bayer Leverkusen)

Fluminense: Gabriel (Panathinaikos)

Grêmio: Roger (FC Catar)

Internacional: Fernandão (Al Gharaffa)

Palmeiras: Henrique (Barcelona) e Diego Cavalieri (Liverpool)

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