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Futebol

12/07 - 05:27

Quem foi quem
Veja que jogadores e técnicos mais se destacaram no primeiro semestre do futebol sul-americano

Trivela.com

SÃO PAULO - Ainda faltam duas rodadas nos Aperturas boliviano e peruano e uma na primeira etapa do Equatoriano, mas todos os campeões do primeiro semestre na América do Sul já são conhecidos. Como já tem campeonato de segundo semestre começando (caso do Clausura chileno), não dá para perder muito tempo. Assim, esta coluna, como faz tradicionalmente, montou sua seleção dos melhores jogadores da América do Sul no semestre.

Só para ratificar os critérios já tradicionais: contam apenas o desempenho nos campeonatos nacionais (a Libertadores tem outra equipe ideal) e não entram jogadores que atuem em Brasil e Argentina, pois esses países têm suas próprias colunas na Trivela. Além disso, o item mais forte na “eleição” é a importância do jogador para a campanha de sua equipe e o modo como ele se destacou no campeonato. Assim, é possível equiparar ligas nacionais de níveis técnicos diferentes.

Manuel Sanhouse (Deportivo Táchira)

O experiente goleiro foi fundamental na excepcional campanha do Deportivo Táchira no Clausura venezuelano. Ainda que não seja um goleiro dos mais seguros, compensou pelo espírito de liderança, importante para dar consistência defensiva a uma equipe quase imbatível no futebol doméstico na primeira metade de 2008.

Ronald Rivero (Universitario-BOL)

Na falta de um grande lateral-direito, a seleção fica com três zagueiros e um lateral-esquerdo na linha defensiva. A retaguarda começa com Rivero, bom no jogo aéreo e figura mais importante da defesa do Universitario de Sucre, disparado o time menos vazado do Apertura boliviano (sofreu apenas 12 gols em 20 jogos, exatamente a metade do Bolívar, segunda melhor defesa do torneio). Destacou-se tanto que passou a ser convocado pela seleção boliviana.

Andrés Lamas (Defensor Sporting)

Lamas teve um desempenho discreto durante o Clausura uruguaio. Aliás, o Defensor Sporting foi discreto, pois já tinha vaga assegurada na decisão (havia vencido o Apertura no final de 2007) e precisava apenas administrar a pontuação na classificação anual. Mas, na decisão da temporada contra o Peñarol, o zagueiro foi fundamental. Na partida de ida, abriu o marcador. Depois, ajudou a manter a vantagem de 2 a 1, anulando um ataque que vinha em grande forma. Na partida de volta, outro grande desempenho e um 0 a 0 que deu aos violetas o quarto título nacional.

Isaac Mina (Deportivo Quito)

Com a LDU Quito usando o time reserva em várias partidas do Equatoriano, abriu-se espaço para o Deportivo Quito dominar a primeira etapa. Os azulgranas tiveram o melhor ataque da competição (méritos para o artilheiro Mandra) e a segunda melhor defesa. Neste último caso, os créditos vão em boa parte para Mina, zagueiro que pode jogar na lateral esquerda e ajudou a formar uma barreira à frente do goleiro Ibarra.

Mauricio Arias (Everton)

Nem a direção evertoniana esperava que o lateral-esquerdo vindo do Huachipato daria tão certo. Arias deu nova cara ao lado esquerdo do time de Viña del Mar, que pasosu a ganhar fluidez por aquele setor do campo. O desempenho de Lauchi foi tão bom que lhe valeu uma ida, por empréstimo, ao River Plate.

Víctor Cáceres (Libertad)

Como já ocorrera em 2007, o volante foi o ponto de equilíbrio do Libertad. Bom na marcação e eficiente quando avança um pouco, Cáceres é cotado para deixar o Paraguai em breve (já foi especulado como reforço palmeirense). A péssima campanha na Libertadores acabou ofuscando um pouco a temporada dos repolleros, que dominaram de modo constrangedor o Apertura paraguaio.

Mayer Candelo (Universitario-PER)

O colombiano foi o cérebro do Universitario. Com critério na distribuição das jogadas e muita habilidade, o meia descobriu o bom futebol que havia se perdido nos últimos anos. Candelo foi o melhor jogador do Apertura peruano e sua permanência é vista como fundamental para os cremas na Libertadores 2009.

Cristián Canío (Everton-CHI)

Meia que sabe ir ao ataque e concluir. Foi assim que Canío se tornou o principal jogador do Apertura chileno e, mais que isso, foi decisivo para o Everton na semifinal contra a Universidad de Chile e na final contra o Colo-Colo, sobretudo pelas jogadas que articulou ao lado do atacante Miralles. É só uma pena que não tenha explodido antes. Com 27 anos, terá menos oportunidade fora de seu país.

Robert Flores (River Plate-URU)

Principal revelação do futebol uruguaio nessa primeira metade do ano. Meia técnico, tem boa visão de jogo e pinta como grande armador (ou “enganche”, como dizem no Uruguai). Flores já faz parte da seleção uruguaia e seu bom futebol lhe valeu uma transferência para o River Plate argentino.

Carlos Bueno (Peñarol)

Atacante de técnica limitada, que não deu certo em Paris Saint-Germain, Sporting e Boca Juniors. Pelo visto, seu talento é movido a uma refeição com chivito e vinho Tannat ao som de candombe ou murga. Foi só voltar a seu país para o futebol do centroavante reaparecer. Bueno não foi um gênio, mas foi o atacante eficiente e oportunista que o Peñarol precisava para ter confiança na luta ferrenha contra River Plate e Nacional pelo título do Clausura.

Miguel Caneo (Boyacá Chicó)

O atacante foi o toque de talento extra que permitiu ao Boyacá Chicó surpreender a Colômbia com seu primeiro título nacional. O argentino se tornou o artilheiro do Apertura e terminou a competição como melhor jogador do torneio. Até por isso, é difícil que permaneça em Tunja.

T: Nelson Acosta (Everton-CHI)

Constantemente desacreditado, Acosta reapareceu em grande estilo. Foi contratado pelo Everton, clube com o qual tem estreita relação, para comandar um processo de recuperação. A idéia era fazer algo melhor que a última posição do Clausura 2007. Mas o técnico exagerou. Cirou um time extremamente competitivo para os padrões chilenos e acabou coma seqüência de quatro títulos seguidos do Colo-Colo. Melhor ainda: goleando o Cacique por 4 a 1 na final.

Seleção da Libertadores

Como o clima é de seleções e retrospectiva, veja a explicação mais detalhada para a seleção da Libertadores da coluna, publicada na semana passada. Atenção: esta é a equipe ideal da coluna, não a do site. Para saber a seleção da equipe Trivela, clique aqui.

Guillermo Ochoa (América-MEX)

Se não fosse pelo goleiro, o América nem teria passado pela primeira fase. Apesar da falha decisiva no jogo de dia das semifinais contra a LDU Quito, Ochoa apresentou um enorme repertório de malabarismos para impedir que a bola passasse por ele. Nenhum outro goleiro da competição foi tão decisivo no resultado final de sua equipe.

Adrián González (San Lorenzo)

Na falta de grandes laterais-direitos, Adrián González foi uma feliz exceção. Meia-direita de formação, González jogou parte da competição recuado. Mesmo de trás, impôs sua liderança como capitão e símbolo do San Lorenzo. Sua participação, ainda que discreta para os torcedores, ajudou a conduzir os curvos em sua sofrida campanha.

Thiago Silva (Fluminense)

Apesar de jovem, já é um grande zagueiro. Tem porte físico, colocação, velocidade e capacidade de recuperação. Falta um pouco de experiência em alguns momentos, como ficou evidente em algumas precipitações nas finais da Libertadores. De qualquer modo, a atuação contra o São Paulo já lhe tinha crédito o suficiente para ficar como melhor defensor do torneio.

Diego Colotto (Atlas)

Como o Atlas não enfrentou equipes brasileiras, Colotto ficou longe dos olhares por aqui. Mas merece um lugar na seleção da Libertadores. O zagueiro argentino mostrou critério para se colocar dentro da área, tem boa antecipação e sabe se posicionar na área adversária quando apóia.

Júnior César (Fluminense)

Foi uma das principais alternativas ofensivas do Fluminense na Libertadores. Os avanços de Júnior César pela esquerda ajudaram a desafogar o sistema de armação e a abir um pouco o jogo. Defensivamente, não está entre os melhores laterais, mas teve bom desempenho marcando Guerrón na partida de volta da final. E pensar que o Fluminense contratou Gustavo Nery no começo do ano...

Patricio Urrutia (LDU Quito)

Líder do meio-campo da LDU Quito, a capacidade de marcação de Urrutia ajudou a dar estabilidade a um time ofensivo por vocação. Considerando o bom desempenho da equipe, inclusive a relativa segurança defensiva, vê-se que o volante foi bem sucedido.

Jorge Wagner (São Paulo)

Na apagada campanha são-paulina, Jorge Wagner e Adriano formaram uma dupla funcional. O primeiro cruzava com precisão e o segundo completava par ao gol. Essa fórmula empurrou o Tricolor até as quartas-de-final, um desempenho até razoável pela baixa qualidade do futebol apresentado. Como Jorge Wagner ainda apresentou boa capacidade de ocupar o setor esquerdo e sua saída era bastante sentida, ele acaba cavando uma vaga na seleção do campeonato.

Thiago Neves (Fluminense)

Durante boa parte da campanha do Fluminense, Thiago Neves foi ofuscado pelo companheiro Conca. Até as quartas-de-final, contra o São Paulo. A partir daí, Neves assumiu para si o protagonismo. Teve boas atuações contra o Boca Juniors e, principalmente, carregou o Tricolor nos duelos contra a LDU Quito. O fato de ser o primeiro jogador a marcar três gols no jogo final de uma Libertadores já seria suficiente para colocá-lo na seleção do torneio.

Juan Román Riquelme (Boca Juniors)

O mau desempenho do meia contra o Fluminense deixou um gosto de decepção. Nada mais injusto. Riquelme passou todo o primeiro semestre com problemas físicos, mas, quando pôde jogar, foi fundamental para conduzir o meio-campo do Boca. Foram suas jogadas que permitiram a Palermo e Palacio estar entre os principais atacantes do continente no ano.

Joffre Guerrón (LDU Quito)

Considerando que a LDU Quito foi a campeã da Libertadores, Guerrón foi o principal jogador do torneio. Driblador, rápido e forte, caía pela direita como um ponta, atrapalhando a marcação dos adversários e abrindo espaço para os companheiros fecharem pelo meio. Ainda há dúvidas se seu futebol vingará na Europa, até porque mostrou falhas na finalização. De qualquer modo, para a Libertadores 2008, Guerrón foi mais do que ideal para as necessidades da LDU.

Salvador Cabañas (América-MEX)

O Brasil descobriu Cabañas. Foi só o rechonchudo atacante paraguaio ajudar na eliminação de Flamengo e, depois, Santos, que a imprensa brasileira passou a tratá-lo como uma mistura de “matador infalível” com personagem folclórico. No entanto, Cabañas já é um dos principais atacantes das Américas há anos. O oportunismo mostrado na Libertadores apenas confirmou tal condição.

T: Edgardo Bauza (LDU Quito)

O 4-2-3-1 que se transforma em 3-3-3-1 ou 3-3-1-3 da LDU Quito deu incrível mobilidade tática e capacidade de se adaptar ao adversário. Tudo isso saiu do trabalho do argentino Edgardo Bauza, que conseguiu, desse modo, superar a inferioridade técnica de sua equipe para levá-la a um inédito e surpreendente título da Libertadores.

Acredite, o Boyacá Chicó é campeão

A Colômbia volta a se curvar a um time pequeno. Depois dos títulos de Deportivo Pasto e Cúcuta em 2006, o Atlético Nacional foi bicampeão em 2007 e parecia recolocar os grandes no controle do futebol colombiano. Pois, em 2008, o Apertura mostrou como os times de menos tradição estão crescendo no país. Na final contra o gigante América de Cali, o Boyacá Chicó conquistou seu primeiro título nacional.

Pelas duas partidas da decisão, o resultado foi justo. Os ajedrezados tinham a vantagem de jogar a segunda partida em casa pela melhor campanha na primeira fase. Tal superioridade foi confirmada em campo, ainda que os dois jogos tenham terminado em 1 a 1.

O Chicó foi melhor que o América nos dois duelos. Os boyacences encararam com mais naturalidade a responsabilidade de disputar um título, algo que foi pesado para o jovem elenco caleño, ainda mais porque os diablos passam por grave crise financeira e um troféu ajudaria a dar fôlego ao processo de recuperação. Quem mais sentiu isso foi o promissor atacante Adrián Ramos, que teve uma atuação péssima na partida de volta, em Tunja.

Um sinal de como o Chicó parecia sempre com a situação sob controle foi que, em ambos os encontros, saiu na frente. Além disso, no jogo de volta, a vitória parecia certa quando uma falha da zaga permitiu ao América fazer um gol puramente ocasional.

Com dois empates, a decisão foi para os pênaltis. Novamente, os boyacences tinham mais controle sob seus nervos. A equipe de Tunja converteu todas as suas cobranças, enquanto que o América viu Ramos e Arango errarem o alvo. Final: 4 a 2 para os ajedrezados.

Com esta conquista, o Boyacá Chicó assegurou sua segunda participação seguida na Libertadores. Mas, ao contrário do que ocorreu em 2008, no ano que vem, os boyacences terão vaga direta na fase de grupos. O que possibilita que o clube tenha um pouco mais de segurança para pensar em um plano de reforma do acanhado estádio La Independência.

Hoje, o local não tem condições de receber um jogo de Libertadores. A diretoria já fala em ampliação e modernização, mas a obtenção de recursos não é das mais fáceis. Assim, o próprio clube diz que é forte a possibilidade de, novamente, o time realizar as partidas em casa no El Campín de Bogotá.

Universitario campeão, parte 2

Era questão de tempo para o Universitario de Sucre repetir o feito do xará peruano e conquistar o Apertura 2007. O Docto dominou o torneio boliviano desde o início, abrindo vantagem consistente sobre os concorrentes mais fortes e caminhando sem dificuldades para seu primeiro título nacional.

A confirmação matemática da façanha veio no confronto direto com o vice-líder San José. Os chuquisaqueños precisavam apenas de um empate em casa para assegurar o título. Com um gol do brasileiro Marcelo Gomes, La U de Sucre abriu o marcador. O Universitario segurou a vantagem até Darwin Peña empatar aos 39 minutos do segundo tempo. A pressão dos santos era grande, mas o tempo para a virada se mostrou escasso.

Foi o primeiro título para um clube da capital boliviana, o que deve acirrar ainda mais a rivalidade entre Sucre e Potosí como maior força do sul do país. Além disso, reforça o mau momento vivido pelos clubes mais tradicionais, considerando que Real Potosí, La Paz e San José têm dominado o futebol boliviano no último ano e meio.

Outro fator interessante do título do Universitario é premiar um sistema de gestão bastante incomum. O clube é diretamente ligado à Universidad San Francisco Xavier. Por estatuto, o presidente do clube é sempre o reitor da instituição de ensino, sendo que só docentes, alunos e funcionários administrativos da universidade podem ser sócios do Docto.

Desse modo, o clube depende muito do apoio da comunidade que o cerca. O orçamento do clube é de cerca de US$ 539 mil, valor discreto até para os padrões bolivianos. Com isso, é possível manter o futebol profissional, as categorias de base e equipes de vôlei e basquete.

Com essa realidade, é difícil imaginar que o Universitario se tornará uma força boliviana em longo prazo. Mas, ao menos, reforça o recado a grandes equipes como Bolívar, The Strongest e Oriente Petrolero: planejamento e gastos cuidadosos são mais eficientes que investir pesado sem seguir uma linha de raciocínio.

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