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Futebol

11/07 - 08:55

O adeus de Trezeguet
Atacante da Juventus anuncia aposentadoria dos Bleus, motivado pela permanência de Raymond Domenech no comando da seleção. Pior para os Bleus

Trivela.com

A permanência de Raymond Domenech à frente dos Bleus custou nada menos do que seu melhor atacante no momento. A decisão da FFF de manter o treinador no cargo foi a gota d’água para David Trezeguet. Como a França é pequena demais para os dois, o jogador preferiu se retirar do caminho, sem deixar de fazer pesadas críticas ao seu desafeto. Aos 30 anos, ‘Trezegol’ anunciou sua despedida da seleção francesa, em uma vitória da falta de razão, da injustiça, do inexplicável.

De nada adiantou Trezgeuet fazer um caminhão de gols pela Juventus na última temporada. Se ele fizesse o dobro, o triplo daria no mesmo. Não é de hoje a birra do treinador com o atacante, como ficou muito claro na Copa do Mundo-2006. Relegado ao banco de reservas, o jogador teria problemas de relacionamento com Zidane, daí o fato de pouco atuarem juntos. E quando teve sua chance, Trezeguet ficou marcado pelo pênalti perdido na decisão do Mundial contra a Itália. Estava aí o fato do qual Domenech precisava para queimar de vez o nome do bianconero.

Vieram as eliminatórias da Eurocopa-08, e mais uma vez o treinador ‘se esqueceu’ de Trezeguet. O discurso de que a Juventus estava na Série B, um campeonato de nível inferior e por isso distorceria o real nível do atacante, jamais deveria ser levado como parâmetro. Enquanto a teimosia de Domenech prevalecia, os Bleus caminhavam com Henry, Anelka, Saha, Cissé, Benzema... Se o setor ofensivo da equipe não era toda aquela maravilha, pelo menos fazia o necessário para vencer, corroborando a tese do ‘chefe’ de que Trezeguet não fazia tanta falta assim.

Quando se deixava entregar aos fatos e convocava o atacante, Domenech logo observava alguma forma de queimar o filme do jogador. Ora dava alguma declaração polêmica, ora afirmava que ele e Henry não poderiam jogar juntos como titulares ou então evocava a melhor forma de algum concorrente de qualidade duvidosa. Mais uma da infindável série de absurdos cometidos pelo técnico por sua falta de critérios, baseadas em opiniões sem qualquer fundamento teórico.

Com tantas incoerências, logo a paciência de Trezeguet estourou e, naturalmente, vieram as críticas sobre o treinador. Era o que faltava para Domenech completar o processo de ‘fritura’ do atacante; afinal, como ele poderia chamar alguém que lhe colocou o dedo no rosto? Nesse passo, chegou a hora de determinar a lista dos convocados para a disputa da Eurocopa. E entre os 23 nomes convocados constava o de Bafétimbi Gomis, promissor mas ainda inexperiente, enquanto Trezeguet se contentaria mesmo em ver o torneio pela televisão. Mesmo se todos os jogadores de frente dos Bleus se machucassem, o bianconero não ganharia sequer uma chance. O treinador preferiria improvisar alguém ou resgatar pérolas como Guivarc’h ou Dugarry.

Com o péssimo desempenho dos franceses na Euro, sobretudo com um ataque que praticamente não incomodou seus adversários, ficou nítida a falta de alguém como ‘Trezegol’ na equipe. Por conta de um capricho de Domenech, a França ficou sem seu principal atacante do momento em uma hora na qual jamais poderia se privar de um atleta com tal capacidade e em excelente forma. Na última Série A, Trezeguet ‘só’ marcou 20 gols, um a menos do que Alessandro Del Piero, seu companheiro de Juve e artilheiro do campeonato. E estamos falando do Italiano, não do torneio nacional de Malta, Andorra ou San Marino.

A permanência de Domenech no comando da seleção, mesmo com o enquadramento imposto pela federação, começou a se mostrar nociva sem nem mesmo os Bleus terem entrado em campo depois do vexame na Euro. Como Trezeguet desabafou, é mesmo incompreensível esta decisão da FFF de manter sua confiança em quem desprezou Méxès, Flamini e o próprio atacante em nome de um orgulho pessoal sem sentido. “Todos temos a consciência de que Domenech não tem nível para comandar a seleção”, disse o atacante. Infelizmente, nem todo mundo pensa da mesma forma, e estes poucos são os que decidem. Perde a França, vítima de uma preferência equivocada por um treinador desmiolado a um jogador que resolveria muitos problemas da seleção.

Big Brother Ligue 1

A temporada 2008/09 será acompanhada bem de perto por olhares muito cuidadosos. A análise vai além do simples ato de assistir às partidas do campeonato. A partir de agora, todos os jogos da Ligue 1 passarão pelo crivo de uma comissão especial. Tal comitê, formado por ex-técnicos, ex-jogadores e ex-árbitros, será uma espécie de ‘dedo-duro’. Com base em imagens oficiais, o grupo decidirá se algum jogador foi punido de forma injusta por uma falta que não cometeu ou será castigado caso tenha simulado alguma infração e o juiz tenha caído em sua lábia.

Em 2007/08, algumas punições foram dadas seguindo esse mesmo princípio. O meia Johan Micoud, por exemplo, foi suspenso por uma partida após simular um pênalti durante o confronto com o Nancy. O ‘diver’ do jogador lhe rendeu uma bronca pesada do treinador Laurent Blanc, e houve grande repercussão negativa ao gesto de Micoud. Hilton, ex-Lens e agora no Olympique de Marselha, também sentiu o peso das câmeras. O defensor brasileiro pegou um gancho de dois jogos por agredir um adversário em um duelo dos Sang et Or contra... o próprio OM.

Se antes o uso de imagens para a análise de punições partia de uma polêmica, agora o tal comitê assistirá a cada uma das partidas da rodada da Ligue 1 para analisar possíveis casos para uma decisão disciplinar diferente da adotada em campo. O grupo só utilizará imagens consideradas oficiais, geradas pelas emissoras proprietárias dos direitos de transmissão (Canal + e Orange), além daquelas captadas pela Liga de Futebol Profissional (LFP). Nada de um clube usar algum vídeo feito por ele de um lance polêmico, por mais evidente e imparcial que ele seja.

Esta ferramenta auxiliará os árbitros em seu trabalho, mas isso não os desobriga de cumprir com suas obrigações e deixar os lances polêmicos para a comissão analisar. Pelo contrário; a presença do ‘olhar digital’ pressionará os juízes a acompanhar as jogadas com atenção quintuplicada. Uma falta marcada quando se ficou nítida a simulação colocará o homem do apito em maus lençóis, tanto com a LFP como com a mídia, descontente há tempos com o baixo nível de qualidade da arbitragem francesa.

Felizmente, tal medida não se estende às marcações de outros tipos de lance (como por exemplo, para determinar se há ou não impedimento). O nível de crucificações de árbitros seria muito maior caso houvesse a adoção deste método, mas o uso de imagens restrito apenas aos casos disciplinares vem mais para auxiliar do que incomodar. Afinal, quantos casos de agressões ocorrem nas costas dos juízes, concentrados no desenrolar de uma outra jogada?

O exemplo de Micoud deixa bem clara a idéia de inibir os jogadores a levar a melhor com artimanhas à la Dick Vigarista. O meia do Bordeaux foi massacrado pelas críticas por seu comportamento anti-esportivo, e certamente pensará muito bem antes de fingir outra vez. A ‘síndrome dos atletas manhosos’ tende a diminuir, com eles mais preocupados em ficar de pé em vez de cavar uma falta inexistente.

O funcionamento adequado deste sistema depende demais do bom senso e dos critérios adotados por esta comissão especial. De nada adiantará se houver a repetição do que nos acostumamos a ver aqui no Brasil, quando um atleta é suspenso por 45 anos por agredir um adversário, mas sua punição se reduz a duas cestas básicas uma semana depois. Nada de exageros na análise das imagens, tanto para reconhecer uma jogada mais ríspida como para castigar seus autores, muito menos passar a mão na cabeça de quem simula um pênalti ou comete uma falta de rachar a canela do rival. Se forem obedecidos estes princípios básicos, a qualidade das arbitragens e das partidas da Ligue 1 aumentará.

 

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