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09/07 - 04:11

Questão de governabilidade
Laporta sobrevive à moção de censura no Barcelona, mas falta de apoio nas urnas deixa sua situação quase insustentável

Trivela.com

O elenco milionário que montou já está debandando. A torcida deu as costas. E os aliados do conselho ameaçam mudar de lado. Joan Laporta parece um corpo sem esqueleto, que permanece em pé por inércia, mas que pode desabar a qualquer sopro. A situação delicada do presidente do Barcelona ficou exposta definitivamente neste domingo, após a votação da moção de censura exigia pela oposição.

Para os que não são familiarizados com o sistema parlamentarista, “moção de censura” ou “moção de desconfiança” é uma proposta do Congresso (ou, no caso do Barcelona, do conselho) para colocar o governo contra as cordas. É um modo de pôr em dúvida o suporte político do governo e, caso o voto de desconfiança vença, o passo seguinte é destituir o mandatário e convocar novas eleições.

No caso do Barcelona, Laporta conseguiu se manter no poder. A moção de censura pedida pelo conselheiro Oriol Giralt foi mais longe do que a situação imaginava. A oposição surpreendeu ao obter as mais de 9 mil assinaturas de sócios para que a proposta fosse votada. Só faltou um pouco para depor o presidente blaugrana. A oposição conseguiu que 60% dos mais de 30 mil sócios que compareceram à votação deixassem sua desconfiança registrada. Eram necessários 66,6% (dois terços) para que Laporta caísse.

Ainda que o estatuto barcelonista assegure a manutenção da atual administração até o fim de seu mandato (em 2010), o recado ficou evidente: os defensores de Laporta são minorias. Em um país com mentalidade parlamentarista, não ter suporte de sua base é o equivalente a manter uma gestão moribunda. Não importa que tecnicamente o poder esteja assegurado. Não é possível adotar uma postura personalista e fazer que uma figura concentre a responsabilidade. Sem apoio de baixo, a governabilidade fica tão prejudicada que é mais fácil deixar o cargo.

É esse o dilema de Laporta no momento. De acordo com o jornal catalão Sport (os demais jornais espanhóis não confirmam a versão, apenas repercutiram a notícia do Sport), o conselho teria chegado à conclusão que é preciso mudar a administração barcelonista. Assim, os conselheiros pediriam ao presidente que renuncie. Se Laporta insistir em ficar, o conselho se demitiria e, no final das contas, o efeito seria o mesmo: cai o presidente e novas eleições seriam convocadas.

Pode até ser uma “barriga” (erro jornalístico) do Sport. Não seria a primeira vez. Ainda assim, a notícia do diário catalão tem lógica. Laporta já não consegue mais controlar o clube. É verdade que, do ponto de vista administrativo, ele obteve sucesso. Com apoio velado de grandes instituições catalãs, ele saneou financeiramente o clube e ainda montou um time que conquistou a Liga dos Campeões.

O problema foi institucional. Com seu jeito autoritário, foi deixando seus aliados de lado (o exemplo maior é Sandro Rossell, ex-vice de Laporta e pré-candidato à presidência pela oposição) em nome da vaidade e de ambições políticas. O ainda presidente foi concentrando poder e desagradando à comunidade barcelonista por afrontar o espírito democrático que o clube se orgulha de ter. Assim que toda a estrutura montada por Laporta começou a ruir, com crises em campo e desorientação, a oposição teve as armas para enfraquecê-lo.

Qualquer que seja a decisão de Laporta e do conselho nos próximos dias, o Barcelona terá semanas atribuladas pela frente. Se o atual mandatário ficar, ele terá que provar o mais rápido possível que merece confiança, o que pode atrapalhar o processo de renovação do elenco. Se o presidente cair, haverá novas eleições e o projeto do Barça para a próxima temporada ficará atrasado.

Prestação de contas

Joan Laporta não é o único presidente de clube espanhol com sérios problemas internos. Iñaki Badiola, dirigente máximo da Real Sociedad, também está nas cordas. Os torcedores se cansaram das promessas extravagantes e querem ver se algo saiu do papel. Difícil acreditar que algo tenha sido feito.

O projeto de Badiola era, com todo o respeito a quem o apoiou, estapafúrdio. Ele se dizia empresário com grandes conexões na China. Isso lhe permitiria amarrar parcerias entre a Real Sociedad e os chineses, o que incluiria uma grande injeção de recursos pela venda de produtos licenciados dos donostiarras no país asiático. Para isso, seriam abertas lojas da Real Sociedad nos aeroportos de Xangai e Pequim, além de criados produtos ligando o clube aos Jogos Olímpicos de Pequim e à Expo 2010 de Xangai.

Foi o suficiente para ele se eleger em novembro. Mas, convenhamos, alguém consegue acreditar que milhares de chineses comprariam camisetas, cachecóis, bonés, agasalhos, chaveiros e outras traquitanas de um time da segunda divisão espanhola que não tem nenhum atrativo especial (como um jogador chinês no elenco)? Era evidente que o clube não veria esse dinheiro. Como não viu até agora. Aliás, sequer viu algum documento que comprovasse que Badiola tem os direitos dos free shops dos aeroportos de Xangai e Pequim.

O dirigente txuri urdin informa que já obteve as licenças das lojas de aeroportos e que as lojas seriam abertas agora, um mês antes da abertura dos Jogos Olímpicos. A torcida está pagando para ver. Exigiu que a diretoria comprove que abriu as lojas na China. Se a promessa se mostrar vazia, o futuro de Badiola na Real Sociedad não será muito longo. E o clube, que já cambaleia financeiramente, pode ter um golpe duríssimo.

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