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19/06 - 02:15

Apatia da seleção faz torcida cantar “adeus” a Dunga
Apesar de os jogadores do Brasil terem saído em defesa do técnico Dunga, será difícil a torcida reatar o 'casamento' com o treinador após o empate sem gols contra a Argentina

Gazeta Esportiva

Antes de a bola começar a rolar, a festa foi completa: shows do Jota Quest e do Skank, bandeiras tremulando e cornetas incentivando a seleção brasileira, cumprindo a promessa de apoio total à equipe do ameaçado técnico Dunga, apesar das vaias quando o nome do treinador foi anunciado pelo sistema de som.

Quando Júlio Baptista perdeu gol feito e Robinho exagerou nos dribles dentro da área até perder a bola, deixando o grito de gol preso na garganta, as arquibancadas do Mineirão começaram a mudar de comportamento.

Apreensivos, os torcedores suaram frio quando Messi recebeu livre no meio da mal posicionada zaga brasileira, mas, em um lance de rara infelicidade, pegou errado na conclusão, mandando pela linha lateral.

A inoperância ofensiva da equipe até o término da etapa inicial rendeu uma sonora vaia ao time brasileiro na descida para os vestiários. Na volta para o segundo tempo, o torcedor bem que tentou, mais uma vez, apoiar, mas por pouco tempo.

Aos gritos de “eu quero é raça do time todo”, os torcedores exigiram vontade dos jogadores e aplaudiram Adriano quando o “Imperador”deu um pique na defesa para dar combate e cometer a falta no jogador argentino.

Minutos mais tarde, decepcionados por terem pedido a entrada de Alexandre Pato e não serem atendidos, soltaram o tradicional coro de “burro” para o técnico Dunga, que sacou Adriano para a entrada de Luis Fabiano. O “Imperador”, por outro lado, deixou o Mineirão aplaudido, em paz com a torcida.

Os últimos 15 minutos do embate foram tensos e os torcedores não sabiam se empurravam o time ao ataque ou vaiavam o técnico Dunga e os erros de passe dos brasileiros, pressionados no campo de defesa.

Um novo coro de “burro” para Dunga veio acompanhado pelo novo “Dunga, seu jumento e Adeus, Dunga” aos 33 minutos, quando o treinador sacou o meia Diego para colocar Daniel Alves em campo.

“A seleção não mereceu o público que veio apoiá-la. Gastei mil reais para trazer minha família e me arrependi”, avisou o empresário Fernando Santana, que compareceu com a mulher e os dois filhos ao setor mais caro do Mineirão, pagando R$ 250 por cada ingresso.

Apesar de o time não ter sido derrotado pelo principal rival, o aviso foi dado: a fase do apoio terminou e a pressão sob seu trabalho será cada vez maior, tanto nos Jogos Olímpicos quanto nas Eliminatórias, dia 7 de setembro, diante do Chile, em Santiago.


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