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Especialista e dirigente prevêem fraude em eleições no Santos

Advogado consultado pelo iG para analisar novo estatuto, concorda com o vice-presidente do Conselho Deliberativo do Santos, reprova a criação das Embaixadas, que serão sub-sedes criadas em outras regiões

Samir Carvalho |

O novo estatuto do Santos, que deverá ser aprovado no inicio de 2011, virou tema de discussões entre sócios, conselheiros, dirigentes, torcedores e até jogadores do clube. O iG consultou um advogado, que trabalha na área do direito desportivo e com formação acadêmica e profissional voltada ao direito societário para analisar o estatuto santista. O especialista, que pediu anonimato, já elaborou alguns estatutos para clubes do Brasil, e destacou diversos pontos preocupantes da reforma estatutária do Santos.

Entre eles, o especialista concorda com o vice-presidente do Conselho Deliberativo do Santos, Orlando Rollo, e acredita que a criação das Embaixadas, que são sub-sedes colocadas em outras regiões, pode gerar problemas de fraudes nas próximas eleições do clube.

“Não tanto em relação ao fuso horário, mas sim à logística de votação, pois o estatuto prevê a votação nas sub-sedes, é direito do associado votar na sub-sede. Imaginemos uma votação em uma sub-sede com 10 associados, em que haja a necessidade de urna eletrônica, é uma situação risível”, disse o especialista.

A tese do advogado

tem o apoio de Orlando Rollo, que foi um dos santistas mais influentes da oposição nos últimos anos. O dirigente ajudou a derrubar Marcelo Teixeira do poder na última eleição do clube. Porém, o vice-presidente do Conselho Deliberativo do Santos, que já havia reprovado as principais propostas do novo estatuto em entrevista ao iG, entre elas, a ideia do clube ser administrado por nove “presidentes” (Os sócios elegeriam uma chapa com sete membros do Conselho Administrativo, um presidente e um vice), também apontou o perigo de fraude nas eleições, com a criação das sub-sedes.

“Não gostei das sub-sedes, não tem o CNPJ do Santos e pode ser feita com um determinado números de associados. Vai acabar tendo vários clubes no interior do Brasil sem pagar nada. O pior é colocar o direito a voto nessas sub-sedes. Se aqui em Santos já pegamos tentativa de fraude, imagina os votos em uma sub-sede de Macapá, Paranaguá”, disse Rollo, que não acredita na aprovação deste artigo no novo estatuto.

“Eu acho, minha opinião pessoal, esse é um dos artigos que não vai passar. Esse artigo desagradou muita gente. Como você vai abrir a sub-sede em Bueno Aires, quem elege? Aqui aparece algum cara que não é santista, imagina em lugares distantes. só que a realidade é outra, é outro estado. Lá existem dois clubes”, completou.

Segundo o advogado consultado pelo iG, o modelo é uma ilusão, já que além não exister razão para o torcedor ser sócio, a mudança também prevê processos judiciais ao clube.

“Pelo que dispõe o estatuto, os associados das sub-sedes devem ser associados do Santos. Por qual razão alguém vai querer ser sócio do Santos e sócio da sub-sede do Santos? Para pagar taxas em dobro, na medida em que as sub-sedes devem ser auto-sustentáveis?”, disse o especialista, que prevê processos judiciais para o clube.

“O fato que ao autorizar o funcionamento e criação das sub-sedes (embora a sub-sede seja entidade com personalidade distinta), a comercialização de produtos do Santos, responderá ao clube por eventuais danos causados pela sub-sede a terceiros (ex: sub-sede vende ingressos falsos). O Santos será responsável, pois empresta sua marca para a sub-sede, já que aprova e autoriza o seu funcionamento”, declarou o advogado.


 

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