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13/06 - 12:55

Após bater Phelps, Cielo diz não ver problema se as coisas não derem certo
Nadador conta que quase não nadou na prova em que venceu o norte-americano e diz não estar pressionado porque terá mais duas olimpíadas pela frente

Por Aretha Martins, do iG Esporte

SÃO PAULO – Aos 21 anos, o paulista César Cielo é uma das principais esperanças da natação brasileira para a Olimpíada de Pequim. O principal especialista brasileiro em provas rápidas deixou outro especialista, mais renomado, para trás no último fim de semana.

No GP de Ohio de natação, Cielo venceu ninguém menos que norte-americano Michael Phelps na final dos 100m livre e estabeleceu um novo recorde sul-americano, que já lhe pertencia. Mas se engana quem pensa que a proximidade da primeira Olimpíada da carreira assusta Cesão, como é chamado pelos amigos.

“Estou tranqüilo porque eu sou novo e, se não der certo em Pequim, tenho boas chances de nadar em mais duas olimpíadas”, afirma César Cielo. Mas, claro, apesar da tranqüilidade, o nadador quer fazer bonito nas águas chinesas. “Ficou bem claro que se eu nadar bem eu tenho boas chances. Estou fazendo o meu trabalho e quero chegar bem nas provas”, completa.

Apesar da boa fase, seus treinos estão suspensos por uma semana. É que, no mesmo fim de semana em que ficou com o ouro em Ohio, Cielo deslocou os dois polegares. Ainda no sábado, antes da final da prova dos 50m livre, ele tentou colocar, ainda molhado, um maiô que estava apertado demais. “A borracha enroscou. Fiz um movimento errado com a mão e desloquei o dedo. Na hora coloquei no lugar”, conta.

Getty Images
Cielo leva ouro nos 100m livre

Depois de receber atendimento médico, Cielo foi para a final dos 50m. A lesão o atrapalhou em toda a prova. “Fiz uma prova muito ruim. O que aconteceu desviou a minha atenção. Eu respirei três vezes, acelerei no meio da prova, errei na hora da chegada. Cometi erros que não fazia desde a época do infantil”, diz. Apesar do imprevisto, conseguiu a medalha de prata.

A lesão o deixou em dúvida se deveria seguir na competição e nadar a eliminatória dos 100m livre, na manhã seguinte. O brasileiro chegou a conversar com seu pai, que é médico, que o aconselhou a não nadar para se poupar e evitar uma lesão mais grave. “Quando acordei no domingo, dia da prova, não sabia se ia nadar. Olhei para a piscina, o dedo já estava no lugar e eu me comprometi e não forçar muito a mão”, conta.

A decisão se mostrou acertada, porque Cielo conseguiu a classificação para a final, ao lado de Michael Phelps. Brett Hawke, técnico do brasileiro, o incentivou a brigar pela medalha, e o resultado foi o ouro — além de um novo recorde sul-americano.

Em fevereiro passado, César Cielo havia cravado o tempo de 48s49 no GP de Missouri e, agora, conseguiu a marca de 48s34. Phelps ficou com a prata. “Eu não ganhei por sorte. Ele nadou no tempo dele. E me deu ainda mais confiança foi ter vencido com as mãos machucadas”, afirma. “Não senti dor porque na hora da prova você não sente nada. Mas as mãos estavam inchadas e talvez isso possa até ter ajudado a puxar mais água”, completa.

Hoje, Cielo está com tala nas duas mãos e com os polegares imobilizados. Por uma semana, o nadador não poderá fazer nenhum esforço. Ele voltará às piscinas na semana que vem e pretende retomar os trabalhos musculares em 15 dias. Segundo Cielo, a lesão não vai atrapalhar a preparação para Pequim, porque ele já havia combinado com seu técnico alguns dias de folga após o GP de Ohio. A diferença, agora, é que as férias serão forçadas.

“O importante é o atleta, e não o equipamento”
César Cielo foi o primeiro brasileiro a quebrar um recorde usando o maiô LZR Racer, da Speedo, que foi criado com tecnologia da Nasa, a Agência Espacial dos Estados Unidos, para ajudar o desempenho dos nadadores nas piscinas. Só nesta temporada, 18 recordes mundiais foram quebrados por atletas que usavam a roupa.

Para o brasileiro, porém, o maiô não é o responsável pelos resultados. “É apenas uma ajuda”, diz. “Não adianta colocar o meu pai em um maiô e mandar ele nadar que ele não vai ganhar de mim”, comenta. De acordo com Cielo, o fundamental é o nadador estar em boas condições. “O importante é o melhor atleta e não o melhor equipamento. Com o maiô você consegue juntar o útil ao agradável”, diz.

Cielo ainda não sabe se usará este modelo na Olimpíada de Pequim. O mesmo maiô usado em fevereiro, na primeira quebra de recorde, estava um pouco largo na prova do final de semana. “Perto de competição, a gente diminui o ritmo da musculação e por isso dá uma ‘murchada’. Aí a roupa pode ficar frouxa”, explica.

Foi justamente por causa da roupa larga que Cielo tentou usar um outro maio no GP de Ohio e, assim, acabou machucando os dedos. “Eu já pedi uma roupa nova e do meu tamanho”, garante.

Na Olimpíada de Pequim, que acontece em agosto deste ano, César Cielo tem índices para disputar quatro provas: 50m livre, 100m livre, revezamento 4 x 100m livre e revezamento 4 x 100m medley.

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AP

Altas braçadas
Cielo comemora quebra do recorde sul-americano, no GP de Missouri, em fevereiro de 2008

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