Por Sérgio Xavier Filho, diretor da revista Placar

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17/07 - 12:39

Tem Jeito!
Valeu a pena ter passado frio ontem no Parque Antártica. Voltei a ter esperança na arbitragem brasileira: o "craque" em campo foi o gaúcho Leandro Pedro Vuaden

Por Sérgio Xavier Filho, diretor da revista Placar

Nem é preciso esperar o último jogo para proclamar o melhor da 12° rodada. Não, não estamos falando do artilheiro palmeirense Kléber, que marcou dois gols, do herói Durval do Sport, do são-paulino Hugo, um monstro em Salvador, do cruzeirense Ramires, de nenhum desses. O nota 10 da rodada foi o Leandro. Não o Bonfim, o Domingues, o lateral do Palmeiras. O craque foi o gaúcho Leandro Pedro Vuaden, juizão de Palmeiras 3 x 1 Fluminense. Foi disparado o melhor em campo no Parque Antártica. Que partida, que lição de arbitragem. Nem vale aquele velho argumento de que os "jogadores ajudaram jogando apenas futebol". Uma pinóia. Catimbaram, se atiraram, tentaram loucamente cavar pênaltis e cartões para os adversários. Valdívia e Washington beiram o insuportável. Fizeram a opção preferencial pela bola parada, entre seguir e cair, desfalecem na relva.

Vuaden apitou à européia, deixando o jogo correr, não marcando faltas em encontrões. Claramente, procurou não interferir na partida. Esperou que os jogadores, os verdadeiros protagonistas do espetáculo, decidissem em campo quem mais merecia vencer. O Palmeiras foi bem melhor e venceu por dois gols de diferença. Simples assim.

No intervalo, o goleiro Marcos foi até o meio de campo e elogiou Vuaden. Luxemburgo rasgou-se em elogios na entrevista coletiva. Do lado do Fluminense, nenhuma reclamação. Renato Gaúcho e jogadores lamentaram as falhas do time, de postura, de posicionamento, nem tocaram no tema arbitragem. Vuaden poderia ter marcado uns oito pênaltis, para os dois lados. Contatos e trombadas que realmente aconteceram dentro da área. No replay, em velocidade baixa, até parecem pênalti. O juiz avisou qual era o critério e os jogadores o acataram. No segundo tempo, desistiram de cavar faltas, tentaram ficar em pé.

No quesito cartões, aconteceu o mesmo. Vuaden até poderia metralhar os dois times com amarelos. Pequenos puxões e jogadas mais fortes aconteceram. Esse Palmeiras x Fluminense poderia ter uns 10 amarelos e uma ou duas expulsões. Poderia, se o "brazilian way" de apito tivesse em prática. Vuaden embarcou noutro raciocínio. Distribuiu quatro cartões amarelos, apenas quatro, e todos em casos que a bola virou detalhe. Léo Lima, por exemplo, nem olhou para a redonda quando "levantou" Thiago Neves. Valeu a pena ter passado frio ontem no Parque Antártica. Voltei a ter esperança na arbitragem brasileira.




Sérgio Xavier Filho, 41, é diretor de redação da revista Placar. Para ler outros textos de sua autoria e acessar o site da Placar,
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