A Seleção saiu derrotada diante da Bélgica por dois a um e está fora da Copa do Mundo. E as críticas ao treinador naturalmente começaram a surgir

Não foi um vexame. A eliminação não joga o trabalho de Tite no lixo. Há quatro anos, meus amigos, estávamos chorando mais. Mais machucados, doloridos, mais destruídos. O Brasil caiu, mas caiu em pé. Não ter um substituto para Casemiro, ter levado Taíson e insistido em Gabriel Jesus (que eu, inclusive, defendi) não tornam Tite sinônimo de fracasso. Não escolher capitão fixo, idem. Foram escolhas erradas. Eu admito. 

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Técnico Tite durante o jogo da seleção brasileira contra a Bélgica na Copa do Mundo
André Mourão/MoWA Press - 6.7.18
Técnico Tite durante o jogo da seleção brasileira contra a Bélgica na Copa do Mundo

Fernandinho sente a camisa amarela. Fica assustado, tímido, perdido. Fica completamente apavorado. A posição de Casemiro – claramente – é a que escancara maior diferença técnica e psicológica entre titular e reserva. Arthur ficou no Brasil e Fernandinho – o mesmo Fernandinho do sete a um – viajou para Rússia. O elenco volta para casa.

Eu defendi Gabriel Jesus. Via importância tática no menino. Vontade de defender, de participar, de carregar no corpo as oportunidades que pouco apatreceram. Firmino entrou bem sempre. Teve boa temporada pelo Liberpool, mesmo sem ser campeão, enquanto Jesus patinou entre campo e banco no City. Eu reconheço: acreditei em Gabriel. E ainda acredito no bom Gabriel. Mas não fez boa Copa

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A verdade é que Neymar é o único gênio brasileiro na atualidade. Neymar é um driblador nato, bom finalizador, corajoso. Está muito na frente dos outros. Cresceu – assim como o elenco – durante a competição. E sem estar cem por cento. Sem estar em total condição física. Sem estar acompanhado por outra superestrela como ele. Caiu nas costas de Neymar o xingamento de tantos que caíram matando em cada queda do craque. E agora, principalmente, de forma até aproveitadora. Neymar é gênio. E não deixa de ser após esse seis de julho. 

A Bélgica deitou em Paulinho e Fernandinho. De Bruyne teve todo tempo do mundo. Teve tempo de passear pelo campo, de deslizar e de desequilibrar o jogo. De Bruyne ridicularizou as falhas de marcação do meio brasileiro. É o símbolo da ótima geração belga. A ótima geração belga tão destruída por tantos sabedores da bola. Está provada, porém. Está sentenciada sua qualidade. Nos pés do seu regente: De Bruyne. Perdemos para um grande grupo. 

Mas Tite...

Temos de lembrar, Tite assumiu um time mal montado por Dunga. Convenceu nas Eliminatórias. Encontrou o time ideal para o momento. Reviveu peças, deu qualidade ao jogo e o principal: fez ressurgir a esperança. Tirou o conhecido complexo de vira-latas – que saudade de Nelson Rodrigues! – da cabeça de muitos pessimistas. Fez Neymar evoluir. Talvez não tenha acertado tudo que esperávamos. Tite, no entanto, se credenciou para estar lá. Dunga, não. 

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Tite reconstruiu o amor do Brasil pela Seleção. Não é justo - agora - transformar em ódio.

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