Associação dos Executivos do Futebol faz recomendações a quem quiser trabalhar como dirigente remunerado

Criada por ex-jogadores e cartolas, a Associação dos Executivos do Futebol já tem uma cartilha para quem é ou pretende ser dirigente remunerado em um clube. O texto do documento foi apresentado na última quarta-feira, em evento na capital paulista.

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Relação com torcidas organizadas, uso de redes sociais e até contato diário com jornalistas devem ser evitados, segundo a cartilha redigida com assuntos discutidos no primeiro encontro do grupo, em julho. “Não deve existir relação direta do executivo do futebol com torcidas organizadas. Nunca!”, diz o texto.

Evite reuniões individuais com agentes. Faça encontros com a presença de outras pessoas do clube

O documento apresentado pelo ex-presidente do Paraná Ocimar Bolicenho também alerta os executivos para relações com agentes e investidores. “Evite reuniões individuais com agentes. Faça encontros com a presença de outras pessoas do clube. Formalize todas as negociações no papel”, diz.

Outra regra para os executivos é nunca ser subordinado aos treinadores: “Não vincule sua carreira à dos técnicos. Não deixar o treinador desempenhar a nossa função”. Responsável por apresentar a cartilha, Bolicenho completa: “Técnicos são passageiros; nós, um pouco mais permanentes”.

O ex-presidente do Paraná tem boa relação com Vanderlei Luxemburgo. Em 1995, o técnico do Flamengo trabalhou no clube a convite de Bolicenho. Os dois voltaram a trabalhar juntos outras vezes. A última foi em 2008, quando a empresa de Luxemburgo fez uma parceria com o Joinville e contratou o dirigente para administrar o futebol do clube.

Ex-presidente do Vitória, Paulo Carneiro virou dirigente remunerado
Paulo Passos
Ex-presidente do Vitória, Paulo Carneiro virou dirigente remunerado

Velha guarda

Bolicenho é um dos representantes da velha guarda na Associação de Executivos de Futebol. Paulo Carneiro, ex-Vitória, e Luis Veloso, do Flamengo, são outros ex-presidentes que agora pretendem se dedicar à carreira de dirigentes remunerados.

No encontro da última quarta-feira, Carneiro foi o que mais fez intervenções durante as palestras. Falou tanto que a bateria do microfone acabou. “Não tem problema, eu já tenho voz de microfone mesmo”, brincou e continuou o seu discurso.

Também na platéia, o ex-santista Paulo Jameli pediu a palavra para dar sua opinião sobre quem poderia fazer parte da associação. “Acho que temos que limitar, fazer uma seleção”, defendeu. Enquanto ouvia, Carneiro resmungava com um vizinho de cadeira. Depois disse mais alto. “Vai ter título de sócio, é? To vendendo o meu, quem quer?”, disse. “Isso é muita vaidade”, completou.

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