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Basquete
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Varejão crê em medalha e se esquiva sobre questão Leandrinho-Nenê

Apesar de ter ficado de fora do 'All-Star Game', pivô se mostra animado com a atual fase no Cleveland em entrevista ao iG

Luís Araújo, iG São Paulo |

Anderson Varejão vive o melhor momento da carreira na temporada 2011/12 da NBA. As médias de 10,8 pontos e 11,5 rebotes por partida, aliadas à intensidade demonstrada dentro de quadra, fizeram com que o pivô se firmasse como peça fundamental para o sucesso do Cleveland Cavaliers e fosse cogitado para disputar o “All-Star Game”. Mas o sonho de se tornar neste ano o primeiro atleta brasileiro a participar do evento foi desfeito no dia 9 de fevereiro, quando a lista dos jogadores reservas foi anunciada sem a presença do capixaba.

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“É claro que fiquei um pouco chateado. Participar desse evento seria muito bacana, não só para mim, mas para poder representar o basquete brasileiro. Mas não foi dessa vez”, disse Varejão em entrevista ao iG.

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Mesmo se fosse chamado para integrar o time da Conferência Leste, Varejão não teria condições de jogar o “All-Star Game”. Isso porque o brasileiro sofreu uma microfratura na mão direita logo após conceder a entrevista ao iG e deverá ficar de quatro a seis semanas afastado das quadras.

Nome praticamente certo na convocação de Rubén Magnano para as Olimpíadas, o pivô ignora o fato de a seleção brasileira ter ficado ausente da competição por 16 anos e projeta um lugar no pódio em Londres. “Acredito numa medalha, acho que podemos jogar bem, de igual para igual com as principais seleções do mundo”, afirmou.

No bate-papo abaixo, Varejão falou ainda da sua relação com LeBron James, comentou a maratona de jogos da atual temporada da NBA e analisou as diferenças entre o basquete norte-americano e o europeu.

Confira abaixo a entrevista de Anderson Varejão ao iG:

iG: Como você recebeu a notícia de que não foi convocado para o “All-Star Game”?
Anderson Varejão: Fiquei feliz pelos elogios e pelas pessoas que defenderam a minha ida para o ‘All-Star’. Ter o nome lembrado e tanta gente torcendo por mim é um reconhecimento, é a prova de que estou fazendo um bom trabalho. É claro que fiquei um pouco chateado. Participar desse evento seria muito bacana, não só para mim, mas para poder representar o basquete brasileiro. Mas não foi dessa vez.

iG: Participar desse evento ainda é uma meta na sua carreira?
Anderson Varejão: Quero muito participar, claro. Não é uma obsessão, nem pode virar isso. Mas é, sim, um sonho. E fiquei feliz porque o Tiago Splitter foi convocado para o jogo dos novatos. Ele merece.

iG: Como é ouvir elogios de dois campeões como Paul Pierce e Dirk Nowitzki?
Anderson Varejão: Fiquei muito feliz e orgulhoso, porque são nomes de peso, atletas que já participaram várias vezes do ‘All-Star Game’. Apesar de rivais, essa rivalidade fica fora das quadras. São jogadores que admiram meu jogo e fiquei realmente muito feliz com a ‘campanha’ que eles fizeram por mim no ‘All-Star Game’.

iG: Você perdeu mais da metade da última temporada por conta de uma contusão no
tornozelo e ficou de fora do Pré-Olímpico. Como foi a recuperação?
Anderson Varejão: Queria estar jogando bem, ajudando o Cleveland sem limitações, e acho que estou conseguindo. Estou satisfeito com a maneira como estamos jogando e de fazer parte disso. Foram quase 11 meses longe do basquete. A recuperação foi lenta e desgastante emocionalmente. Precisei ter muita paciência, porque não poderia queimar etapas. Foi uma lesão séria, um longo tratamento, inúmeras sessões de fisioterapia, parte física, mas deu tudo certo e isso foi o mais importante.

iG: A que você atribui essa boa fase que atravessa?
Anderson Varejão: Tudo está indo muito bem. Estou bem fisicamente, treinando bem e a equipe está bem estruturada. Apesar de o Cleveland não ser uma força na liga este ano, tem um elenco renovado. O grupo é bom, tem jogadores fortes e que são muito unidos. Estou confiante, jogando à vontade. Nosso esquema de jogo tem me ajudado bastante. Espero que essa boa fase seja cada vez melhor e que o Cleveland siga crescendo, porque nosso primeiro objetivo é chegar aos playoffs.

iG: Suas médias cresceram consideravelmente após a saída de LeBron James. O que mudou
no seu jogo desde então?

Anderson Varejão: O Cleveland mudou muito depois da saída do LeBron. Ele era o jogador que mais puxava pontos na equipe e minha função era um pouco diferente, menos ativa no ataque. Mas mudaram os jogadores, o time todo mudou bastante, mudou o técnico, eu estou jogando mais como pivô. Mudou praticamente tudo. Hoje a equipe joga diferente, com um sistema diferente, tem nomes diferentes, acho difícil até compararmos os dois times.

iG: Como é a sua relação com LeBron depois que ele foi para Miami?
Anderson Varejão: Temos pouco contato, só mesmo quando nos encontramos para os jogos. É sempre muito rápido por causa da sequência de jogos e do ritmo de viagens. LeBron é um fora de série, foi um jogador importante para a projeção do Cleveland, mas o torcedor é movido por paixão e temos que entender isso. É normal e compreensível que fiquem tristes pela saída de um ídolo, mas ficaram muito mais chateados pela maneira como isso aconteceu.

Getty Images
Antes companheiros, Anderson Varejão e LeBron James se cumprimentam em jogo do Cavs contra o Miami Heat

iG: Você acompanhou de perto o crescimento de LeBron na liga. Agora, tem o Kyrie Irving
como companheiro. Até onde ele pode chegar?
Anderson Varejão:
Ele tem muito potencial e está mostrando isso. Irving é um jogador de muitos recursos e extremamente inteligente. Espero que não haja limites para ele, pois é um atleta que vai ajudar muito o Cleveland pelos próximos anos. Apesar de jovem, tem personalidade, tem atitude e é um grande companheiro.

iG: Pensa em encerrar a carreira em Cleveland ou considera a ideia de se transferir para uma
equipe com chances de título no futuro?
Anderson Varejão: Hoje, não me vejo fora de Cleveland. Estou perfeitamente adaptado à cidade, ao time e adoro os torcedores.

iG: Você é reconhecidamente um dos melhores defensores da liga. Qual é o jogador que
mais te dá trabalho na hora de marcar?
Anderson Varejão: Todos. Não há este ou aquele mais difícil, até porque cada um tem uma característica diferente, estilos diferentes.

iG: Se destacar na NBA é mais difícil do que no basquete europeu? Por quê?
Anderson Varejão: São ‘basquetes’ diferentes. Mas hoje o basquete está globalizado, é tão difícil se destacar aqui nos EUA quanto na Europa. Na Europa, o basquete é menos físico que na NBA, existe uma característica maior de trabalho de defesa. Já nos EUA, o ataque é mais intenso. Acho que é difícil se destacar no basquete europeu e no basquete americano. Há jogadores que vão muito bem na Europa e não conseguem jogar nos EUA. Às vezes é uma questão de adaptação, não apenas ao tipo de jogo, mas à vida nos EUA.

iG: Tem conseguido descansar em meio a esta maratona de jogos da atual temporada? Teme
chegar exausto às Olimpíadas?
Anderson Varejão: Temos pouco tempo para descanso. É uma temporada mais curta, mas com calendário mais apertado e, por isso, todo o tempo de descanso, todas as folgas precisam ser bem aproveitadas para a recuperação. Ainda faltam cinco, seis meses para as Olimpíadas, é algo distante ainda. Minha cabeça está aqui na NBA, em fazer o meu melhor. Espero estar em Londres. Se estiver, a motivação e a vontade serão maiores do que qualquer cansaço. A seleção brasileira vai ter um bom tempo para se preparar e tenho certeza de que todos vão chegar bem e prontos.

Getty Images
Varejão em ação pela seleção. Lesão no tornozelo tirou pivô do Pré-Olímpico de 2011

iG: Que meta você projeta para a seleção brasileira nas Olimpíadas? É exagero pensar em
conquista de medalha em Londres?

Anderson Varejão: Não. Acho que o Brasil pode brigar por uma medalha em Londres. Temos um bom grupo de jogadores, atletas mais experientes, atletas mais novos, mas de muita qualidade. A seleção tem todas as condições de se preparar bem e chegar forte às Olimpíadas. Eu acredito numa medalha, acho que podemos jogar bem, de igual para igual com as principais seleções do mundo. Mas, claro, vamos pensar em um passo de cada vez. Vamos fazer uma boa preparação, buscar a classificação para a segunda fase, dando um passo de cada vez.

iG: Nenê e Leandrinho devem ser levados para Londres? Eles fazem falta para a seleção?
Anderson Varejão: Esta é uma questão que cabe à comissão técnica decidir. Quem convoca é o (Rubén) Magnano, ele é o comandante da seleção brasileira e espero fazer parte do grupo que vai a Londres.

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