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Stu Jackson explica como a NBA pune jogadores e treinadores

Vice-presidente de operações, é ele quem analisa casos de indisciplina e sugere ao presidente David Stern a punição a ser aplicada

Fábio Sormani, em Los Angeles |

LOS ANGELES — Stu Jackson ocupa um cargo na NBA que muitos não gostariam. Entre outras atribuições, ele é uma espécie de consciência da liga. É ele quem praticamente decide sobre punições aos jogadores e treinadores. Praticamente, porque a palavra final é dada pelo comissário David Stern, o presidente da NBA.

Jogador ou treinador que se comporta mal, cai nas garras de Jackson. Em outras palavras, os indisciplinados pulam miudinho com ele. E Stu não perdoa, pois zelar pela ordem na liga é algo que ele leva a sério, pois um dos segredos do sucesso da NBA é a seriedade com que a liga trata todas as questões, dentro e fora das quadras.

“Eu reúno todos os elementos de um caso e então passo ao comissário Stern, que toma a decisão final”, disse-me Jackson, dizendo que não é ele, na prática, que pune os indisciplinados. Mas fez um adendo: “É claro que quando eu passo o caso para ele, entrego junto uma opinião minha, o que eu acho que deve ser feito”.

Encontrei com Stu, 55 anos, próximo ao elevador que dá acesso às tribunas de imprensa. Disse que era do Brasil e que gostaria de trocar fazer umas perguntas a ele sobre o assunto. Expliquei que no Brasil, no caso no futebol brasileiro, existe um tribunal e que os jogadores têm o direito de se defender.

“Mas aqui eles também se defendem”, afirmou. “Quando eu vou analisar um caso, telefono para o jogador ou treinador e converso com eles. Escuto o que têm a falar. Eles mesmos fazem suas defesas. Depois, eu analiso vídeos, relatório dos árbitros e tiro minha conclusão”.

Getty Images
Stu Jackson, a 'consciência' da NBA
Jackson explicou-me que há situações em que não tem como o jogador se defender, pois fazem parte do regulamento da liga. “Jogador que agride o adversário com um tapa, é expulso e punido por isso”, explicou. “O mesmo se ele der um soco. Se toma duas faltas técnicas, é expulso e punido igualmente. Não tem como se defender disso, pois o regulamento é claro”.

Jackson fez questão de salientar que as punições são imediatas, no dia seguinte do ocorrido. “Não somos como o beisebol e o futebol que deixam para punir cinco jogos mais tarde”, afirmou. “Tomo logo a decisão para não beneficiar ou prejudicar ninguém. Um jogador que é expulso hoje tem que ser punido amanhã. Se for mais pra frente, como no beisebol, o adversário seguinte ao jogo da expulsão pode se sentir lesado. Por isso a gente pune imediatamente”.

Perguntei como ele decide pelo montante do dinheiro que o “condenado” tem de pagar, pois os casos mais graves, além da suspensão de jogos, o punido tem que colocar a mão no bolso também. “Depende de cada caso; como disse, eu analisou tudo, ouço a todos e depois decido”.

Há punições bem pesadas na NBA. Ron Artest, ala do Los Angeles Lakers, perdeu quase toda a temporada de 2004/05 por ter se envolvido em uma briga com o pivô Ben Wallace, do Detroit Pistons. Ainda por cima, deixou a quadra e agrediu um torcedor na arquibancada.

Na época jogador do Indiana Pacers, Artest perdeu 73 dos 82 e não teve direito ao pagamento. Deixou de receber US$ 7 milhões (R$ 11,6 milhões). “Esse dinheiro vai metade para a NBA e a outra metade para a associação dos jogadores”, explicou Jackson.

Mas o interessante ele contou-me a seguir: “Ao final da temporada, pegamos todo o dinheiro arrecadado com essas punições e distribuímos para instituições de caridade espalhadas pelos EUA. Nós mesmos escolhemos estas instituições. Entregamos também parte deste dinheiro para fundações ou entidades de pesquisa, como as que estudam o câncer de mama”.

O mesmo, disse-me Jackson, é feito pela associação dos jogadores: “Eles têm outras entidades, mas também doam todo o dinheiro arrecadado”.

Bem diferente do que ocorre no Brasil, onde dinheiro arrecadado com punições tem destino desconhecido, no caso de federações, ou em se tratando de clubes e suas famosas “caixinhas” viram churrasco no final do ano.

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