Alarico Duarte Lima definiu como um "soco no estômago" o fato de um investimento no time não ter se concretizado

O presidente do Vitória Basquete/CECRE, Alarico Duarte Lima, confirmou nesta terça-feira que sua equipe não irá participar da temporada 2011/2012 do NBB (Novo Basquete Brasil), em função da falta de patrocínios. Alarico explicou os motivos da situação financeira do time capixaba e desabafou sobre o que definiu como um "soco no estômago" que levou de um investimento que não se concretizou.

O Vitória tinha confirmado presença na competição em setembro deste ano, juntamente com outro representante do Espírito Santo, o Vila Velha/Cetaf, e iria estrear com o Itabom/Bauru, no dia 19 deste mês.

"A gente tinha uma conversa e uma promessa de aplicação, mas, infelizmente, no nosso país você não pode ir a uma empresa e falar 'eu quero um patrocínio' e assinar ali, porque ninguém dá esse incentivo. Salvo o futebol - que ainda tem problemas - aqui não se respeita as estruturas montadas. Eu nem sei como vão fazer as Olimpíadas aqui. Do jeito que estamos levando, vamos fazer igual foi Pan (de 2007, no Rio)", disse.

Emocionado, Alarico explicou que a liga - que exige uma garantia financeira prévia dos clubes para integrar a competição - está ciente da situação. "A gente tinha essa garantia, mas desandou", revelou. "Eles (NBB) já estão tomando providências, tínhamos a estrutura montada pra dar o tiro inicial. As nossas passagens seriam compradas pelo Governo do Estado. Temos o patrocínio deles e da prefeitura de Vitória, mas precisávamos complementar".

O presidente também contou que recebeu o apoio de jogadores da equipe, mas que agora não tem muito a dizer para os atletas. "Eles vão procurar o caminho deles. Eu já conversei com alguns, agora mesmo me despedi de dois que já estavam aqui em Vitória pra iniciar os treinamentos", completou.

Sobre o CECRE (Centro Capixaba de Referência ao Esporte "Alarico Duarte Lima"), que leva o seu nome e é parceiro do clube, o dirigente frisou que o projeto não passa por problemas financeiros, mas que o trabalho fica comprometido com a impossibilidade de ascensão à principal competição do país. "Quando você toma um soco no estômago igual a esse, tem que parar e reavaliar as coisas. Qual é o sentido de manter um projeto deste se todas as nossas crianças olham lá para frente mirando a liga nacional? Eles querem jogar no NBB pelo Vitória Basquete", acrescentou.

"O CECRE é um filho que a gente trata com muito carinho. Agora, têm duas coisas que não quero fazer: a primeira é acusar alguém. Também não quero dizer o que vai acontecer no futuro, porque eu estou sob forte emoção agora, jamais esperei passar por isso e coloquei o basquete acima da minha saúde - tive um problema sério recentemente e mesmo assim fiquei na luta. Se eu tiver saúde para o ano que vem, vou ter que recomeçar tudo de novo. É difícil expressar o que estou sentindo neste momento", concluiu o presidente.

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