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Basquete
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Sem Oscar há 15 anos, seleção brasileira luta contra descrédito

Brasil tenta voltar aos Jogos Olímpicos depois de 16 anos para acabar com desconfianças

Gazeta |

Getty Images
Oscar chuta para cesta em partida contra Porto Rico nos Jogos Olímpicos de 1996
O dia 3 de agosto de 1996 deu fim a uma era no basquete brasileiro. No ginásio George Dome, em Atlanta, Oscar Schmidt fez com sua "mão santa" a última atuação pela seleção verde-amarela. Na decisão de quinto lugar das Olimpíadas, o Brasil foi derrotado com facilidade pela Grécia, mas perdeu muito mais: um ícone que levava público aos ginásios e inspirava jovens a buscar o esporte. A partir daí, a equipe nacional não conseguiu manter o nível e nunca mais disputou uma edição de Jogos Olímpicos. Hoje, tenta acabar com a desconfiança dentro do próprio país.

"Infelizmente houve um buraco na geração seguinte ao Oscar, mas hoje estamos tentando reconquistar o respeito internacional", confessa Demétrius, atual auxiliar técnico da seleção brasileira, que participou das Olimpíadas de 1996 como armador e foi um dos sucessores do ex-camisa 14. "No último Mundial, o Brasil ficou em nono lugar, mas poderia ter alcançado uma posição entre os quatro. Não conseguiu ganhar (da Argentina nas quartas de final) por detalhes", emenda.

No fim do mês, o basquete brasileiro tem a chance de mostrar que a evolução apontada por Demétrius é real, na disputa do Pré-Olímpico das Américas, na Argentina. Em jogo, dois lugares para as Olimpíadas de Londres, sem a presença dos astros do time norte-americano, que conseguiram a classificação através do Mundial-2010. Porém, os argentinos são os grandes favoritos a uma das vagas.

No Brasil, a perda dos principais nomes que atuam na NBA, como Leandrinho, Nenê e Anderson Varejão, é um obstáculo extra à seleção. Contudo, o basquete nacional carrega um fardo mais preocupante: a sombra de ter um "estilo ultrapassado". "O cenário internacional mudou bastante no que diz respeito a treinos e aperfeiçoamento dos jogadores. Nós mantivemos a orientação de jogar os torneios internacionais do mesmo jeito que atuamos aqui. Até os americanos da NBA aprenderam a atuar diferente nessas competições depois que sofreram algumas derrotas", alerta o ex-ala Marcel, que fez parte da geração campeão pan-americana de 1987 - na vitória histórica contra os Estados Unidos - ao lado do próprio Oscar e também atua como técnico.

Há mais de três anos, através da presença de treinadores estrangeiros, o Brasil tenta se adaptar ao basquete com estilo mais cadenciado e grande consistência defensiva. Entre 2008 e 2009, a equipe foi dirigida pelo veterano técnico espanhol Moncho Monsalve, mas não conseguiu a vaga nas Olimpíadas de Pequim, na China.

Desde o ano passado, o Brasil está nas mãos do argentino Ruben Magnano, campeão olímpico de 2004 pelo seu país. No primeiro desafio com o time verde-amarelo, o treinador obteve um resultado modesto: o nono lugar no Mundial da Turquia. "Ele tem condições de levar o Brasil a boas colocações, mas não pode fazer o nosso basquete uma pequena Argentina, também precisa respeitar o nosso estilo", adverte Marcel.

Integrante da nova geração de técnicos, Demétrius ainda lembra que a equilíbrio do basquete ficou maior devido à divisão de repúblicas tradicionais do esporte, que viveram guerras nos anos 80 e 90. "A União Soviética se dividiu em vários países fortes, a Iugoslávia teve o mesmo processo. Hoje, o basquete é mais competitivo do que o futebol", opina.

Lembranças
A despedida de Oscar nas Olimpíadas de 1996 foi marcada por emoção. Ary Vidal, técnico da seleção na ocasião, reconhece que o time não conseguiu render o esperado diante da Grécia em virtude do peso psicológico da última partida do ídolo.

Getty Images
Oscar chuta para cesta em partida contra Porto Rico nos Jogos Olímpicos de 1996
"Aquele dia foi meio brabo, eu não falei nada, todo mundo sabia que ia acontecer, todos os jogadores, ele estava sem condição de jogar. Eu também não tinha condição de dirigir porque ia me despedir junto dele na seleção", explica o ex-treinador, que se afastou do esporte na última década após sofrer um AVC (Acidente Vascular Cerebral).

Em Atlanta, Oscar conseguiu mais uma marca importante na carreira: ultrapassou a faixa de mil pontos em Olimpíadas. O maior cestinha da história da competição encerrou a carreira com 1.092 pontos. Ao fim da participação, recebeu uma homenagem dos companheiros e foi reverenciado dentro de quadra - todos os atletas se inclinaram como se estivessem perante a uma autoridade real.

"Foi espontâneo, uma coisa de momento, foi legal. Você o percebia abatido durante todo o dia, estava muito quieto, calado, não estava brincando como antes, sentia que estava acabando. Percebi que estava triste. Em quadra, ele não conseguiu jogar bem, o próprio time sentiu esse momento e não jogou bem", explica Demétrius.

Pela seleção, Oscar disputou 326 pontos e teve uma média de 23,5 pontos por partida. Por seu empenho dentro de quadra, ele era reverenciado até por grandes nomes do basquete mundial, tanto que faz parte do Hall da Fama da FIBA (Federação Internacional de Basquete). "Em 1996, a gente andava pela Vila Olímpica e todo mundo perguntava do Oscar. O Bill Walton (campeão da NBA pelo Boston Celtics) nos parou uma vez para falar dele. Quando enfrentamos os Estados Unidos, o Pippen encheu o Oscar de porrada, marcou de verdade. E, mesmo assim, não conseguiu pará-lo", encerra Demétrius.

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