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Basquete
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Repórter irrita Kobe, que em quadra é o maior desta geração

Bryant não soube driblar pergunta com a mesma genialidade com que passa pelos adversários em quadra

Fábio Sormani, enviado iG a Los Angeles |

Kobe Bryant não é mais um adolescente como Blake Griffin. Ao contrário do ala-pivô do Los Angeles Clippers, que no sábado entrou na sala de entrevistas do Staples Center fazendo uma força brutal para esconder o imenso contentamento por ter vencido o torneio de enterradas do “All-Star Weekend”, Kobe chegou sereno.

Veio acompanhado do companheiro de Los Angeles Lakers Pau Gasol. E, claro, do troféu de MVP (melhor jogador da partida) do “All-Star Game” deste domingo.

Getty Images
Kobe Bryant durante o "All-Star Game"

 Kobe concorreu com LeBron James pelo laurel. O ala do Miami Heat fez um “triple-double”, o segundo da história do evento, e era forte candidato para ficar com o troféu.

Mas Kobe estava em casa e seu time venceu. Venceu principalmente graças aos 37 pontos e 14 rebotes confiscados pelo ala-amador angelino.

Eles deram contornos definitivos aos 148 a 143 que o Oeste impôs ao Leste. Resultado justo de uma partida levada a sério, como há muito não se via.

LBJ, como LeBron é chamado, tentou estragar a festa de Kobe com seus 29 pontos, 12 rebotes e 10 assistências. Repetiu Michael Jordan, que no “All-Star” de 1998 fez o primeiro triplo-duplo da história do evento. Mas não deu; Kobe jogou muito.

“Não, isso não foi uma resposta às críticas”, disse Kobe respondendo se sua atuação não era um cala-boca aos jornalistas e fãs que o questionaram nas últimas derrotas do Lakers diante de Charlotte Bobcats e Cleveland Cavaliers, duas das equipes mais fracas deste campeonato (o Cavs é o lanterninha).

Bryant disse que estar ao lado de jovens atletas, como Russell Westbrook, do Oklahoma City Thunder, e Blake Griffin, do Clippers, seu rival municipal, o estimulou demais na partida. “Eles me deram nova energia”, disse o camisa 24 do Lakers.

Foi então que um jornalista foi jornalista de verdade e perguntou a Kobe o que todo jornalista de verdade tem que perguntar: “Sem querer distorcer e nem tentar interpretar demais o que você acabou de dizer, mas você não estaria sugerindo que gostaria de ver jogadores mais jovens em seu time?”

Inteligente na quadra, pouco esperto fora dela, Kobe não soube sair do questionamento. Pior do que isso: sugeriu que o jornalista estava distorcendo o que ele tinha acabado de dizer.

“Você fez um bom trabalho, bom trabalho”, disse um desconcertado Kobe Bryant com uma risada forçada. “Eu nem vou responder isso porque isso é uma tolice”. E deu um sorriso amarelo, emendando: “Next!”.

Ou seja: próxima pergunta!

De fato o Lakers está envelhecido. Ele próprio tem 32 anos. Gasol, seu principal apoio em quadra, vai fazer 31 em junho próximo. Derek Fisher, outro pilar do time, tem 36 anos, enquanto que Ron Artest e Lamar Odom têm 31.

Esses cinco jogadores formam basicamente o quinteto titular do Lakers. Somadas as idades, dá uma média de 32,2 anos.

Portanto, depois de uma resposta como a que Kobe deu em seu primeiro pronunciamento na sala de entrevistas coletivas, a pergunta do repórter americano procedeu — e como.

Foi o quarto troféu que Kobe conquistou em sua 13ª participação no evento. Provavelmente, seu último “All-Star” em Los Angeles. “Nem pensei nisso”, respondeu Bryant quando questionado se o fato o deixou mais sensível em quadra. “Senti apenas que tinha que jogar pra valer pra corresponder aos votos recebidos (dos torcedores, que escolheram os jogadores titulares). Vim aqui e fiz o que os fãs querem ver”.

Realmente, Kobe não poupou energias durante os 29:21 minutos em que ficou em quadra. Ao final do terceiro quarto já tinha 34 pontos. Poderia ter batido o recorde de Wilt Chamberlain, que em 1962 anotou 42 pontos, a maior marca na história do “All-Star Game”.

Reuters
Kobe Bryant enterra para o Oeste no "All Star Games"

Mas nos pouco mais de oito minutos em que ficou em quadra no último quarto, foram apenas mais três pontos. Kobe, na verdade, estava exausto. “As enterradas que eu dei durante a partida (seis no total) acabaram comigo”, disse Kobe. “Eu tinha consciência de que podia ter batido o recorde, mas não deu”.

Não bateu o recorde de Chamberlain, mas impediu que Kevin Love e Blake Griffin, os reis dos “doubles-doubles” nesta temporada, conseguissem um duplo-duplo na partida: “Disse a eles: o rei do ‘double-double’ sou eu. No intervalo, Kevin me falou: ‘Você já tem seis rebotes’. E eu respondi: vem mais por aí”.

E veio mesmo. Foram mais oito na etapa final, totalizando os 14 definitivos. E o que impressiona é que dez deles foram ofensivos, e jogando contra um time que tem Dwight Howard, Amar’e Stoudemire, Chris Bosh e Kevin Garnett. “Cada vez que eu apanhava um rebote, eu apontava para Kevin”.

Kobe disse que Griffin e Love ficaram contrariados; depois sorriu. Ficaram nada. Eles se divertiram. Divertiram-se porque tiveram a oportunidade de jogar pela primeira vez ao lado deste gênio do basquete mundial na atualidade.

Kobe pode não saber driblar uma pergunta bem feita, mas dentro da quadra ele é esperto demais.

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