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Basquete
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Procedimento administrativo investiga morte de jogador americano

Presidente da comissão de esportes da Câmara de Santos apura se processos para tratar Laurence Scott Young foram corretos

Marcel Frota, especial para o iG, em São Paulo |

Foi instalado um processo administrativo para averiguar possíveis falhas na condução do caso que envolveu a morte do jogador de basquete Laurence Scott Young, de 30 anos, que atuava pelo Internacional/Santos. O vereador Hugo Duppre (PSDB), presidente da comissão de esportes da Câmara de Santos, esteve nesta terça-feira reunido com Rogério Sampaio, presidente da Fupes (Fundação Pró-Esporte de Santos), entidade que gerencia o esporte de alto rendimento na cidade. O time do Internacional/Santos é resultado de parceira entre a Fupes com o Clube Internacional de Regatas.

“É um processo administrativo que é feito normalmente, principalmente na questão que levou ao óbito. O que vejo é que tudo que foi definido junto à federação, junto ao clube, juntos à Fupes, está tudo legal, legalizado. O que esperamos agora é junto à secretaria de saúde. Saber se realmente foi de pronto diagnosticado esses sintomas (da endocardite bacteriana). Se os procedimentos foram corretos junto à saúde”, disse Duppre.

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Young morreu no último domingo em função de uma infecção generalizada causada por uma endocardite bacteriana. A doença é caracterizada por uma contaminação de bacterias que atinge as válvulas do coração e depois se espalha pelo organismo. Ela geralmente tem como ponto de partida lesões bucais. As bactérias usam essas lesões como porta de entrada para o organismo.

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O vereador tem reunião agendada para tarde desta quarta-feira com Maria Ligia Lyra Pereira, secretária municipal de saúde de Santos. Segundo ele, serão solicitadas informações sobre o atendimento ao atleta, desde que deu entrada até a morte. Perguntado se havia alguma suspeita de negligência, Duppre disse em princípio acreditar que não, mas acha cedo para concluir algo a respeito. “Antes de se apurar os fatos, não podemos nunca falar que houve negligência ou não. Até porque, o atleta nunca apresentou nenhum sintoma que levasse ele a esse problema”, declarou o parlamentar.

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Também nesta quarta-feira, os atletas do Internacional/Santos voltam a treinar pela primeira vez desde a morte do jogador. Young fez sua última partida pelo time em 15 de outubro. No dia 18 do mesmo mês, ele foi encaminhado ao atendimento médico depois de queixar-se de dores de garganta. Dois dias depois, o jogador apresentava quadro febril e foi transferido para a Santa Casa de Santos.

Acompanhamento médico

De acordo com médicos ouvidos pelo iG, o diagnóstico da endocardite bacteriana é difícil, necessita acompanhamento médico e a realização de exames laboratoriais, não apenas avaliação clínica. O tratamento é feito a base de baterias intensas de antibióticos e em alguns casos é necessário procedimento cirúrgico. Os médicos revelaram ainda que a doença ataca pessoas que têm problemas nas válvulas do coração. Jorge Bauab, diretor da FPB (Federação Paulista de Basquete), disse que a responsabilidade de providenciar assistência médica aos jogadores é dos times.

Rogério Sampaio, presidente da Fupes, disse ontem que os atletas do Internacional/Santos não têm acompanhamento médico em tempo integral. Segundo ele, o atendimento é feito mediante demandas. “Todos os atletas, para participar do campeonato paulista, da série A1, apresentaram sua documentação médica na federação paulista de basquete. A equipe não tem um médico, mas lógico que todo problema que acontece a gente encaminha para o atendimento da prefeitura”, explicou o dirigente. “A gente atende quando é solicitado. Quando tem uma dor de dente, alguma coisa, a gente disponibiliza, mas como nunca houve solicitação por parte dele (Young), nunca houve uma dor de dente, nunca houve nada, nunca utilizamos”, acrescentou Sampaio, que afirmou desconhecer qualquer problema cardíaco do atleta. Segundo ele, nada do tipo foi detectado na bateria de exames solicitada pela FPB.

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O Presidente da Fupes afirmou que existem parcerias com universidades para atender às necessidades do time. Ele citou convênios com a Unisanta (Universidade Santa Cecília) nas áreas de fisioterapia e fisiologia e com a Unimes (Universidade Metropolitana de Santos) na área de odontologia. Perguntado se não achava necessário um atendimento em tempo integral para a equipe, o dirigente disse que não. “Fui atleta olímpico e nunca tive atendimento em tempo integral. Todas as contusões que tive, me encaminhei ao médico, fui atendido... Logicamente que se você detectou um problema, faz o atendimento”, declarou. Rogério Sampaio ganhou a medalha de ouro no judô nas Olímpíadas de Barcelona em 1992.

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O ponto de partida para a endocardite bacteriana que vitimou Young foi um problema dentário. Da mesma forma que acontece com o esquema médico, Sampaio explicou não haver um trabalho preventivo na área odontológica da equipe. Ele negou achar que a ausência desse trabalho de prevenção pudesse ser uma falha. “Não vejo”, respondeu. Questionado sobre a existência de algum erro cometido pela Fupes no caso, o presidente foi enfático. “De modo algum, muito pelo contrário, houve um acompanhamento muito próximo desde os primeiros momentos, quando ele sentiu a dor de garganta. Não desgrudamos dele nenhum segundo sequer”, garantiu Sampaio.

Futuro

O presidente da Fupes disse que viaja nesta quarta-feira para a Cidade de Mogi das Cruzes onde acompanhará os Jogos Abertos do Interior. Ele declarou que quando retornar poderá avaliar possíveis mudanças nos procedimentos médicos das equipes em que a Fupes tem participação, mas disse que isso dependerá de um diálogo amplo que precisará envolver outros atores. “Logicamente que no período em que estaremos lá teremos tempo para conversar, discutir algumas coisas, mas qualquer mudança de procedimento vai ser avaliada quando voltarmos e logicamente sempre em parceria com os clubes que desenvolvem as modalidades durante o ano inteiro. Não adianta eu tomar uma medida sozinho”, afirmou.

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