Com chance de ingressar na NBA, pivô Lucas Bebê diz como largou o futebol e admite treinar escondido

Se você ainda não ouvir falar de Lucas Nogueira, ou melhor, Lucas Bebê, é provável que logo conheça a promessa do basquete nacional. Único jogador brasileiro inscrito para o "NBA Draft" , evento que acontece no próximo dia 23 de junho e seleciona novos jogadores para a principal liga de basquete do mundo, o pivô nasceu no Rio de Janeiro e atua no Asefa Estudiantes, da Espanha. Com apenas 18 anos e 2,13m, Bebê é um exemplo de exceção à regra.

Apesar da estatura incomum durante toda a adolescência, que transforma qualquer um ao seu lado em um 'tampinha', Lucas Bebê só começou a arriscar os primeiros arremessos com 14 anos. Nada de escolinha infantil ou paixão desde cedo pelo basquete. O jogador admite que preferia o futebol, mas foi levado para treinar o outro esporte por um amigo.

"Meu irmão foi jogador das categorias de base do Flamengo, meu pai também jogou futebol durante muito tempo, então eu jogava bola, não pensava em ser jogador de basquete", disse Bebê. "Comecei jogando no ataque e fui sendo recuado para zagueiro, depois goleiro. Há quatro anos eu não sabia nem quicar a bola, não olhava para a cesta na hora de arremessar. Um amigo me levou para jogar basquete e eu gostei. O basquete me conquistou pela elegância e porque em um segundo pode mudar tudo. Vi que poderia dar certo".

Apesar de ser mais alto que a maioria dos jogadores da seleção brasileira principal, como Nenê, Varejão e Tiago Splitter, Lucas acredita que a altura não limita sua maneira de jogar. O pivô acredita que herdou um pouco da habilidade e coordenação do futebol. Por isso, fica feliz quando tem a oportunidade de jogar como ala-pivô. "Em todas as seleções, tento mostrar que jogo melhor na posição quatro, mas acabo jogando como cinco (pivô), mais fixo, por causa da minha altura", disse. "Acho que o futebol me ajudou, me deu coordenação quando mudei para o basquete".

Lucas Bebê com a camisa da seleção brasileira
Divulgação
Lucas Bebê com a camisa da seleção brasileira
Ciente da exigência dos treinadores quanto a parte tática, o pivô brinca e admite que treina arremessos de três escondido. "Eles não gostam, porque pivô não tem que chutar muito de três, mas eu acabo fazendo treinos de habilidade e de arremessos de três escondido", afirmou. "Até que nos treinos as bolas caem, tenho um aproveitamento bom. É bom ter recurso, mas no jogo nem tento. Se errar é banco na hora e uma baita bronca do treinador".

Apenas um assunto tira o sorriso e o humor do jogador do Estudiantes. Os comentários de sites que fazem análise extensa dos jogadores com potencial para serem recrutados no NBA Draft. Com rankings, dados como altura, peso e características de jogo, em um deles, o jogador é descrito como 'preguiçoso' e com 'atitude de estrela' . O pivô admite que deixou de ler as críticas a sua personalidade. "Antes eu lia para saber o que eles observavam de ponto positivo e negativo em mim, mas agora parei. Dizem que sou 'estrela' não sei de onde, porque são pessoas que nunca tiveram contato comigo. Não sou assim".

Convocado para o Mundial Sub-19, que começa no dia 30 de junho, na Letônia, o pivô foi liberado pela Confederação Brasileira de Basquete (CBB), e se apresentará depois do dia 23, quando acontece a escolha do draft. Quem sabe, já como jogador de alguma equipe da NBA.

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