Ex-ala da seleção faz jornada dupla na comissão técnica e aguarda sem pressa uma oportunidade no time adulto

Os últimos dias estão sendo bem corridos para Janeth Arcain. Após abandonar as quadras, em 2007, ela começou a se dedicar à carreira de treinadora e atualmente integra a comissão técnica de Ênio Vecchi , que se prepara para o Pré-Olímpico de Neiva (Colômbia). Além disso, também divide seu tempo como treinadora da seleção brasileira universitária que disputará a Universíade na China, em13 de agosto. Mesmo com todo o “intensivão” que vem fazendo, Janeth não quer queimar etapas. O sonho de vê-la no comando da seleção adulta nas Olimpíadas do Rio, em 2016, alimentado por muitas pessoas dentro da própria CBB (Confederação Brasileira de Basquete), ainda não passa exatamente de um sonho.

“Eu encaro isso com muito pé no chão. Se no momento certo, aparecer o convite e eu me sentir pronta, irei aceitar. Mas hoje temos profissionais bem preparados, o Ênio está apenas começando um trabalho e estou aqui para ajudar. Sei que as coisas acontecem no momento certo e na hora certa”, explicou Janeth, de 42 anos, ex-ala da seleção brasileira, que foi campeã mundial em 1994, na Austrália, conquistou duas medalhas olímpicas (prata em Atlanta-96 e bronze em Sydney-2000) e uma medalha de ouro pan-americana (Havana-91). No momento, sua grande preocupação é mesmo em cuidar da preparação da equipe que disputará a Universíade em Shenzhen, na China, composta por atletas da nova geração, entre elas a armadora Tássia, medalha de bronze no Mundial Sub 19, disputado no Chile.

Janeth chora ainda em quadra durante a final do Pan 2007, contra os EUA, em sua despedida das quadras
AE
Janeth chora ainda em quadra durante a final do Pan 2007, contra os EUA, em sua despedida das quadras

Por sinal, como treinadora Janeth exibe algumas das características que também mostrava quando atuava como atleta: alterna os momentos de tranqüilidade, para explicar as jogadas que deseja, com aqueles em que precisa fazer uma cobrança mais dura. “Sou uma técnica exigente e às vezes um pouquinho brava”, brinca Janeth, que se diz surpresa com o trabalho que vem desenvolvendo como treinadora. “Estou num estágio bem mais avançado do que imaginaria estar agora. Mas o importante é que não sou uma técnica que pensa com a cabeça de jogadora, mas sim tenha a visão de uma ex-jogadora e com isso consigo explicar o que quero para as atletas”, afirmou.

Sobre sua fonte de inspiração na nova carreira, Janeth também repete um comportamento do período em que jogava e procura ser bem política. “Foram tantos técnicos na minha carreira que você acaba absorvendo um pouquinho de cada um deles”, citando entre eles Edson Ferreto, Maria Helena Cardoso, Laís Aranha, Antônio Carlos Vendramini, Antônio Carlos Barbosa e Miguel Ângelo da Luz. Agora, pretende fazer a mesma coisa no trabalho com Ênio Vecchi. “Mas o importante é você achar o seu estilo próprio”, assegura Janeth.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.